Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Cinco estados concentram disputa mais aberta entre Lula e Flávio e ampliam peso dos indecisos

Análise de levantamentos estaduais destaca São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul como áreas de atenção por combinarem competição e eleitorado ainda não consolidado.

Cinco estados concentram disputa mais aberta entre Lula e Flávio e ampliam peso dos indecisos
Cinco estados concentram disputa mais aberta entre Lula e Flávio e ampliam peso dos indecisos

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul formam um grupo de estados especialmente relevante para a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo análise apresentada pela VEJA a partir de pesquisas estaduais da Quaest. O ponto em comum é a combinação entre competição política, grande peso eleitoral e parcelas de eleitores que ainda não consolidaram a escolha.

A leitura foi apresentada pelo cientista político Fábio Vasconcellos, do núcleo de dados da revista, com base em levantamentos realizados em diferentes unidades da Federação. A análise não cria um novo índice oficial de intenção de voto e não significa que apenas esses cinco estados decidirão a eleição. Ela identifica áreas onde mudanças entre indecisos, votos brancos e nulos ou migração entre candidatos podem produzir impacto relevante.

São Paulo e Minas têm peso matemático e simbólico

São Paulo é o maior colégio eleitoral do país e, por isso, qualquer movimento de poucos pontos percentuais representa milhões de votos. Minas Gerais, segundo maior eleitorado, também recebe atenção especial por seu histórico de resultados presidenciais próximos ao resultado nacional em diversas eleições recentes.

Pesquisas anteriores da Quaest já mostraram Flávio competitivo em São Paulo e Lula com disputa apertada em Minas. O cenário de agosto, entretanto, precisa ser interpretado com cautela porque pesquisas estaduais têm margens de erro próprias, períodos de campo diferentes e metodologias que não devem ser somadas como se fossem uma única amostra nacional.

Rio, Espírito Santo e Rio Grande do Sul completam o grupo

No Rio de Janeiro, estado de origem política da família Bolsonaro, Flávio mantém base relevante, enquanto Lula depende de alianças locais e do desempenho de seus candidatos a cargos estaduais. No Rio Grande do Sul, pesquisas recentes também apontaram vantagem para Flávio em cenários de confronto direto, mas o comportamento dos eleitores ainda pode mudar durante a campanha.

O Espírito Santo aparece no grupo por combinar disputa competitiva e eleitorado com margem para definição. Embora tenha participação menor no total nacional do que São Paulo ou Minas, o estado pode ganhar importância em uma eleição apertada, especialmente se repetir padrões de votação distintos dos observados no Nordeste.

Indeciso não é bloco homogêneo

O termo indeciso reúne comportamentos diferentes. Há eleitores que ainda não escolheram candidato, pessoas que cogitam mudar de voto, entrevistados que preferem não responder e eleitores inclinados a votar em branco ou nulo. A capacidade de cada campanha de converter esse grupo depende de rejeição, confiança, exposição na propaganda e acontecimentos de curto prazo.

Também é incorreto assumir que todos os indecisos se distribuirão proporcionalmente entre os dois primeiros colocados. Candidatos como Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outros nomes ainda disputam espaço no primeiro turno e podem crescer ou perder votos.

Pesquisas são fotografia, não projeção automática

A Quaest e outros institutos divulgam pesquisas registradas na Justiça Eleitoral com informações sobre amostra, margem de erro, metodologia e período de campo. Cada levantamento retrata a opinião dos entrevistados naquele momento. Debates, propaganda em rádio e TV, fatos econômicos e eventos de campanha podem alterar o cenário rapidamente.

Para as campanhas de Lula e Flávio, o valor dessa leitura é estratégico. Estados com eleitorado numeroso, competição equilibrada e maior grau de incerteza costumam receber mais visitas, publicidade, alianças e esforços de mobilização. O mapa também ajuda a identificar onde uma candidatura precisa reduzir rejeição ou aumentar conhecimento.

O primeiro turno ainda permite múltiplas candidaturas, portanto o foco exclusivo em Lula e Flávio simplifica uma disputa mais ampla. Mesmo assim, como ambos ocupam as duas primeiras posições na maior parte dos levantamentos nacionais, entender onde existe espaço para oscilação ajuda a explicar por que determinadas regiões devem concentrar atenção especial na reta final da campanha.

Fontes