Economia

Cinco países restringem frango após foco sanitário em SC

Malásia, México, Arábia Saudita, China e Chile adotaram suspensões temporárias após foco da doença de Newcastle em perus.

2026-10-23T17:58:00.000Z · Redação Notícia ES
Cinco países restringem frango após foco sanitário em SC

Cinco países suspenderam temporariamente compras de produtos avícolas brasileiros depois da confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus em Nova Itaberaba, Santa Catarina. As medidas atingem o Brasil ou apenas o território catarinense, conforme a regra adotada por cada importador.

A informação foi publicada pela Veja e confirmada em nota oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária, divulgada na quarta-feira (21). O órgão listou Malásia, México, Arábia Saudita, China e Chile entre os mercados que comunicaram restrições e informou que negocia a retomada segura do comércio.

Malásia e México aplicaram suspensões a produtos provenientes de todo o Brasil. No caso malaio, a medida alcança carne, produtos cárneos e miúdos de aves. A restrição mexicana inclui aves vivas, carnes, miúdos, ovos férteis, pintinhos e algumas categorias de aves destinadas à comercialização.

Arábia Saudita, China e Chile limitaram as decisões aos produtos originários de Santa Catarina. Os itens variam: sauditas e chineses suspenderam carnes e produtos cárneos, enquanto os chilenos incluíram ovos, pintinhos, aves ornamentais, carne fresca e preparados que contenham carne avícola fresca.

Embargos têm alcance diferente

A distinção geográfica é importante para medir o efeito econômico. Uma suspensão nacional interrompe embarques de diversas regiões produtoras; uma medida restrita a Santa Catarina permite, em tese, que estabelecimentos habilitados em outros Estados continuem atendendo o mercado, desde que cumpram as exigências sanitárias do comprador.

Santa Catarina responde por mais de um quinto das exportações brasileiras de carne de frango, segundo levantamento citado pela Folha. A Arábia Saudita representou 7,68% das vendas externas do produto, a China 4,84% e o México 4,73%, percentuais que ajudam a dimensionar a relevância dos mercados atingidos.

O impacto final dependerá da duração das suspensões, do controle sanitário e da possibilidade de redirecionar cargas. Analistas ouvidos pela imprensa avaliaram que o dano tende a ser limitado se o foco permanecer contido, mas a estimativa não elimina riscos para produtores, frigoríficos, transportadores e contratos com entrega próxima.

Consumo inspecionado segue seguro

O Ministério da Agricultura afirmou que produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continuam seguros para consumo e não apresentam contraindicação. A comunicação ao consumidor é separada das barreiras comerciais, que funcionam como precauções sanitárias definidas pelos países importadores.

Equipes de defesa agropecuária trabalham na investigação do foco, nas medidas de controle e no fornecimento de informações técnicas aos parceiros. A recuperação dos mercados depende de demonstrar a extensão do evento, cumprir protocolos e responder às exigências de cada autoridade estrangeira.

Novas alterações podem ocorrer conforme os países revisem suas avaliações de risco. Até lá, a lista oficial do governo deve orientar empresas e produtores, porque manchetes que tratam todas as suspensões como idênticas escondem diferenças relevantes entre origem geográfica, tipo de produto e duração da medida.