Clientes exigem resultados da IA na advocacia
Pesquisa aponta distância entre a expectativa de empresas e os ganhos entregues por escritórios que adotam inteligência artificial.

Clientes corporativos estão pressionando escritórios de advocacia a transformar o uso de inteligência artificial em melhorias verificáveis de qualidade. A diferença entre expectativa e entrega já ameaça relações comerciais e contratos para os próximos doze meses.
O InfoMoney divulgou os resultados do relatório Future of Professionals 2026, produzido pela Thomson Reuters. O levantamento oficial mostra que 78% dos clientes consideram muito importante ou essencial receber melhorias de qualidade habilitadas por IA.
Apesar da demanda, apenas 6% afirmam que a maioria ou todos os prestadores entrega esse valor de forma consistente. A distância entre os dois percentuais indica que anunciar ferramentas não basta: empresas querem precisão, agilidade e redução de custos demonstradas no serviço.
O relatório informa ainda que 32% dos clientes pretendem reavaliar, nos próximos doze meses, relações com fornecedores que estejam atrasados na adoção tecnológica. Entre os que cogitam mudanças, um terço estima que mais de US$ 1 milhão em trabalho anual pode estar em disputa.
Clientes cobram valor mensurável
Na advocacia, ganhos de produtividade podem aparecer na revisão de contratos, organização de documentos, pesquisa jurídica e identificação de riscos. Para o cliente, porém, o resultado precisa chegar em prazo menor, cobrança mais eficiente ou análise com qualidade superior.
Escritórios que mantêm o mesmo preço, o mesmo tempo de entrega e o mesmo padrão de erros dificilmente conseguem demonstrar benefício. A tecnologia passa a integrar a escolha do prestador, assim como experiência, especialização, disponibilidade e confiança.
A pressão também atinge o modelo de cobrança por hora. Se uma ferramenta reduz drasticamente o tempo de uma tarefa, o cliente pode exigir preço compatível ou outro critério de remuneração. O debate favorece propostas com escopo, entrega e responsabilidade mais claramente definidos.
Ao mesmo tempo, velocidade não substitui julgamento profissional. Pareceres, contratos e estratégias processuais exigem revisão de advogados responsáveis, especialmente quando uma resposta automática depende de dados incompletos ou pode apresentar informação inexistente.
Segurança continua indispensável
O uso de IA em serviços jurídicos envolve documentos confidenciais, dados pessoais e segredos empresariais. Antes de enviar informações a uma ferramenta, o escritório precisa conhecer onde os dados serão processados, por quanto tempo ficarão armazenados e quem poderá acessá-los.
Clientes também querem transparência sobre a participação da tecnologia. Isso não exige revelar todos os sistemas internos, mas pede regras claras de supervisão, registro das etapas e comunicação quando o método automatizado tiver influência relevante sobre a entrega.
A pesquisa mostra que uma estratégia definida faz diferença. No conjunto de profissionais analisado pela Thomson Reuters, 66% dizem que a IA atende ou supera expectativas quando existe uma estratégia clara, contra 22% nas organizações que não estruturaram esse uso.
O mercado jurídico entra, assim, em uma fase de cobrança por execução. Escritórios que combinarem ferramentas adequadas, proteção de dados, revisão humana e indicadores de qualidade poderão fortalecer a relação com os clientes. Os que tratarem IA apenas como propaganda correm risco real de perder contratos.
Em resumo
Eles querem melhorias mensuráveis de qualidade, prazo e eficiência, com supervisão profissional.
O relatório informa que 78% dos clientes classificam o ganho de qualidade como muito importante ou essencial.
Apenas 6% afirmam que a maioria ou todos os fornecedores entrega valor de forma consistente.
Sim. Trinta e dois por cento pretendem reavaliar fornecedores atrasados nos próximos doze meses.
Proteção de dados, transparência, revisão humana e registro do uso da ferramenta permanecem indispensáveis.