Clubes adotam patrocínios pontuais após veto às bets
Equipes da Série A recorrem a acordos por partida, programas de sócio e espaços vazios nas camisas após a retirada obrigatória das marcas de apostas.

Clubes da Série A passaram a ocupar com acordos pontuais o espaço deixado pelas casas de apostas nos uniformes. A mudança ficou visível nos jogos de quarta-feira (7), dois dias depois do prazo para retirada das marcas previsto na Medida Provisória 1.394 de 2026.
O Poder360 registrou as soluções adotadas na rodada, e o UOL confirmou o contrato de uma partida fechado pelo Corinthians. As equipes escolheram caminhos diferentes: algumas venderam o espaço principal da camisa, outras divulgaram negócios próprios e parte delas entrou em campo sem patrocinador máster.
Internacional e Corinthians estrearam a nova fase comercial no Beira-Rio. O clube gaúcho, que já não tinha uma casa de apostas como patrocinadora principal, exibiu uma campanha promocional da Shopee. O time paulista substituiu temporariamente a Esportes da Sorte pela empresa de inteligência artificial Jota.ai.
O acordo corintiano valeu apenas para a partida e rendeu R$ 1 milhão, segundo as duas publicações. A modalidade reduz o compromisso de longo prazo enquanto o mercado aguarda uma definição sobre a medida provisória e sobre as ações levadas ao Supremo Tribunal Federal.
Clubes improvisam novas receitas
O Remo trocou a VaideBet pelo Banpará no jogo contra o Grêmio, em Belém. A instituição financeira estadual já mantém relação comercial com o clube e detém os direitos de nome do Baenão, o que permitiu uma substituição rápida no uniforme.
Outras equipes preferiram usar ativos próprios. Programas de sócio-torcedor, lojas oficiais e campanhas institucionais passaram a ocupar áreas antes vendidas às plataformas de apostas. A estratégia preserva a visibilidade da camisa, mas não significa que a receita perdida tenha sido integralmente reposta.
Botafogo, Vasco, Cruzeiro, Grêmio e Vitória disputaram seus jogos sem uma nova marca no espaço principal antes reservado às bets. A Chapecoense manteve a Aurora Coop, que já dividia a área central do uniforme, enquanto Bragantino e Mirassol seguiram com os mesmos parceiros porque não tinham patrocínio de apostas naquele espaço.
A retirada atingiu contratos que estavam incorporados ao planejamento financeiro da temporada. Antes da proibição, 14 dos 20 integrantes da Série A tinham empresas de apostas na posição de maior destaque da camisa, de acordo com levantamento publicado pelo UOL no fim de setembro.
Disputa jurídica segue aberta
A MP 1.394 proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. Os operadores tiveram até 5 de outubro para retirar a propaganda, e a norma também alcançou uniformes, estádios, páginas oficiais e materiais promocionais dos clubes.
Entidades do futebol e empresas do setor questionam a mudança no STF e pedem uma transição para contratos que já estavam em vigor. A medida provisória também depende de análise do Congresso para permanecer válida, o que mantém incerteza sobre o valor e a duração de novos acordos comerciais.
Por isso, os patrocínios por jogo funcionam como uma solução de curto prazo. Eles permitem receita imediata e evitam que os clubes assumam contratos extensos antes de saber se a proibição será mantida, modificada ou derrubada.
Os próximos jogos devem mostrar se o modelo pontual ganhará escala ou ficará restrito à transição. Enquanto não houver decisão definitiva, cada equipe terá de equilibrar exposição comercial, cumprimento da norma e preservação das receitas previstas para a reta final da temporada.
Em resumo
A Medida Provisória 1.394 proibiu a publicidade de apostas de quota fixa no país.
As alternativas incluem patrocínios por partida, programas de sócio, lojas próprias e espaços vazios.
O clube recebeu R$ 1 milhão para exibir a Jota.ai em um jogo.
Não. Internacional, Bragantino e Mirassol estavam entre os clubes sem bet na posição principal.
Não. A medida depende do Congresso e enfrenta questionamentos no Supremo Tribunal Federal.