Tecnologia · 2026-09-25 · Redação Notícia ES

CNI vê energia disponível como vantagem para data centers no Brasil

Entidade industrial aponta que disponibilidade elétrica pode favorecer novos centros de dados, mas cita necessidade de oferta firme e menos burocracia.

CNI vê energia disponível como vantagem para data centers no Brasil
CNI vê energia disponível como vantagem para data centers no Brasil

A disponibilidade de energia elétrica pode ajudar o Brasil a atrair novos data centers, segundo avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban. A entidade vê espaço para investimentos ligados a infraestrutura digital, inteligência artificial e outras atividades de alto consumo energético.

A declaração foi feita durante o CNN Talks Energia, realizado na quinta-feira (24), em São Paulo. Alban afirmou que a vantagem brasileira depende de transformar energia disponível em fornecimento firme e previsível para projetos que exigem operação contínua.

Data centers concentram servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede usados para processar grandes volumes de informação. O crescimento da inteligência artificial elevou a demanda mundial por esse tipo de infraestrutura e também aumentou a preocupação com capacidade elétrica.

Energia pode virar vantagem competitiva

Segundo Alban, parte do desafio brasileiro é aproveitar melhor momentos de excesso de geração. Em determinadas regiões e horários, o sistema elétrico pode limitar a produção de usinas por falta de demanda ou restrições de transmissão, situação conhecida no setor como curtailment.

A CNI já vinha tratando a atração de data centers como tema estratégico. Em fevereiro, a entidade informou que discutiu com o governo federal medidas para ampliar investimentos no setor, incluindo o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, conhecido como Redata.

O interesse cresce porque centros de dados precisam de fornecimento estável e de grande escala. Para operações ligadas a inteligência artificial, qualquer interrupção pode afetar processamento, armazenamento e disponibilidade de serviços digitais.

Burocracia ainda pesa nos projetos

O presidente da CNI também alertou que a disponibilidade de energia, sozinha, não garante competitividade. Licenciamento, tributação, infraestrutura de transmissão, acesso a terrenos e segurança regulatória podem alterar o custo e o prazo de implantação de um empreendimento.

A entidade defende que o país reduza obstáculos para que a vantagem energética se converta em investimento efetivo. Na avaliação apresentada por Alban, a combinação de oferta elétrica, escala de mercado e ambiente regulatório definirá se o Brasil conseguirá disputar projetos globais.

O setor de data centers também depende de fatores como conectividade por fibra óptica, refrigeração, disponibilidade de água em alguns modelos de operação e proximidade com grandes centros consumidores. Por isso, a decisão de instalação costuma considerar vários critérios ao mesmo tempo.

A fala da CNI reforça uma disputa internacional por infraestrutura digital. Com a expansão da computação em nuvem e da inteligência artificial, países com energia abundante e previsível tentam transformar essa condição em vantagem para receber novos investimentos tecnológicos.

Em resumo

Por que o Brasil pode atrair data centers?

Porque tem disponibilidade de energia e mercado suficiente para receber infraestrutura digital de grande porte.

Qual é o principal desafio elétrico?

Garantir fornecimento firme e contínuo, mesmo quando há oscilações ou restrições no sistema.

O que a CNI já discutiu com o governo?

Medidas para atrair data centers, incluindo regras e incentivos associados ao Redata.

Energia barata basta para atrair projetos?

Não. Burocracia, infraestrutura, tributação, conectividade e segurança regulatória também pesam.

Qual setor aumenta essa demanda?

A expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem amplia a necessidade de centros de processamento de dados.

Fontes