CNI vê energia disponível como vantagem para data centers no Brasil
Entidade industrial aponta que disponibilidade elétrica pode favorecer novos centros de dados, mas cita necessidade de oferta firme e menos burocracia.

A disponibilidade de energia elétrica pode ajudar o Brasil a atrair novos data centers, segundo avaliação do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban. A entidade vê espaço para investimentos ligados a infraestrutura digital, inteligência artificial e outras atividades de alto consumo energético.
A declaração foi feita durante o CNN Talks Energia, realizado na quinta-feira (24), em São Paulo. Alban afirmou que a vantagem brasileira depende de transformar energia disponível em fornecimento firme e previsível para projetos que exigem operação contínua.
Data centers concentram servidores, sistemas de armazenamento e equipamentos de rede usados para processar grandes volumes de informação. O crescimento da inteligência artificial elevou a demanda mundial por esse tipo de infraestrutura e também aumentou a preocupação com capacidade elétrica.
Energia pode virar vantagem competitiva
Segundo Alban, parte do desafio brasileiro é aproveitar melhor momentos de excesso de geração. Em determinadas regiões e horários, o sistema elétrico pode limitar a produção de usinas por falta de demanda ou restrições de transmissão, situação conhecida no setor como curtailment.
A CNI já vinha tratando a atração de data centers como tema estratégico. Em fevereiro, a entidade informou que discutiu com o governo federal medidas para ampliar investimentos no setor, incluindo o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, conhecido como Redata.
O interesse cresce porque centros de dados precisam de fornecimento estável e de grande escala. Para operações ligadas a inteligência artificial, qualquer interrupção pode afetar processamento, armazenamento e disponibilidade de serviços digitais.
Burocracia ainda pesa nos projetos
O presidente da CNI também alertou que a disponibilidade de energia, sozinha, não garante competitividade. Licenciamento, tributação, infraestrutura de transmissão, acesso a terrenos e segurança regulatória podem alterar o custo e o prazo de implantação de um empreendimento.
A entidade defende que o país reduza obstáculos para que a vantagem energética se converta em investimento efetivo. Na avaliação apresentada por Alban, a combinação de oferta elétrica, escala de mercado e ambiente regulatório definirá se o Brasil conseguirá disputar projetos globais.
O setor de data centers também depende de fatores como conectividade por fibra óptica, refrigeração, disponibilidade de água em alguns modelos de operação e proximidade com grandes centros consumidores. Por isso, a decisão de instalação costuma considerar vários critérios ao mesmo tempo.
A fala da CNI reforça uma disputa internacional por infraestrutura digital. Com a expansão da computação em nuvem e da inteligência artificial, países com energia abundante e previsível tentam transformar essa condição em vantagem para receber novos investimentos tecnológicos.
Em resumo
Porque tem disponibilidade de energia e mercado suficiente para receber infraestrutura digital de grande porte.
Garantir fornecimento firme e contínuo, mesmo quando há oscilações ou restrições no sistema.
Medidas para atrair data centers, incluindo regras e incentivos associados ao Redata.
Não. Burocracia, infraestrutura, tributação, conectividade e segurança regulatória também pesam.
A expansão da inteligência artificial e da computação em nuvem amplia a necessidade de centros de processamento de dados.