Cobrança por vídeos de velório provoca críticas
Influenciador ofereceu por R$ 15 acesso a um grupo de WhatsApp com conteúdo sobre a cerimônia, que a família pediu para manter reservada.

A oferta de acesso pago a vídeos relacionados ao velório da atriz e cantora Lua Blanco provocou críticas nas redes sociais nesta segunda-feira (19). O caso envolveu um grupo privado em aplicativo de mensagens e reacendeu o debate sobre limites de monetização em cerimônias de despedida.
A coluna de Lucas Pasin, no Metrópoles, informou que o influenciador Pedro Oliveira, conhecido como Vidoca, anunciou a cobrança de R$ 15 para participantes de um grupo no WhatsApp. A promessa era compartilhar conteúdo exclusivo produzido nas proximidades do velório no Rio de Janeiro.
O Midiamax confirmou a oferta e registrou que o criador permaneceu com outros profissionais de imprensa fora do cemitério. A família havia pedido que a cerimônia fosse restrita a parentes e amigos, sem acesso público ao espaço reservado para a despedida.
Aplicativos ampliam monetização privada
O modelo combina alcance público em redes sociais com distribuição fechada em um aplicativo de mensagens. Em vez de publicar o material para todos os seguidores, o criador concentra assinantes em um grupo e condiciona o acesso ao pagamento de uma taxa.
Oliveira afirmou que a cobrança ajudaria a cobrir custos de deslocamento, alimentação e produção. Ele também disse que pretendia acompanhar outra cerimônia no mesmo dia. A justificativa, porém, não afastou as críticas de usuários que consideraram inadequada a exploração comercial de um momento de luto.
A tecnologia torna simples criar comunidades privadas, receber pagamentos e distribuir vídeos em tempo real. Essas ferramentas podem financiar coberturas independentes, mas não retiram de quem publica a responsabilidade de avaliar privacidade, interesse público e consentimento.
Nesse caso, a distinção entre registrar a movimentação externa e invadir uma cerimônia reservada é central. Permanecer em área pública não autoriza automaticamente captar pessoas vulneráveis, ultrapassar barreiras ou transformar manifestações íntimas em conteúdo comercial.
Privacidade orienta limites digitais
O velório ocorreu no Cemitério Vertical Memorial do Carmo, no Caju, e foi organizado para familiares e pessoas próximas. A restrição comunicada pela família indicava que imagens do interior e dos participantes não deveriam ser tratadas como material disponível apenas porque havia interesse nas redes.
Plataformas e aplicativos reduzem a distância entre um acontecimento e sua audiência, mas também aumentam o risco de exposição sem autorização. Quando a renda do produtor depende da exclusividade, o incentivo para publicar rapidamente pode entrar em conflito com a cautela exigida pelo luto.
O episódio mostra que a cobrança não é o único ponto em discussão. A origem das imagens, o respeito ao pedido da família e a forma de abordar pessoas presentes importam tanto quanto o preço do acesso. Monetizar uma cobertura digital não elimina regras de convivência nem o dever de preservar a dignidade de quem se despede.
Em resumo
Ele ofereceu acesso a um grupo privado no WhatsApp com conteúdo relacionado ao velório.
A entrada no grupo foi anunciada por R$ 15.
Não. A família pediu que o velório fosse reservado a parentes e amigos.
O influenciador afirmou que a taxa ajudaria a pagar deslocamento, alimentação e custos de produção.
O fato central envolve monetização e distribuição de conteúdo por redes sociais e aplicativo de mensagens.