COFCO acerta compra de duas usinas de açúcar da Bunge em São Paulo
Negócio envolve as usinas Rio Vermelho e Nova Unialco, localizadas em Junqueirópolis e Guararapes; valor não foi divulgado e conclusão depende de aprovações regulatórias.

A COFCO International fechou acordo para comprar duas usinas de açúcar e etanol da Bunge no interior de São Paulo, ampliando sua presença no setor sucroenergético brasileiro. A operação, anunciada nesta terça-feira, 1º de setembro, envolve as unidades Rio Vermelho, em Junqueirópolis, e Nova Unialco, em Guararapes.
O valor da transação não foi divulgado. Segundo comunicado da Bunge, a conclusão depende de condições habituais de fechamento e de aprovações regulatórias.
Ativos chegaram à Bunge após combinação com a Viterra
As duas usinas pertenciam anteriormente à Viterra e passaram para o portfólio da Bunge depois da conclusão da combinação entre as empresas, em julho de 2025.
A venda faz parte da reorganização de ativos após esse processo. Julio Garros, diretor de operações da Bunge, afirmou em comunicado que a transação está alinhada às prioridades estratégicas da companhia e ao posicionamento de longo prazo do negócio.
COFCO amplia posição no açúcar brasileiro
A compradora é braço internacional do grupo chinês COFCO, um dos maiores conglomerados de alimentos e agronegócio do mundo. A companhia já atua no Brasil em grãos, açúcar, café e logística.
A aquisição de unidades industriais próprias fortalece a integração da empresa em uma cadeia na qual o Brasil é líder global. O país é o maior produtor e exportador de açúcar e também um dos principais produtores de etanol de cana.
Região de Araçatuba ganha peso estratégico
As duas usinas ficam na região oeste de São Paulo, próxima a áreas de forte produção de cana-de-açúcar. A localização facilita acesso à matéria-prima e conexão com infraestrutura de transporte utilizada para escoamento ao mercado interno e exportação.
A presença de grupos internacionais no setor sucroenergético cresceu nas últimas décadas, acompanhando a expansão do mercado de açúcar e biocombustíveis.
Negócio ainda depende de aprovação
O anúncio de uma compra não significa que a transferência já esteja concluída. Operações desse porte costumam depender de análises regulatórias e de outras condições contratuais antes do fechamento definitivo.
As empresas não divulgaram prazo para a conclusão. Também não informaram detalhes sobre capacidade de moagem, número de trabalhadores envolvidos ou eventuais mudanças operacionais após a transferência.
Movimento ocorre em setor estratégico
O setor de açúcar e etanol vive um ciclo de investimentos ligado à demanda por combustíveis renováveis, exportações e geração de bioenergia. A cana permite produção de açúcar, etanol e eletricidade a partir do bagaço, o que aumenta a flexibilidade das usinas.
Para a COFCO, a aquisição reforça a presença em uma cadeia importante para abastecimento global de alimentos e energia. Para a Bunge, a venda reduz exposição direta a ativos industriais que chegaram ao grupo com a Viterra.
O impacto final da operação dependerá das aprovações e da estratégia que a nova controladora adotar para as duas unidades. Até o fechamento, as usinas permanecem sob a estrutura atual e o negócio segue sujeito às condições previstas no acordo.