Com disparada do dólar e queda da Bolsa, mercado cobra de Lula o ajuste fiscal
Analistas avaliam que as fortes oscilações de ontem refletem muito mais uma reversão de expectativas de curto prazo do que os fundamentos da economia

Os preços dos ativos brasileiros tiveram ontem uma forte correção, um dia após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que virou a disputa eleitoral no segundo turno e derrotou o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, o preferido pela maior parte do mercado.
Em 4 de outubro, logo após a vitória
Em 4 de outubro, logo após a vitória do bolsonarista no primeiro turno e o forte avanço da bancada conservadora no Congresso, o dólar tinha caído 4%, da casa de R$ 5,20 para R$ 5, o Ibovespa saltou 7,7%, e os juros futuros recuaram.
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Ontem, a vitória do petista teve efeito contrário, e com grande intensidade: o dólar avançou 8,2%, a R$ 5,40, a maior alta desde a maxidesvalorização de janeiro de 1999, quando o governo mudou a política cambial; a Bolsa despencou 13,8%, a queda mais intensa desde março de 2020; e as taxas no mercado de juros saltaram mais de dois pontos percentuais.
Dimensão da reprecificação, intensa, mas relativamente prevista no caso
A dimensão da reprecificação, intensa, mas relativamente prevista no caso de uma vitória de Lula , levou o Tesouro Nacional e o Banco Central (BC) a intervirem nos mercados de juros e câmbio de forma coordenada para reduzir a volatilidade, o que amenizou a pressão, mas não mudou a trajetória das cotações.
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O dólar chegou a superar, na abertura da sessão, 12,2% de alta. A cotação chegou a R$ 5,60, mas baixou após o BC anunciar swaps cambiais (equivalentes a uma venda de dólar ) de US$ 3,75 bilhões, ação que funciona como seguro para a valorização do dólar .
Dentre as 31 moedas mais negociadas no mundo, o real foi a que mais se desvalorizou.
Na Bolsa, logo nos primeiros minutos do pregão, as negociações tiveram que ser interrompidas por 30 minutos após o Ibovespa cair mais de 10%.
É o chamado circuit breaker, mecanismo que paralisa temporariamente as operações quando o mercado tem oscilações muito bruscas, de forma a reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda.
Na retomada dos negócios, a queda chegou a 17,34%, mas o circuit breaker não foi acionado novamente porque a B3 elevou o teto de oscilação para 20%.
Os juros futuros, que estimam onde estará a Taxa Selic no futuro e que caíram firme após o primeiro turno, saltaram às máximas do ano.
Para acalmar os ânimos, tamanha volatilidade fez o Tesouro Nacional realizar duas intervenções, que somam R$ 14,8 bilhões em recompras dos títulos da dívida soberana.
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De acordo com Sergio Goldenstein, da consultoria Eytse Estratégia, foi a terceira maior intervenção diária do Tesouro na História.
Em meio aos ajustes, os contratos das Taxas do Depósito Interfinanceiro (DI) retornaram ao patamar da crise de desconfiança do fim de 2024 e passaram a indicar Selic de 15,5% em maio de 2027.
— Foi um movimento de ajuste de posições para um cenário que tem menos probabilidade de ocorrência, que é o de um ajuste fiscal.
Havia probabilidade grande de vitória da oposição e, nesse cenário de continuidade, a percepção é que o ajuste ainda ficará aquém do necessário para estabilizar a relação dívida/ PIB.
Com dívida pressionada, há espaço menor para a queda da Taxa Selic — afirma Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset.
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Analistas avaliam que as fortes oscilações de ontem refletem muito mais uma reversão de expectativas de curto prazo do que os fundamentos da economia, e a sinalização de medidas que estabilizem a trajetória da dívida pública poderia reduzir ou mesmo neutralizar o impacto pós-segundo turno.
Os agentes do mercado defendem que Lula faça um rigoroso ajuste fiscal, e a definição de quem será o ministro da Fazenda é vista como fundamental para nortear as decisões de investimentos no curto prazo.
Entre os cotados, os mais citados são o governador eleito do Piauí e ex-secretário da Fazenda estadual, Rafael Fonteles (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin , e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.
A possível indicação de Fonteles é vista como mais complicada, já que “teria que ser feita uma manobra grande” para que ele renuncie ao cargo de governador, e ele foi reeleito com 70% dos votos válidos.
Mas, segundo analistas da Faria Lima, o nome do petista não é visto de forma tão negativa.
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Em resumo
Os preços dos ativos brasileiros tiveram ontem uma forte correção, um dia após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que virou a disputa eleitoral no segundo turno e derrotou o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, o preferido pela maior parte do mercado. Em 4 de outubro, logo após a vitória do bolsonarista no primeiro turno e o forte avanço
Promessas: Lula terá de convencer o mercado e vai mirar centro da meta fiscal para conter gastos I ndicações: Próximo governo terá 41 cargos a preencher em agências reguladoras, BC, CVM e Cade
Ontem, a vitória do petista teve efeito contrário, e com grande intensidade: o dólar avançou 8,2%, a R$ 5,40, a maior alta desde a maxidesvalorização de janeiro de 1999, quando o governo mudou a política cambial; a Bolsa despencou 13,8%, a queda mais intensa desde março de 2020; e as taxas no mercado de juros saltaram mais de dois pontos percentuais.
A dimensão da reprecificação, intensa, mas relativamente prevista no caso de uma vitória de Lula , levou o Tesouro Nacional e o Banco Central (BC) a intervirem nos mercados de juros e câmbio de forma coordenada para reduzir a volatilidade, o que amenizou a pressão, mas não mudou a trajetória das cotações.
Fiscalização: Em seis dos 13 órgãos reguladores, comando poderá ser trocado em 2027