Economia · 2026-10-18 · Redação Notícia ES

Combustíveis acumulam alta apesar dos subsídios

Grupo de combustíveis do IPCA subiu 4,49% de janeiro a setembro, diante de petróleo caro e medidas federais para conter o repasse às bombas.

Combustíveis acumulam alta apesar dos subsídios
Combustíveis acumulam alta apesar dos subsídios

Os combustíveis acumularam alta de 4,49% entre janeiro e setembro de 2026, quase o dobro dos 2,30% registrados em todo o ano de 2025. O avanço ocorreu mesmo com desonerações e subvenções adotadas pelo governo federal para reduzir o impacto do petróleo mais caro.

Os números do IPCA foram reunidos pelo Metrópoles a partir dos dados do IBGE, enquanto preços médios de revenda foram comparados com levantamentos semanais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A reportagem estima em R$ 40 bilhões o conjunto das medidas federais anunciadas para os combustíveis.

A elevação não foi uniforme ao longo do ano. O maior salto mensal ocorreu em março, e os descontos produziram recuos em parte do período entre maio e agosto. Ainda assim, a soma até setembro mostra que o alívio fiscal não neutralizou toda a pressão internacional.

O petróleo Brent saiu de uma faixa próxima de US$ 70 antes da guerra no Oriente Médio e chegou a superar US$ 100. Restrições de oferta e de navegação se somaram ao conflito entre Rússia e Ucrânia, encarecendo gasolina, diesel e derivados para importadores e refinarias.

Subsídios amortecem pressão externa

As ações do governo incluíram subvenções por litro, redução temporária de PIS e Cofins e incentivos para diesel, gasolina, etanol e biodiesel. O efeito esperado é diminuir o preço que chegaria ao consumidor caso todo o aumento externo fosse repassado imediatamente.

Isso não significa que o valor na bomba necessariamente caia na mesma proporção do benefício. O preço final também incorpora mistura de biocombustíveis, transporte, margens de distribuição e revenda, tributos estaduais e diferenças regionais de concorrência.

A gasolina comum ilustra o movimento. Segundo a série mencionada pela reportagem, o preço médio nacional estava em R$ 6,28 no fim de fevereiro, chegou a R$ 6,78 e apareceu em R$ 6,54 no levantamento de 10 de outubro. Houve recuo em relação ao pico, mas o nível permaneceu acima do observado antes da escalada do petróleo.

O etanol apresentou comportamento diferente e registrou queda média na comparação usada pela ANP. Essa distinção importa porque o IPCA reúne produtos com trajetórias próprias, e a experiência do motorista varia conforme o combustível escolhido e a região.

Próximo governo herdará desafio

A Agência Internacional de Energia prevê que a oferta apertada de diesel pode persistir durante parte de 2027. Se a projeção se confirmar, o próximo governo terá de decidir quanto do custo externo continuará sendo absorvido pelo Tesouro e quanto chegará ao consumidor.

Subsídios podem evitar uma alta abrupta, com efeito sobre fretes, alimentos e transporte público. Ao mesmo tempo, têm custo fiscal e precisam ser apresentados de forma transparente, com prazo, beneficiários, fonte de recursos e avaliação do impacto efetivo sobre o preço final.

A comparação com 2025 exige cautela: o índice de 4,49% cobre nove meses de 2026, enquanto os 2,30% correspondem ao ano anterior inteiro. O dado, contudo, confirma que a pressão deste ano é mais intensa e que as medidas de contenção não eliminaram a inflação do grupo.

Para o consumidor, a pesquisa semanal da ANP continua sendo a referência mais útil para comparar postos e municípios. Para o governo, o desafio é combinar previsibilidade fiscal, competição na revenda e proteção contra choques sem transformar medidas emergenciais em despesa permanente.

Em resumo

Quanto subiram os combustíveis em 2026?

O grupo acumulou alta de 4,49% no IPCA entre janeiro e setembro.

Qual foi a alta em 2025?

Os combustíveis subiram 2,30% no conjunto do ano passado.

Por que os preços avançaram?

Petróleo mais caro, conflitos internacionais e restrições de oferta pressionaram derivados e importações.

Os subsídios reduziram os preços?

As medidas amorteceram o choque, mas não impediram a alta acumulada do grupo.

Onde comparar valores nas bombas?

A ANP publica levantamentos semanais com preços médios de revenda por combustível e localidade.

Fontes