Tecnologia · 2026-10-09 · Redação Notícia ES

Comércio agêntico avança no Brasil, mas consumidor ainda não confia cegamente na IA

Pesquisa da Global Payments mostra que 72% dos brasileiros já experimentaram ou estão dispostos a usar agentes de IA para comprar, ante 39% em 2025; mas delegar o pagamento ainda desperta receios

Comércio agêntico avança no Brasil, mas consumidor ainda não confia cegamente na IA
Comércio agêntico avança no Brasil, mas consumidor ainda não confia cegamente na IA

Cada vez mais o brasileiro vem perdendo o medo de deixar que a inteligência artificial ajude a fazer suas compras.

Em apenas um ano, a parcela de consumidores

Em apenas um ano, a parcela de consumidores que já experimentou ou diz que aceitaria usar um agente de IA para pesquisar, escolher e até comprar produtos saltou de 39% para 72%, um avanço de 33 pontos percentuais, conforme a última edição da pesquisa Agentic Commerce Report 2026.

O resultado coloca o Brasil na segunda posição entre sete países pesquisados pela empresa de pagamentos Global Payments, ficando atrás apenas da China, onde o índice chega a 86%.

A segunda edição do estudo da Global Payments, feito em conjunto com a consultoria The Lantern, ouviu 8.027 consumidores no Brasil, China, Estados Unidos, Reino Unido, França, Cingapura e Austrália, em maio deste ano.

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No Brasil, 24% dos entrevistados disseram já ter experimentado experiências de compra com agentes de IA , enquanto outros 48% afirmaram estar dispostos a utilizá-las agora ou nos próximos 12 meses.

Portanto, o índice de 72% mede a combinação entre experiência e intenção de uso, e não a parcela de brasileiros que já entrega integralmente suas compras à tecnologia. Ainda assim, o ritmo de crescimento chama a atenção.

O avanço brasileiro de 33 pontos percentuais foi o maior entre os mercados analisados, superando até mesmo o registrado pela China, de 22 pontos, e na França, de 21 pontos.

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Mas há uma diferença entre confiar na tecnologia para encontrar o melhor produto e permitir que ela decida o que comprar e conclua o pagamento.

É justamente nessa fronteira que se concentra o maior desafio do chamado comércio agêntico , modelo em que sistemas de inteligência artificial passam a executar etapas da jornada de compra em nome do consumidor, com diferentes graus de autonomia.

Esse dado revela que está em curso uma transformação que pode alterar profundamente o comércio eletrônico.

Para Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral de Enterprise da Global Payments para a América Latina, o resultado indica que a discussão sobre o comércio agêntico está deixando de ser exclusivamente tecnológica.

A questão agora é compreender quais decisões os consumidores realmente desejam delegar.

“Estamos entrando em uma fase em que a conversa deixa de ser sobre o que a IA é capaz de fazer e passa a ser sobre o que os consumidores estão dispostos a delegar. As pessoas buscam conveniência, mas também querem manter o controle, especialmente na hora de pagar”, afirma.

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A disposição dos brasileiros para experimentar o comércio agêntico é acompanhada por uma melhora na percepção de confiança.

Em uma escala de um a cinco, a nota média atribuída pelos entrevistados brasileiros aos agentes pessoais de IA passou de 3,18, em 2025, para 3,80 neste ano.

Novamente, o país aparece atrás apenas da China, que alcançou 3,97.

Na avaliação de D’Antiochia, o principal motor dessa transformação não é necessariamente a expectativa de encontrar preços mais baixos. É a possibilidade de economizar tempo.

O executivo associa essa disposição à rotina dos consumidores brasileiros, especialmente nas grandes cidades, onde deslocamentos longos e jornadas atribuladas aumentam o interesse por ferramentas capazes de assumir tarefas repetitivas.

A compra recorrente de produtos padronizados, como ração para animais de estimação, é um exemplo.

Em vez de pesquisar preços e prazos de entrega a cada pedido, o consumidor poderia autorizar um agente a identificar a melhor opção e concluir a transação dentro de parâmetros previamente estabelecidos.

Essa automação, porém, não precisa acontecer de uma só vez. D’Antiochia distingue a experiência em que a IA pesquisa produtos, compara condições e apresenta um link para o consumidor concluir a compra daquela em que o agente recebe autorização para realizar toda a operação, inclusive o pagamento.

“A primeira já está mais próxima da rotina dos usuários. A segunda exige um grau adicional de confiança e uma infraestrutura capaz de identificar corretamente a autorização, processar a transação e resolver eventuais problemas”, disse.

Em resumo

O que aconteceu?

Cada vez mais o brasileiro vem perdendo o medo de deixar que a inteligência artificial ajude a fazer suas compras. Em apenas um ano, a parcela de consumidores que já experimentou ou diz que aceitaria usar um agente de IA para pesquisar, escolher e até comprar produtos saltou de 39% para 72%, um avanço de 33 pontos percentuais, conforme a última edição da pes

Qual é o ponto principal?

O resultado coloca o Brasil na segunda posição entre sete países pesquisados pela empresa de pagamentos Global Payments, ficando atrás apenas da China, onde o índice chega a 86%.

Quais são os dados mais importantes?

A segunda edição do estudo da Global Payments, feito em conjunto com a consultoria The Lantern, ouviu 8.027 consumidores no Brasil, China, Estados Unidos, Reino Unido, França, Cingapura e Austrália, em maio deste ano.

Qual é o contexto?

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Quais são os próximos desdobramentos?

No Brasil, 24% dos entrevistados disseram já ter experimentado experiências de compra com agentes de IA , enquanto outros 48% afirmaram estar dispostos a utilizá-las agora ou nos próximos 12 meses.

Fontes