Justiça · 2026-10-03 · Redação Notícia ES

Como a crise do STF 'sequestrou' a eleição brasileira de 2026 - BBC News Brasil

Crise sem precedentes instalada no Supremo, escancarada pelo caso do Banco Master, tornou pública a divisão da Corte, aprofundou conflitos e transbordou para a eleição.

Como a crise do STF 'sequestrou' a eleição brasileira de 2026 - BBC News Brasil
Como a crise do STF 'sequestrou' a eleição brasileira de 2026 - BBC News Brasil

Acompanhe a apuração para presidente e governador em seu Estado e município com o mapa interativo da BBC News Brasil

Acirrada disputa eleitoral deste ano contou com um componente

A acirrada disputa eleitoral deste ano contou com um componente inesperado – e incontrolável – pelas campanhas.

A crise sem precedentes instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) , escancarada pelo caso do Banco Master , tornou pública a divisão da Corte , aprofundou conflitos e transbordou para a eleição.

O racha entre os ministros do Supremo parece ter chegado a um ponto de não retorno. Na última semana antes do primeiro turno, o vai-e-vem de decisões foi em torno das publicações sobre Nossa Senhora Aparecida.

André Mendonça mandou suspender posts nas redes sociais

André Mendonça mandou suspender posts nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro (PL) a um projeto para retirar o título da padroeira do Brasil.

Dois dias depois, Flávio Dino determinou a liberação das publicações, mas sua decisão foi derrubada sem seguida por Luiz Fux .

Depois, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques , decidiu pôr o assunto na pauta de julgamento do plenário virtual.

Mas antes, o cabo de guerra já havia sido em torno das investigações sobre o Banco Master , precedido pela destituição e reintegração , num intervalo de 24 horas, de Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal.

Decisões judiciais do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também foram citadas pela TV Globo como motivo para cancelar o último debate antes do primeiro turno , previsto para a última quinta-feira (01/10).

Em quase todos os lances, chamou a atenção a luta aberta entre os ministros, muitas vezes lançando mão de caminhos de tramitação heterodoxos para fazer valer seus vereditos, numa espécie de vale-tudo criticado por juristas que o presidente da Corte, Edson Fachin, tenta moderar.

Os holofotes, que em um ano normal de eleição estariam sobre os candidatos e suas propostas, voltaram-se para qual será a próxima decisão derrubada ou a próxima notícia envolvendo um ministro do Supremo.

"Essa é uma eleição muito diferente, porque a crise do Master e do Supremo sequestrou a agenda", afirma Marco Antonio Teixeira, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

"Toda agenda política está dependendo de novidades, de escândalos e de revelações que as coordenações de campanha não controlam, então as campanhas estão muito mais reativas do que propositivas", diz ele.

Poucas propostas foram discutidas até o momento entre os presidenciáveis, apesar de 45% dos eleitores afirmarem que elas são o critério mais importante para a definição do voto, segundo pesquisa Quaest divulgada no início de setembro.

Mas com a crise instalada, as propostas ficaram em segundo plano. A ausência de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos debates agravou ainda mais o esvaziamento do debate propositivo.

"Os eleitores mal sabem quais as propostas ou preocupações dos candidatos sobre questões que afligem suas vidas", diz Teixeira. "O debate sumiu da agenda. E obviamente isso cria um certo desânimo."

Sem discussões propositivas, as intenções de voto pouco oscilaram ao longo da campanha, apontando para a cristalização dos eleitores de Lula e Flávio, que lideraram o tempo todo as pesquisas.

No entanto, ao longo dos meses, Lula passou Flávio e Flávio, por sua vez, passou Lula na disputa pelo segundo turno, dificultando as projeções de resultado.

Para Teixeira, a opacidade da disputa é uma das consequências da crise.

Em resumo

O que aconteceu?

Acompanhe a apuração para presidente e governador em seu Estado e município com o mapa interativo da BBC News Brasil

Qual é o ponto principal?

A acirrada disputa eleitoral deste ano contou com um componente inesperado – e incontrolável – pelas campanhas. A crise sem precedentes instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) , escancarada pelo caso do Banco Master , tornou pública a divisão da Corte , aprofundou conflitos e transbordou para a eleição.

Quais são os dados mais importantes?

O racha entre os ministros do Supremo parece ter chegado a um ponto de não retorno. Na última semana antes do primeiro turno, o vai-e-vem de decisões foi em torno das publicações sobre Nossa Senhora Aparecida.

Qual é o contexto?

André Mendonça mandou suspender posts nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro (PL) a um projeto para retirar o título da padroeira do Brasil. Dois dias depois, Flávio Dino determinou a liberação das publicações, mas sua decisão foi derrubada sem seguida por Luiz Fux . Depois, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques , decidiu pôr o assunto na paut

Quais são os próximos desdobramentos?

Mas antes, o cabo de guerra já havia sido em torno das investigações sobre o Banco Master , precedido pela destituição e reintegração , num intervalo de 24 horas, de Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal.

Fontes