Como Alfredo Gaspar, vice de Flávio, usou ligações com Collor e Calheiros para crescer no Congresso - BBC News Brasil
Acusado de desviar recursos via emendas PIX e em meio a uma investigação por estupro de menor, promotor foi figura silenciosa durante campanha com Flávio.

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"A pessoa que tem que ser meu vice
"A pessoa que tem que ser meu vice não dá a mão para criminoso." Foi assim que o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou Alfredo Gaspar , filiado ao seu partido no início deste ano, como companheiro de chapa para a disputa presidencial.
"Eu sou seu soldado. Estarei como para-choque na retaguarda, sempre leal e pronto para te servir", respondeu Gaspar, na ocasião.
Antes de assumir a posição ao lado de Flávio, Gaspar liderava as pesquisas de intenção de voto para uma cadeira no Senado por Alagoas , à frente de Renan Calheiros (MDB).
Com uma carreira de promotor de Justiça consolidada
Com uma carreira de promotor de Justiça consolidada no estado e com laços familiares com tradicionais políticos locais, ele não era a primeira escolha para compor a chapa bolsonarista, que considerou nomes como o de Tereza Cristina (PP) e Renata Abreu (Podemos), na tentativa de aproximar Flávio do eleitorado feminino.
Mas a decisão de Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, prevaleceu.
Alfredo Gaspar tem ligações políticas desde antes de se candidatar a cargos públicos.
Seu pai, Carlos Alberto Pinheiro de Mendonça, foi conselheiro da família Collor de Mello e trabalhou na empresa que ela possuía, as Organizações Arnon de Mello (OAM).
Quando o ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) disputou o governo de Alagoas, em 2010, pelo PTB, Carlos Alberto foi seu coordenador de campanha.
Gaspar também herdou ligações com o poder pelo seu casamento com Adriana Andrade, filha de Moacir Lopes de Andrade, ex-governador de Alagoas entre 1989 e 1991, que assumiu o cargo depois que Collor saiu para concorrer ao Planalto, em 1990.
Advogado, Alfredo Gaspar ingressou no Ministério Público (MP) alagoano em 1996 e atuou em diversas frentes: coordenou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC) e foi presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), vinculado ao Conselho Nacional de Procuradores-Gerais de Justiça.
No GECOC, comandou uma denúncia contra a ex-prefeita da cidade de Piranhas, Mellina Freitas, filha do desembargador Washington Luiz Freitas, acusada de 483 crimes — entre eles, de desviar cerca de R$ 16 milhões em obras públicas.
O GECOC apontou-a como "chefe de quadrilha", mas ela não foi presa à época. Pelo contrário: no fim de 2014, o governador eleito, Renan Filho (MDB), nomeou Mellina como secretária de Cultura.
No mesmo governo, Gaspar assumiu a pasta da Defesa Social, onde ficou até 2016. Três anos depois, quando ela deixou o cargo e perdeu o foro privilegiado, ele, já como procurador-geral do estado, designou o GAECO para retomar a ação anterior.
Ele também denunciou Marcelo Victor, hoje presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, do MDB, junto com Fernando Toledo, ex-presidente da Casa e atual chefe do Tribunal de Contas do Estado, pela acusação de desviar recursos do Legislativo estadual em 2012.
O candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro também disputou a Prefeitura de Maceió pelo MDB, de Renan Calheiros, em 2020.
Foi o mais votado no primeiro turno, com 110.234 votos (28,87%), mas perdeu o segundo para João Henrique Caldas, à época no PSB. Ele acabou de ser eleito para o governo de Alagoas pelo PSDB).
Depois disso, tornou-se secretário de Segurança Pública do estado, cargo do qual saiu para lançar sua candidatura a deputado federal, em 2022.
Eleito naquele pleito, Gaspar ganhou mais protagonismo na Câmara dos Deputados a partir do ano passado, quando assumiu a relatoria da CPMI do INSS.
Em resumo
Acompanhe a apuração para presidente e governador em seu Estado e município com o mapa interativo da BBC News Brasil
"A pessoa que tem que ser meu vice não dá a mão para criminoso." Foi assim que o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou Alfredo Gaspar , filiado ao seu partido no início deste ano, como companheiro de chapa para a disputa presidencial.
"Eu sou seu soldado. Estarei como para-choque na retaguarda, sempre leal e pronto para te servir", respondeu Gaspar, na ocasião.
Antes de assumir a posição ao lado de Flávio, Gaspar liderava as pesquisas de intenção de voto para uma cadeira no Senado por Alagoas , à frente de Renan Calheiros (MDB).
Com uma carreira de promotor de Justiça consolidada no estado e com laços familiares com tradicionais políticos locais, ele não era a primeira escolha para compor a chapa bolsonarista, que considerou nomes como o de Tereza Cristina (PP) e Renata Abreu (Podemos), na tentativa de aproximar Flávio do eleitorado feminino. Mas a decisão de Valdemar Costa Neto, pr