Como eleições nos EUA devem selar destino de Trump e futuro da relação com o Brasil em 4º mandato de Lula
Nas eleições de meio de mandato desta terça, oposição democrata pode conquistar controle do Congresso americano e promover maior escrutínio sobre a agenda de Trump para a América Latina.

Crédito, Pablo PORCIUNCULA e Andrew CABALLERO-REYNOLDS / AFP via Getty Images
O contexto do cenário político
Nesta terça-feira (03/11), nove dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma nova votação será crucial para determinar o futuro das relações do Brasil com seu principal parceiro nas Américas: as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
O pleito vai definir todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de 39 governadores de Estados e territórios e diversos outros cargos estaduais e locais.
Pesquisas de intenção de voto indicam que a oposição democrata tem chances de conquistar maioria na Câmara e, talvez, até no Senado, no que vem sendo descrito como uma "onda azul" (em referência à cor associada ao Partido Democrata).
Informações e repercussões do episódio
Isso representaria uma mudança no cenário político dos EUA, onde atualmente o Partido Republicano, do presidente Donald Trump , controla não apenas o Executivo, mas também as duas Casas do Legislativo, o que permitiu avançar sua agenda sem grande resistência.
Essa agenda inclui desde tarifas a produtos importados de diversos países, entre eles o Brasil, até uma guerra no Irã e ações militares na América Latina, onde o governo Trump tem o objetivo declarado de "restaurar a proeminência americana no hemisfério ocidental".
Desde que Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, a relação com o Brasil atravessa um período de tensão.
Trump impôs um "tarifaço" sobre produtos brasileiros e sanções contra autoridades em resposta ao que descreveu como "perseguição" sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro (PL), o adversário de Lula nesta eleição.
A própria embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, está com o visto revogado desde agosto . Ela continua autorizada a atuar no país, mas caso deixe os EUA, precisaria de novo visto para entrar novamente em território americano.
Durante a campanha, Lula criticou as medidas americanas e apostou no discurso de defesa da soberania.
Diferentemente do que fez em disputas em outros países da América Latina, Trump não se manifestou publicamente em favor de nenhum dos candidatos no Brasil.
Mas uma vitória de Flávio, aliado ideológico do republicano, representaria a consolidação da influência de Trump na região, em meio a uma onda de líderes de direita eleitos recentemente.
Também havia a expectativa de que Flávio adotasse uma política externa mais alinhada à dos EUA.
Lula terá o desafio de superar os atritos diplomáticos com os EUA. Mas o presidente brasileiro poderá iniciar o quarto mandato diante de um Trump enfraquecido e, possivelmente, um Congresso americano disposto a exercer maior escrutínio sobre a agenda do republicano para a América Latina.
"Lula sempre foi muito pragmático nas suas relações com os EUA", diz à BBC News Brasil o historiador Lucas de Souza Martins, pesquisador da Universidade Temple, na Filadélfia.
"Embora tenha utilizado o discurso da soberania como instrumento eleitoral, jamais se furtou de manter aberta a busca por relações através de canais institucionais, bilaterais, com os EUA", observa.
Trump tem pedido aos eleitores que "finjam" que seu nome "está na cédula". Mas as eleições de novembro ocorrem em um momento em que o presidente enfrenta queda acentuada de popularidade , com aprovação de apenas 31% segundo pesquisa recente.
Os americanos estão preocupados com o custo de vida, a inflação e os altos preços dos combustíveis, agravados pela decisão dos EUA de atacar o Irã, em fevereiro. Segundo pesquisas, menos de 30% aprovam a maneira como Trump conduz a economia.
Em resumo
Crédito, Pablo PORCIUNCULA e Andrew CABALLERO-REYNOLDS / AFP via Getty Images
Nesta terça-feira (03/11), nove dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma nova votação será crucial para determinar o futuro das relações do Brasil com seu principal parceiro nas Américas: as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
O pleito vai definir todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil) e 35 das 100 cadeiras do Senado, além de 39 governadores de Estados e territórios e diversos outros cargos estaduais e locais.
Pesquisas de intenção de voto indicam que a oposição democrata tem chances de conquistar maioria na Câmara e, talvez, até no Senado, no que vem sendo descrito como uma "onda azul" (em referência à cor associada ao Partido Democrata).
Isso representaria uma mudança no cenário político dos EUA, onde atualmente o Partido Republicano, do presidente Donald Trump , controla não apenas o Executivo, mas também as duas Casas do Legislativo, o que permitiu avançar sua agenda sem grande resistência.