Economia · 2026-10-11 · Redação Notícia ES

Como um pequeno banco chinês deu a Moscou acesso a Wall Street

O sistema de correspondência bancária ajudou a transformar o dólar na principal moeda do comércio global, mas também abriu brechas exploradas por empresas e intermediários para contornar sanções impostas pelos Estados Unidos

Como um pequeno banco chinês deu a Moscou acesso a Wall Street
Como um pequeno banco chinês deu a Moscou acesso a Wall Street

A conta do Bank of America terminada em 0252 não era o que se poderia imaginar.

Ela não pertencia a uma pessoa nem

Ela não pertencia a uma pessoa nem a uma empresa. Na verdade, os recursos nela depositados não pertenciam a uma única entidade.

A conta reunia dinheiro de inúmeros clientes do Zhejiang Chouzhou Commercial Bank, um banco regional da cidade chinesa de Yiwu, no leste do país.

E entre os clientes do Chouzhou Bank estavam empresas de fachada russas que haviam se infiltrado no sistema financeiro global como parte de um amplo esforço para contornar as sanções ocidentais, segundo uma análise do New York Times baseada em milhares de documentos financeiros e transações bancárias.

Chouzhou oferece os chamados serviços de correspondência bancária,

O Chouzhou oferece os chamados serviços de correspondência bancária, uma prática comum que permite a bancos locais oferecer serviços internacionais em diversas moedas sem precisar abrir agências no exterior.

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O Chouzhou é uma das muitas instituições que encontraram um negócio lucrativo atuando como intermediárias em regiões onde bancos ocidentais relutam em operar.

Frequentemente, bancos menores contratam instituições como o Chouzhou, que possuem contas correspondentes em grandes bancos de Wall Street, criando um efeito de “matriosca” no sistema financeiro que pode mascarar atividades ilícitas.

Desde a invasão da Ucrânia, há quatro anos, encontrar e explorar pontos fracos nesse sistema tornou-se uma parte importante da estratégia russa para contornar restrições econômicas dos Estados Unidos, segundo a análise do Times .

Além de clientes legítimos, mais de 50 empresas que venderam à Rússia eletrônicos restritos, produtos químicos industriais e outros bens e serviços entre janeiro e abril de 2025 mantinham contas no Chouzhou.

Muitos dos documentos analisados pelo Times foram produzidos pela A7, uma empresa de serviços financeiros sediada em Moscou.

Um conjunto de registros da companhia referentes ao início de 2025 foi publicado online por hackers.

Além disso, o jornal obteve e analisou milhares de transações empresariais e outros documentos de bases de dados internas que a empresa havia deixado desprotegidas na internet.

O Chouzhou apareceu repetidamente nos documentos, oferecendo um exemplo detalhado de como os serviços de correspondência bancária podem ser usados para driblar sanções.

Uma dessas empresas de fachada, atuando em nome da A7 no Quirguistão, realizou mais de US$ 10 milhões em compras de produtos restritos durante esse período por meio de um banco que mantinha conta no Chouzhou.

Em outros casos, empresas russas compraram produtos industriais, incluindo retificadoras de precisão que poderiam ser usadas para fabricar componentes de armamentos.

Em janeiro de 2025, mostram documentos de transação, uma empresa russa comprou US$ 73 mil em componentes usados para construir sistemas de guerra eletrônica.

As peças foram fornecidas por um distribuidor de Hong Kong que possui histórico de vendas para compradores russos, segundo dados comerciais.

Para concluir a operação, o First Abu Dhabi Bank, dos Emirados Árabes Unidos, providenciou que os recursos fossem enviados para uma conta do Chouzhou no Bank of America.

Como é padrão em operações de correspondência bancária, o Bank of America recebeu apenas as ordens de transferência, sem detalhes sobre a compra em si.

Isso permitiu que a natureza dos produtos e a identidade dos compradores fossem ocultadas enquanto a transação avançava pelo sistema financeiro internacional.

Em resumo

O que aconteceu?

A conta do Bank of America terminada em 0252 não era o que se poderia imaginar.

Qual é o ponto principal?

Ela não pertencia a uma pessoa nem a uma empresa. Na verdade, os recursos nela depositados não pertenciam a uma única entidade.

Quais são os dados mais importantes?

A conta reunia dinheiro de inúmeros clientes do Zhejiang Chouzhou Commercial Bank, um banco regional da cidade chinesa de Yiwu, no leste do país.

Qual é o contexto?

E entre os clientes do Chouzhou Bank estavam empresas de fachada russas que haviam se infiltrado no sistema financeiro global como parte de um amplo esforço para contornar as sanções ocidentais, segundo uma análise do New York Times baseada em milhares de documentos financeiros e transações bancárias.

Quais são os próximos desdobramentos?

O Chouzhou oferece os chamados serviços de correspondência bancária, uma prática comum que permite a bancos locais oferecer serviços internacionais em diversas moedas sem precisar abrir agências no exterior.

Fontes