Política Nacional · 2026-08-31 · Redação Notícia ES

Ministro de Bukele apresenta modelo de segurança em congresso da Fiesp com candidatos brasileiros

Gustavo Villatoro defendeu o regime de exceção adotado em El Salvador e rebateu acusações de violações de direitos humanos. Alfredo Gaspar, Guilherme Derrite e Sergio Moro participaram do evento.

Ministro de Bukele apresenta modelo de segurança em congresso da Fiesp com candidatos brasileiros
Ministro de Bukele apresenta modelo de segurança em congresso da Fiesp com candidatos brasileiros

O ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, apresentou nesta segunda-feira (31), em São Paulo, o modelo de combate ao crime adotado pelo governo de Nayib Bukele durante um congresso de segurança pública promovido pela Fiesp. O evento reuniu candidatos brasileiros que têm defendido políticas mais duras de enfrentamento ao crime organizado.

Villatoro sustentou que o regime de exceção implantado em El Salvador foi fundamental para recuperar territórios controlados por gangues e reduzir a violência. O ministro também rejeitou as acusações de violações de direitos humanos feitas por organizações internacionais e afirmou que o governo salvadorenho possui respaldo popular.

O modelo de Bukele ganhou espaço no debate eleitoral brasileiro e vem sendo citado por candidatos de direita como referência em segurança pública. A experiência, porém, é alvo de forte controvérsia internacional por causa de prisões em massa, restrições de garantias processuais e denúncias de maus-tratos e mortes sob custódia.

Candidatos brasileiros acompanharam apresentação

Entre os presentes estava o deputado federal Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. Também participaram o candidato ao Senado por São Paulo Guilherme Derrite e o candidato ao governo do Paraná Sergio Moro.

Gaspar afirmou que uma eventual gestão de Flávio pretende tratar facções criminosas como organizações terroristas. A proposta é defendida por setores da direita como forma de ampliar instrumentos legais de combate ao crime organizado, mas exige discussão jurídica sobre enquadramento, competências e efeitos.

Moro anunciou a intenção de construir, caso eleito governador do Paraná, um presídio estadual de segurança máxima inspirado na política salvadorenha. Ele chegou a dizer que pretende batizar a unidade de “El Salvador”, em referência ao modelo defendido por Villatoro.

Regime de exceção divide avaliações

El Salvador adotou, desde 2022, um regime de exceção que ampliou poderes de prisão e investigação durante o combate às gangues. O governo afirma que a estratégia derrubou drasticamente os homicídios e devolveu liberdade de circulação a áreas antes controladas por organizações criminosas.

Organizações como Human Rights Watch e outras entidades internacionais documentaram denúncias de prisões arbitrárias, tortura, violência dentro das prisões e mortes sob custódia. O governo de Bukele contesta a interpretação dessas organizações e sustenta que as medidas foram necessárias para enfrentar um quadro extremo de violência.

A experiência salvadorenha, portanto, combina indicadores de redução da criminalidade com questionamentos graves sobre garantias individuais. A importação de elementos desse modelo para o Brasil exigiria compatibilidade com a Constituição, o sistema federativo, o Judiciário e as regras brasileiras de execução penal.

Segurança pública virou eixo central da campanha

A presença de candidatos no congresso mostra como o tema da segurança pública ocupa posição central na eleição de 2026. Facções criminosas, controle territorial, sistema prisional e integração entre forças policiais aparecem com frequência nos programas de governo e nos discursos de candidatos.

Flávio Bolsonaro já havia se reunido com Villatoro no domingo, também em São Paulo, para discutir políticas contra o crime organizado. Após o encontro, defendeu mudanças no sistema prisional brasileiro e maior rigor penal.

O debate tende a permanecer polarizado. De um lado, candidatos defendem encarceramento mais amplo, presídios de alta segurança e legislação mais dura. De outro, especialistas e organizações de direitos humanos alertam para custos, superlotação, risco de prisões injustas e necessidade de políticas de investigação e inteligência.

Fontes consultadas: CBN, Fiesp, UOL, CNN Brasil e informações públicas sobre o modelo de segurança de El Salvador.

Fontes