Consumidores da zona do euro projetam inflação de 3,1%
Pesquisa do BCE mostra alta da expectativa de inflação para os próximos 12 meses, enquanto projeções para crescimento e emprego pioraram em setembro.

Os consumidores da zona do euro elevaram para 3,1% a expectativa mediana de inflação nos próximos 12 meses em setembro, ante 3% em agosto. O resultado veio acompanhado de piora nas projeções para o crescimento econômico e o desemprego, segundo levantamento divulgado na sexta-feira (23).
A CNN Brasil noticiou os números neste sábado (24), e o comunicado oficial do Banco Central Europeu confirma a variação. A Pesquisa de Expectativas do Consumidor ouviu aproximadamente 19 mil adultos em 11 países da moeda comum, com entrevistas realizadas entre 27 de agosto e 28 de setembro.
Pressão de preços avança
A alta de 0,1 ponto percentual ocorreu no horizonte mais curto, aquele que costuma reagir com maior intensidade ao preço de energia, alimentos e serviços. Nos prazos mais longos, as medianas ficaram estáveis: 2,9% para três anos e 2,5% para cinco anos.
A diferença entre os horizontes importa porque a projeção de um ano indica desconforto imediato, enquanto a estabilidade mais adiante sugere que os entrevistados ainda não esperam uma escalada contínua. Mesmo assim, todas as medidas permanecem acima da meta de 2% perseguida pelo BCE para a inflação da zona do euro.
Os entrevistados também avaliaram que a inflação percebida nos 12 meses anteriores aumentou de 3,5% para 3,6%. A incerteza sobre o próximo ano subiu levemente e continuou acima do nível observado antes do conflito no Oriente Médio, segundo o banco central.
O levantamento registrou diferenças por renda e idade. Pessoas no quinto de menor renda relataram expectativas inflacionárias maiores do que as do grupo mais rico, enquanto os participantes de 18 a 34 anos continuaram projetando taxas menores do que os entrevistados com 35 anos ou mais.
Crescimento e emprego preocupam
O quadro foi mais fraco nas respostas sobre atividade econômica. A expectativa para o crescimento nos 12 meses seguintes caiu de menos 1,2% para menos 1,5%. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego esperada avançou de 11% para 11,3%, sinalizando maior cautela das famílias.
Renda e gastos, porém, não repetiram inteiramente esse pessimismo. A expectativa de crescimento nominal da renda subiu de 1% para 1,1%, e a previsão para expansão do gasto aumentou de 3,6% para 3,7%. Isso mostra famílias vendo preços e despesas avançarem mais rápido do que seus rendimentos.
No mercado imobiliário, os consumidores passaram a esperar alta de 3,5% no preço das moradias em um ano, ante 3,4% em agosto. A projeção para os juros hipotecários permaneceu em 4,9%, enquanto cresceu a parcela líquida de entrevistados que percebeu ou espera condições mais apertadas de acesso ao crédito.
O indicador mede expectativas, não a inflação efetivamente registrada. Ainda assim, ele ajuda o BCE a avaliar se choques temporários estão contaminando decisões de consumo, salários e preços. A próxima rodada, referente a outubro, está prevista para 27 de novembro e mostrará se a elevação de setembro se consolidou.