Contas globais atraem brasileiros e impulsionam investimentos no exterior
Além de pagamentos em viagens, serviços passaram a ser usados para acessar ações, fundos e títulos de renda fixa

A procura de brasileiros por contas globais e investimentos no exterior aumentou após as eleições presidenciais. Em 26 de outubro, a Avenue registrou o maior número de aberturas de contas em 2026.
Dados e contexto do setor
Além disso, nos dois dias seguintes, os novos cadastros ficaram 60% acima da média do ano, enquanto a captação líquida foi de três a quatro vezes superior às médias recentes.
O movimento também ocorreu após o primeiro turno . Em 5 de outubro, as aberturas de contas na plataforma cresceram 130% em relação à média diária do mês, e a captação líquida foi 8,2 vezes maior que em um dia normal.
A expansão das contas globais tem facilitado o acesso dos brasileiros a investimentos no exterior.
Impactos e informações adicionais
Inicialmente usadas para pagar despesas em viagens e fazer compras internacionais, elas passaram a servir também para manter reservas em moeda estrangeira e aplicar em ações, fundos e títulos de renda fixa de outros países.
Para Carlos Ambrósio, sócio e diretor de gestão da Avenue, o perfil de quem procura uma conta internacional se tornou mais diverso.
Se antes a demanda estava concentrada em grandes investidores, hoje inclui desde pessoas de perfil conservador, interessadas em proteção patrimonial, até investidores mais arrojados, que buscam acesso a classes de ativos pouco disponíveis no Brasil .
Segundo ele, a mudança reflete uma percepção maior sobre os riscos de concentrar o patrimônio em reais e em aplicações atreladas ao CDI .
Ambrósio diz que a principal mudança em 2026 não está no interesse pela diversificação internacional, que já vinha crescendo, mas na maneira como os brasileiros fazem essa alocação.
Em vez de movimentações pontuais, motivadas por oscilações mais fortes do câmbio , os aportes têm se tornado mais recorrentes e contínuos, independentemente das variações de curto prazo do dólar .
A expansão aparece tanto nos dados de brasileiros que declaram ativos no exterior quanto nos números das instituições financeiras.
Segundo o Banco Central, 32,4 mil pessoas e empresas declararam ter recursos fora do país em 2025, o maior número desde 2020. Entre as pessoas físicas, foram 28,3 mil declarantes, o maior total desde 2019.
A comparação com anos anteriores, no entanto, exige cautela. Desde 2020, a declaração é obrigatória para quem tem mais de US$ 1 milhão em ativos no exterior . Antes, o limite era de R$ 100 mil, o que impede uma comparação direta com a série histórica anterior.
Os números das instituições financeiras reforçam esse avanço. A Nomad, por exemplo, diz que passou de cerca de 500 mil clientes no fim de 2022 para 3,8 milhões em 2025. Os ativos sob custódia da empresa superaram R$ 8 bilhões.
Segundo Bruno Guarnieri, CRO e sócio da Nomad, a base de clientes da empresa é formada principalmente por pessoas com renda mensal a partir de R$ 15 mil, que procuram alternativas para diversificar o patrimônio e proteger parte dos recursos das oscilações do mercado brasileiro.
Ele afirma que, nos primeiros anos da empresa, predominava um perfil mais conservador, mas que o interesse por aplicações de maior risco vem crescendo.
Samuel Barros, diretor de educação continuada e soluções corporativas do Ibmec, diz que a expansão resulta de uma combinação de fatores, como a busca por diversificação patrimonial, a instabilidade macroeconômica brasileira e a redução das barreiras de acesso aos mercados internacionais.
Segundo o especialista, a popularização de bancos e corretoras digitais facilitou o envio de dinheiro para o exterior e o investimento em ativos estrangeiros.
Antes, essas operações eram mais restritas a clientes de alta renda , com acesso a estruturas de private banking e contas no exterior.
A expansão das plataformas também acompanha a mudança no perfil de uso. Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, diz que cerca de 60% dos recursos mantidos em moeda estrangeira na plataforma são destinados a consumo e pagamentos internacionais, enquanto os outros 40% ficam em reservas ou investimentos.
A base de clientes da empresa no Brasil cresceu cerca de 200% nos últimos 12 meses, mesmo ritmo de avanço registrado no volume de recursos mantidos em moeda estrangeira.
No C6 Bank , o principal uso da conta global ainda é o pagamento de despesas em viagens ao exterior, embora a instituição também ofereça acesso a ações, ETFs e títulos de renda fixa em outros países.
Entre agosto de 2024 e agosto de 2026, a base de contas cresceu 44%, enquanto o volume de recursos mantidos nelas avançou 32%.
Em resumo
A procura de brasileiros por contas globais e investimentos no exterior aumentou após as eleições presidenciais. Em 26 de outubro, a Avenue registrou o maior número de aberturas de contas em 2026.
O movimento também ocorreu após o primeiro turno . Em 5 de outubro, as aberturas de contas na plataforma cresceram 130% em relação à média diária do mês, e a captação líquida foi 8,2 vezes maior que em um dia normal.
A expansão das contas globais tem facilitado o acesso dos brasileiros a investimentos no exterior. Inicialmente usadas para pagar despesas em viagens e fazer compras internacionais, elas passaram a servir também para manter reservas em moeda estrangeira e aplicar em ações, fundos e títulos de renda fixa de outros países.
Para Carlos Ambrósio, sócio e diretor de gestão da Avenue, o perfil de quem procura uma conta internacional se tornou mais diverso.
Segundo ele, a mudança reflete uma percepção maior sobre os riscos de concentrar o patrimônio em reais e em aplicações atreladas ao CDI .