PF localiza contrato de R$ 50 milhões entre empresa de Vorcaro e escritório de Viviane Moraes com negociação de aeronaves
Documento apreendido pela PF prevê honorários de R$ 50 milhões e tratativas para transferência de cotas de jatinho e helicóptero; escritório afirma que proposta não foi concluída e nega segundo contrato efetivamente assinado.
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A Polícia Federal localizou, entre documentos relacionados a Daniel Vorcaro, uma proposta contratual de R$ 50 milhões envolvendo uma empresa ligada ao ex-controlador do Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes. O material também registra tratativas sobre transferência de participações em aeronaves, incluindo um jatinho e um helicóptero.
O documento passou a integrar a investigação sobre as relações comerciais mantidas pelo grupo de Vorcaro com pessoas e escritórios de Brasília. A descoberta ocorreu durante análise de dados e arquivos apreendidos na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Documento previa honorários elevados
Segundo as informações divulgadas, a proposta estabelecia honorários de R$ 50 milhões. O texto teria sido elaborado em contexto distinto do contrato já conhecido entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, que previa pagamentos mensais durante três anos e poderia alcançar valor superior a R$ 100 milhões.
A existência de dois documentos diferentes levou investigadores a examinar se havia contratos paralelos, objetos distintos ou apenas minutas que não chegaram a produzir efeitos. O escritório afirma que a proposta de R$ 50 milhões não foi concluída e nega que tenha existido um segundo contrato efetivamente assinado nesses termos.
Aeronaves aparecem nas tratativas
O material também menciona negociações envolvendo cotas ou participações em um jatinho e um helicóptero. A PF busca entender se essas tratativas faziam parte da remuneração, de operação comercial independente ou de negociação patrimonial sem relação com serviços jurídicos.
Até o momento, a divulgação dos documentos não esclarece se houve transferência efetiva de aeronaves, pagamento correspondente ou alteração de propriedade. Essas informações dependem do cruzamento com registros aeronáuticos, contratos societários e movimentações financeiras.
Escritório contesta interpretação
O Barci de Moraes afirmou que a proposta não se transformou em contrato e que não recebeu os valores mencionados nesse documento. A banca também sustenta que qualquer relação profissional mantida com empresas do grupo Master seguiu procedimentos regulares e que não houve interferência de Alexandre de Moraes.
O escritório acrescenta que consultas internas de compliance foram realizadas para avaliar possíveis impedimentos ligados ao cargo do ministro. A defesa considera incorreta a interpretação de que a existência de minutas ou negociações prove irregularidade.
Investigação continua
A PF analisa o conjunto de contratos ao lado de mensagens, encontros e movimentações financeiras. O objetivo é reconstruir a relação entre Vorcaro, seus negócios e pessoas com influência institucional. O fato de um documento ter sido apreendido não significa que tenha sido executado ou que contenha prática ilícita.
Os elementos serão avaliados pela Procuradoria-Geral da República e pelo Supremo Tribunal Federal. A investigação deverá esclarecer se a proposta teve efeitos concretos, qual era o objeto exato dos serviços e qual a natureza das tratativas envolvendo as aeronaves.