Coordenador do programa de Lula defende proposta de Lara Resende para reduzir juros
José Sérgio Gabrielli propõe mudanças na coordenação das políticas fiscal e monetária e rejeita cortes em programas sociais

O debate sobre os rumos da economia no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou uma nova divergência dentro do campo governista.
Dados e contexto do setor
José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha à reeleição, defendeu mudanças na condução da política monetária e elogiou a proposta do economista André Lara Resende de criar um conselho para coordenar as decisões fiscais e monetárias.
A manifestação foi publicada na segunda-feira (2), em um artigo sobre as contas públicas para 2027, e ocorre em meio à pressão do mercado financeiro por medidas de controle de gastos após a reeleição de Lula.
A posição de Gabrielli contrasta com a adotada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que descartou publicamente a possibilidade de o governo estabelecer limites administrativos para as taxas de juros.
Impactos e informações adicionais
No documento, o ex-presidente da Petrobras argumenta que o principal desafio fiscal brasileiro está no custo de financiamento da dívida pública.
Para ele, concentrar o ajuste no aumento do superávit primário pode comprometer o crescimento econômico sem produzir a redução esperada dos juros.
A fala vem após notícias de possível encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real
A iniciativa de André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com atribuições mais amplas do que as exercidas atualmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O novo órgão teria a função de estabelecer objetivos coordenados para as políticas fiscal e monetária em um horizonte de quatro a cinco anos.
Entre as medidas defendidas por Lara Resende está a redução gradual da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, para 7,5% em um período de 12 meses. Posteriormente, a taxa seria estabilizada em uma faixa de 3% a 5,5%.
A proposta exigiria alterações na estrutura atual de condução da política monetária, na qual o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, define a taxa básica de juros.
Gabrielli considera que a iniciativa merece atenção por buscar uma coordenação mais estreita entre o controle das contas públicas e a política de juros.
Durigan, porém, afirmou que o tabelamento não está em discussão no governo. O ministro também negou a existência de uma reunião marcada entre Lula e Lara Resende para tratar da proposta.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, igualmente afastou a possibilidade de adoção imediata do plano.
Para sustentar sua posição, Gabrielli compara o peso dos juros com o resultado primário das contas públicas.
Segundo os dados apresentados no artigo, o setor público acumulou aproximadamente R$ 1,2 trilhão em despesas com juros nos 12 meses encerrados em agosto, o equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
No mesmo período, o déficit primário do Governo Central correspondeu a 0,62% do PIB.
Na avaliação do economista, a diferença ajuda a explicar por que uma política baseada principalmente no corte de despesas teria efeitos limitados sobre a trajetória da dívida, caso os juros permaneçam elevados.
Gabrielli reconhece, entretanto, que o resultado primário influencia expectativas, câmbio e percepção de risco. Seu argumento é que o governo precisa considerar esses efeitos juntamente com o impacto direto da taxa de juros sobre o endividamento.
Em resumo
O debate sobre os rumos da economia no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou uma nova divergência dentro do campo governista.
A manifestação foi publicada na segunda-feira (2), em um artigo sobre as contas públicas para 2027, e ocorre em meio à pressão do mercado financeiro por medidas de controle de gastos após a reeleição de Lula.
A posição de Gabrielli contrasta com a adotada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que descartou publicamente a possibilidade de o governo estabelecer limites administrativos para as taxas de juros.
No documento, o ex-presidente da Petrobras argumenta que o principal desafio fiscal brasileiro está no custo de financiamento da dívida pública. Para ele, concentrar o ajuste no aumento do superávit primário pode comprometer o crescimento econômico sem produzir a redução esperada dos juros.
A fala vem após notícias de possível encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real