Economia · 2026-11-03 · Redação Notícia ES

Coordenador do programa de Lula defende proposta de Lara Resende para reduzir juros

José Sérgio Gabrielli propõe mudanças na coordenação das políticas fiscal e monetária e rejeita cortes em programas sociais

Coordenador do programa de Lula defende proposta de Lara Resende para reduzir juros
Coordenador do programa de Lula defende proposta de Lara Resende para reduzir juros

O debate sobre os rumos da economia no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou uma nova divergência dentro do campo governista.

Dados e contexto do setor

José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha à reeleição, defendeu mudanças na condução da política monetária e elogiou a proposta do economista André Lara Resende de criar um conselho para coordenar as decisões fiscais e monetárias.

A manifestação foi publicada na segunda-feira (2), em um artigo sobre as contas públicas para 2027, e ocorre em meio à pressão do mercado financeiro por medidas de controle de gastos após a reeleição de Lula.

A posição de Gabrielli contrasta com a adotada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que descartou publicamente a possibilidade de o governo estabelecer limites administrativos para as taxas de juros.

Impactos e informações adicionais

No documento, o ex-presidente da Petrobras argumenta que o principal desafio fiscal brasileiro está no custo de financiamento da dívida pública.

Para ele, concentrar o ajuste no aumento do superávit primário pode comprometer o crescimento econômico sem produzir a redução esperada dos juros.

A fala vem após notícias de possível encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real

A iniciativa de André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com atribuições mais amplas do que as exercidas atualmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O novo órgão teria a função de estabelecer objetivos coordenados para as políticas fiscal e monetária em um horizonte de quatro a cinco anos.

Entre as medidas defendidas por Lara Resende está a redução gradual da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, para 7,5% em um período de 12 meses. Posteriormente, a taxa seria estabilizada em uma faixa de 3% a 5,5%.

A proposta exigiria alterações na estrutura atual de condução da política monetária, na qual o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, define a taxa básica de juros.

Gabrielli considera que a iniciativa merece atenção por buscar uma coordenação mais estreita entre o controle das contas públicas e a política de juros.

Durigan, porém, afirmou que o tabelamento não está em discussão no governo. O ministro também negou a existência de uma reunião marcada entre Lula e Lara Resende para tratar da proposta.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, igualmente afastou a possibilidade de adoção imediata do plano.

Para sustentar sua posição, Gabrielli compara o peso dos juros com o resultado primário das contas públicas.

Segundo os dados apresentados no artigo, o setor público acumulou aproximadamente R$ 1,2 trilhão em despesas com juros nos 12 meses encerrados em agosto, o equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

No mesmo período, o déficit primário do Governo Central correspondeu a 0,62% do PIB.

Na avaliação do economista, a diferença ajuda a explicar por que uma política baseada principalmente no corte de despesas teria efeitos limitados sobre a trajetória da dívida, caso os juros permaneçam elevados.

Gabrielli reconhece, entretanto, que o resultado primário influencia expectativas, câmbio e percepção de risco. Seu argumento é que o governo precisa considerar esses efeitos juntamente com o impacto direto da taxa de juros sobre o endividamento.

Em resumo

O que aconteceu?

O debate sobre os rumos da economia no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou uma nova divergência dentro do campo governista.

Qual é o ponto principal?

A manifestação foi publicada na segunda-feira (2), em um artigo sobre as contas públicas para 2027, e ocorre em meio à pressão do mercado financeiro por medidas de controle de gastos após a reeleição de Lula.

Quais são os dados mais importantes?

A posição de Gabrielli contrasta com a adotada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que descartou publicamente a possibilidade de o governo estabelecer limites administrativos para as taxas de juros.

Qual é o contexto?

No documento, o ex-presidente da Petrobras argumenta que o principal desafio fiscal brasileiro está no custo de financiamento da dívida pública. Para ele, concentrar o ajuste no aumento do superávit primário pode comprometer o crescimento econômico sem produzir a redução esperada dos juros.

Quais são os próximos desdobramentos?

A fala vem após notícias de possível encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real

Fontes