Copom: O que fez o mercado rever a aposta em novos cortes da Selic
Instituições esperam manutenção em 13,75% na reunião desta quarta-feira (4); câmbio, petróleo e inflação de serviços ajudam a explicar a mudança

O Copom (Comitê de Política Monetária) chega à reunião desta semana com a expectativa de interromper os cortes e manter a Selic em 13,75% ao ano.
Dados e contexto do setor
Essa é a avaliação da maioria das instituições para a decisão desta quarta-feira (4), diante de uma combinação que ficou menos favorável à queda dos juros.
Para quem acompanhava as projeções antes da eleição , a mudança chama atenção. O último Boletim Focus ainda mostrava expectativa de Selic em 13,25% no fim de 2026 , com dois cortes de 0,25 ponto percentual, em novembro e dezembro.
Mas há um detalhe importante: a pesquisa divulgada em 26 de outubro reunia respostas até o dia 23, antes do segundo turno das eleições. Depois da votação, a manutenção ganhou destaque nas apostas.
Como interpretar os resultados
Nas opções de Copom da B3, esse cenário tinha probabilidade implícita de 63,1%, segundo levantamento com preços do fechamento de 26 de outubro, um retrato sujeito a mudanças até a decisão do Banco Central.
O r esultado eleitoral ajuda a explicar a revisão, mas o cenário vai além das urnas.
Nos relatórios divulgados na última sexta-feira (30), tanto o Itaú como o Goldman Sachs destacam um ambiente internacional mais difícil , com pressões do petróleo e condições financeiras restritivas.
Isso importa porque energia mais cara e real mais fraco podem elevar custos de produção, transporte e produtos importados.
Na avaliação do Goldman Sachs, os compromissos fiscais assumidos durante a campanha também pioraram as perspectivas para as contas públicas.
A preocupação é com seus efeitos sobre a demanda, o câmbio e as expectativas de inflação, fatores que influenciam o espaço disponível para o Banco Central reduzir os juros.
A economista Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, destaca que a formação da equipe econômica e as sinalizações sobre a condução das contas públicas estão entre os próximos pontos de atenção dos investidores.
Mas há um contraponto relevante: a economia está desacelerando. Itaú e Goldman reconhecem sinais de perda de força da atividade. E, na teoria, menos consumo e investimento ajudam a conter os preços e favorecem cortes.
Então, por que esperar? A resposta para essa pergunta passa por uma desaceleração que ainda convive com um mercado de trabalho resistente e inflação de serviços pressionada.
O Itaú observa que o r esultado melhor que o esperado do IPCA-15 de outubro se concentrou em alimentação e passagens aéreas, enquanto medidas de serviços apresentaram piora. Por isso, o alívio no índice geral não foi suficiente para afastar as preocupações.
Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, espera manutenção em novembro e dezembro. Na sua avaliação, interromper os cortes permitiria ao Copom observar novas informações e reavaliar o cenário.
O horizonte de espera se estende até 2027 na avaliação de Evandro Xavier, head de Consórcio e Crédito da be.smart. Ele trabalha com retomada dos cortes apenas entre o segundo e o terceiro trimestre do próximo ano e Selic em 13% ao fim de 2027.
Mesmo entre quem espera manutenção agora, o passo seguinte permanece em discussão. O Itaú trabalha com o fim do ciclo de cortes. O Goldman Sachs prevê uma pausa e ainda atribui 30% de probabilidade a uma redução de 0,25 ponto nesta reunião.
É por isso que a atenção de quarta-feira estará também no comunicado. Além de definir a Selic, o Copom pode indicar o que precisa melhorar para que o alívio nos juros volte a ganhar espaço, uma sinalização importante para empresas e famílias que aguardam por crédito menos caro.
Em resumo
O Copom (Comitê de Política Monetária) chega à reunião desta semana com a expectativa de interromper os cortes e manter a Selic em 13,75% ao ano. Essa é a avaliação da maioria das instituições para a decisão desta quarta-feira (4), diante de uma combinação que ficou menos favorável à queda dos juros.
Para quem acompanhava as projeções antes da eleição , a mudança chama atenção. O último Boletim Focus ainda mostrava expectativa de Selic em 13,25% no fim de 2026 , com dois cortes de 0,25 ponto percentual, em novembro e dezembro.
Mas há um detalhe importante: a pesquisa divulgada em 26 de outubro reunia respostas até o dia 23, antes do segundo turno das eleições. Depois da votação, a manutenção ganhou destaque nas apostas.
Nas opções de Copom da B3, esse cenário tinha probabilidade implícita de 63,1%, segundo levantamento com preços do fechamento de 26 de outubro, um retrato sujeito a mudanças até a decisão do Banco Central.
O r esultado eleitoral ajuda a explicar a revisão, mas o cenário vai além das urnas. Nos relatórios divulgados na última sexta-feira (30), tanto o Itaú como o Goldman Sachs destacam um ambiente internacional mais difícil , com pressões do petróleo e condições financeiras restritivas.