Economia · 2026-11-05 · Redação Notícia ES

Corte de juro só volta com ajuste fiscal e cenário global melhor, diz Polo Capital

A pausa na Selic vai durar até quando? Economista da Polo Capital explica como inflação, Copom e ajuste fiscal travam os cortes de juros.

Corte de juro só volta com ajuste fiscal e cenário global melhor, diz Polo Capital
Corte de juro só volta com ajuste fiscal e cenário global melhor, diz Polo Capital

O ciclo de afrouxamento da taxa básica de juros no Brasil chegou a uma pausa e não há sinais de que novas reduções ocorram até o fim deste ano. A avaliação é do economista Arnaldo Lima, da Polo Capital.

Dados e contexto do setor

Para ele, a retomada dos cortes dependerá de uma agenda de ajuste fiscal e da dissipação dos riscos geopolíticos globais.

Lima considera que o cenário adverso deve se dissipar ao longo de 2027, chegando a uma taxa Selic terminal de 12%.

Em entrevista, Lima explicou que a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros em 13,75% se ancorou principalmente na piora nas projeções inflacionárias.

Impactos e informações adicionais

“Foi uma sinalização de pausa sem qualquer pista de elevação, mas sobretudo por conta das desancoragem das expectativas”, afirmou o economista.

Ele pontua que, até a reunião anterior do Copom, a inflação estava se acomodando, mas a tendência se inverteu e as medidas subjacentes voltaram a acelerar e ficaram acima do teto da meta.

Embora a atividade econômica doméstica venha apresentando desaceleração, o mercado de trabalho mantém-se resiliente, o que pesou menos na decisão do Banco Central do que o descontrole das expectativas.

Lima argumenta que a atual política monetária já é “bastante restritiva” e que o juro real encontra-se bem acima do patamar neutro.

Ainda assim, não há espaço para reduções no curto prazo. “Enquanto a gente não vê uma acomodação, é difícil ver um cenário de redução de juros para o ano que vem”, avalia o economista.

Ele também descarta que o Copom inicie um movimento de elevação da Selic, mantendo o cenário base de estabilidade até o encerramento do ano.

O fator internacional também ganhou peso na comunicação do Banco Central, passando de um cenário “incerto” para “mais adverso”. Lima atribui essa piora aos choques de oferta gerados pelos conflitos no Oriente Médio e por fenômenos climáticos como o El Niño.

Esses fatores provocam “efeitos de segunda ordem” sobre a inflação corrente. “O Banco Central realmente vai continuar dependendo de dados e não é um cenário que ele está olhando só a volatilidade de curto prazo, mas sobretudo o seu comprometimento com a inflação”, explicou.

Apenas quando esses choques externos se dissiparem, aliados a uma redução nas taxas de juros globais, os países emergentes terão alívio para retomar cortes, avalia.

A decisão de pausar os cortes também serviu para reforçar a credibilidade institucional do Banco Central frente a pressões políticas.

Questionado sobre propostas recentes de alteração do modelo do Copom ou mudança da meta de inflação — atualmente em 3% —, defendidas por economistas como André Lara Resende, Lima foi categórico ao considerar a hipótese “muito pouco provável”.

Para o economista, alterar a meta neste momento geraria ainda mais desconfiança no mercado e exigiria um esforço fiscal muito maior do governo.

Ele destacou a força institucional da autoridade monetária, que atua de forma independente dos ciclos eleitorais e das indicações políticas.

“O CNPJ do Banco Central fala muito mais alto que o CPF dos diretores indicados”, diz.

Se na transição para o governo Lula 3 o mercado operava confiante na política fiscal — em função das discussões sobre o arcabouço — e com dúvidas sobre a política monetária, o cenário hoje se inverteu.

“O mercado está entrando comprado pela decisão de hoje na política monetária e com dúvidas sobre a política fiscal”, analisou Lima.

Para que o país alcance um juro real compatível com o desenvolvimento econômico, o economista aponta a necessidade urgente de revisão dos gastos públicos, uma vez que as despesas obrigatórias consomem mais de 90% do orçamento.

A saída apontada por Lima envolve o aperfeiçoamento das políticas sociais, padronizando critérios de entrada.

Ele cita como exemplo a padronização de programas sociais, que virou o Bolsa Família, e que manteve a proteção social e a garantia de regras mais claras. Para Lima, isso deveria ser feito com os benefícios atuais.

“Isso eventualmente pode gerar uma economia fiscal relevante”, avaliou, citando o passivo com precatórios gerado pelas atuais regras.

O economista também projeta que debates pouco populares precisarão retornar à mesa do governo, incluindo a limitação do Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação], a desvinculação dos pisos de saúde e educação, e medidas do lado da arrecadação, como a taxação de fundos isentos.

Em resumo

O que aconteceu?

O ciclo de afrouxamento da taxa básica de juros no Brasil chegou a uma pausa e não há sinais de que novas reduções ocorram até o fim deste ano. A avaliação é do economista Arnaldo Lima, da Polo Capital. Para ele, a retomada dos cortes dependerá de uma agenda de ajuste fiscal e da dissipação dos riscos geopolíticos globais.

Qual é o ponto principal?

Em entrevista, Lima explicou que a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros em 13,75% se ancorou principalmente na piora nas projeções inflacionárias. “Foi uma sinalização de pausa sem qualquer pista de elevação, mas sobretudo por conta das desancoragem das expectativas”, afirmou o economista.

Quais são os dados mais importantes?

Embora a atividade econômica doméstica venha apresentando desaceleração, o mercado de trabalho mantém-se resiliente, o que pesou menos na decisão do Banco Central do que o descontrole das expectativas. Lima argumenta que a atual política monetária já é “bastante restritiva” e que o juro real encontra-se bem acima do patamar neutro.

Qual é o contexto?

Ainda assim, não há espaço para reduções no curto prazo. “Enquanto a gente não vê uma acomodação, é difícil ver um cenário de redução de juros para o ano que vem”, avalia o economista. Ele também descarta que o Copom inicie um movimento de elevação da Selic, mantendo o cenário base de estabilidade até o encerramento do ano.

Quais são os próximos desdobramentos?

O fator internacional também ganhou peso na comunicação do Banco Central, passando de um cenário “incerto” para “mais adverso”. Lima atribui essa piora aos choques de oferta gerados pelos conflitos no Oriente Médio e por fenômenos climáticos como o El Niño.

Fontes