Corte dos juros proposto por Lara Resende não foi debatido no PT
Presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva diz que legenda nunca tratou do assunto e que “nem há agenda construída para isso”.

Presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva diz que legenda nunca tratou do assunto e que “nem há agenda construída para isso”
Dados e contexto do setor
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e deputado federal eleito por São Paulo, Edinho Silva , 61 anos, disse em entrevista ao Poder360 que a proposta do economista André Lara Resende para reduzir os juros no Brasil nunca foi discutida pela legenda nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Edinho declarou que o partido não tem planos de debater o assunto: “ Essa proposta nunca foi debatida no PT ou com o presidente Lula, nem há agenda construída para isso ”.
Lara Resende, 75 anos, é um dos formuladores do Plano Real e defende mudanças no modelo de política econômica do país.
Impactos e informações adicionais
Para o economista, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em patamar elevado com base em uma “ teoria anacrônica ”.
Ele propõe reformular a condução da política monetária e fiscal, com a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para coordenar as duas áreas.
O órgão definiria parâmetros para a taxa básica de juros, que, segundo o economista, deveria cair gradualmente dos atuais 13,75% para 7,5% ao ano em 12 meses.
A seguir, trechos da entrevista de Edinho Silva ao Poder360 :
Poder360 – O que o PT acha da proposta do economista André Lara Resende para mudar a política monetária e cortar a taxa de juros de maneira mais rápida? Edinho Silva – Essa proposta nunca foi debatida no PT ou com o presidente Lula, nem há agenda construída para isso.
Qual foi o principal acerto e o principal erro do PT na campanha eleitoral de 2026? Uma eleição não se ganha nem se perde por um único fator.
O resultado é consequência de um conjunto de circunstâncias, decisões e ações políticas construídas ao longo do processo eleitoral.
A eleição de 2026 foi extremamente difícil, certamente uma das mais difíceis da história brasileira. Não enfrentamos apenas um candidato.
Enfrentamos, sobretudo, um sentimento de mudança que já estava presente na sociedade antes mesmo do início da campanha.
Esse sentimento não é exclusivo do Brasil. É um fenômeno mundial, resultado de profundas transformações econômicas e sociais.
Desde a crise de 2008, a economia mundial enfrenta dificuldades para retomar um crescimento sustentável.
Ao mesmo tempo, vivemos uma transformação do sistema produtivo talvez comparável, em sua profundidade, à Revolução Industrial.
A incorporação da robótica, da informática e, mais recentemente, da inteligência artificial ao sistema produtivo e ao setor de serviços está transformando profundamente o mundo do trabalho.
Essas mudanças, associadas à financeirização da economia, têm provocado concentração de renda, precarização das relações de trabalho e perda de poder aquisitivo de parcelas importantes da classe trabalhadora, especialmente dos setores médios e daqueles que tradicionalmente dependiam do emprego formal.
Esse processo produz insatisfação e um sentimento generalizado de mudança. As pessoas vão às urnas, votam, mas não percebem melhorias significativas em suas condições de vida.
Isso acaba colocando em xeque a própria democracia. É um sentimento que tem sido apropriado pela direita e pela extrema direita em diversas partes do mundo.
Basta observar as últimas eleições na América Latina, nas quais, majoritariamente, os governos que estavam no poder foram derrotados.
No Brasil, iniciamos o processo pré-eleitoral com esse sentimento já presente na sociedade. Ele se aprofundou com as denúncias envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
E, naturalmente, quem paga o maior preço político diante de um sentimento generalizado de mudança é quem está governando, é o incumbente.
Além disso, enfrentamos a manifestação aberta do governo Trump contra a candidatura do presidente Lula, a atuação das big techs e um enorme poderio econômico.
Basta comparar o volume de recursos arrecadados pela candidatura de Flávio Bolsonaro com as doações recebidas pela campanha do presidente Lula.
Portanto, enfrentamos uma correlação de forças extremamente adversa.
Mesmo nesse cenário, conseguimos construir importantes acertos políticos e organizativos.
Organizamos palanques para o presidente Lula nos 27 Estados da Federação, algo inédito, e constituímos coordenações estaduais de campanha com a participação dos partidos aliados e dos movimentos sociais.
Também realizamos um movimento político decisivo ao impedir que os partidos de centro aderissem à candidatura de Flávio Bolsonaro no 1º turno. Isso evitou que ele tivesse o dobro do nosso tempo de televisão e rádio.
Analisando o resultado do 1º turno, considero que essa foi uma decisão estratégica muito acertada, talvez decisiva para as condições de disputa no segundo turno.
Esse movimento certamente evitou uma margem maior na “abertura da dianteira”.
Do ponto de vista da linha política, também considero correta a decisão de recuperar o legado do presidente Lula. O 3º governo Lula foi o mais exitoso da história brasileira em volume de entregas à população.
Não poderíamos abrir mão desse legado. Era necessário demonstrar o que havia sido realizado e, ao mesmo tempo, sinalizar para o futuro. Quem fez poderia fazer ainda mais.
Em resumo
Presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva diz que legenda nunca tratou do assunto e que “nem há agenda construída para isso”
O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e deputado federal eleito por São Paulo, Edinho Silva , 61 anos, disse em entrevista ao Poder360 que a proposta do economista André Lara Resende para reduzir os juros no Brasil nunca foi discutida pela legenda nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Edinho declarou que o partido não tem planos de debater o assunto: “ Essa proposta nunca foi debatida no PT ou com o presidente Lula, nem há agenda construída para isso ”.
Lara Resende, 75 anos, é um dos formuladores do Plano Real e defende mudanças no modelo de política econômica do país. Para o economista, o Banco Central mantém a taxa básica de juros em patamar elevado com base em uma “ teoria anacrônica ”.
O órgão definiria parâmetros para a taxa básica de juros, que, segundo o economista, deveria cair gradualmente dos atuais 13,75% para 7,5% ao ano em 12 meses.