Economia · 2026-10-19 · Redação Notícia ES

Crédito rural expõe lacunas nos planos dos candidatos

Programas de Lula e Flávio Bolsonaro apresentam caminhos diferentes para financiar o campo, mas ainda não definem volume total, metas nem taxas do próximo Plano Safra.

Crédito rural expõe lacunas nos planos dos candidatos
Crédito rural expõe lacunas nos planos dos candidatos

Os programas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro tratam o crédito rural como peça central da política agrícola, mas deixam sem resposta números decisivos para o produtor. Nenhum dos dois documentos informa quanto pretende destinar ao próximo Plano Safra nem fixa taxas para as linhas oficiais.

O levantamento publicado pela CNN Brasil nesta segunda-feira (19) compara as propostas registradas pelas candidaturas. A apuração foi confrontada com uma análise do Notícias Agrícolas, que examinou os programas entregues à Justiça Eleitoral e confirmou diferenças de prioridade entre os concorrentes.

Flávio relaciona a ampliação do acesso ao financiamento à regularização e à titulação de pequenos imóveis rurais. A lógica apresentada é que a documentação da propriedade oferece garantia jurídica para a contratação de crédito e para novos investimentos. O programa também cita securitização e reorganização de dívidas, além de expansão do seguro rural.

Planos divergem no financiamento

No documento de Lula, o compromisso é ampliar os recursos do crédito rural e buscar juros compatíveis com a rentabilidade da atividade. O programa prioriza máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias destinadas a elevar a produtividade, além de mencionar recursos do mercado de capitais e títulos ligados ao agronegócio.

As propostas também se separam na abordagem da agricultura familiar. Lula prevê continuidade da expansão do Plano Safra específico para esse público, com condições diferenciadas conforme o perfil do produtor e o produto financiado. Alimentos da cesta básica, agroecologia, produção orgânica, inovação e equipamentos adaptados aparecem entre as prioridades.

Flávio, por sua vez, dá mais ênfase à regularização fundiária, ao planejamento das dívidas e à criação de condições para que o título da terra facilite a tomada de recursos. O programa menciona o Plano Safra em conexão com incentivos à biomassa, mas não apresenta uma meta de expansão do crédito oficial para custeio e investimento.

Promessas ainda carecem de números

A ausência de valores impede comparar o alcance fiscal das promessas e a capacidade de atender diferentes perfis de produtores. Também faltam parâmetros para saber quanto seria destinado a custeio, investimento, seguro ou renegociação, e quais faixas de juros seriam consideradas sustentáveis por cada candidatura.

O ponto comum é a tentativa de reduzir riscos e destravar investimentos no campo. Ambos os programas citam seguro rural, irrigação, tecnologia, conectividade e regularização. A divergência está na ênfase: Lula propõe reforçar o sistema público de crédito e diversificar fontes; Flávio associa o financiamento à titulação e à reorganização de passivos.

Até que os candidatos apresentem metas, o eleitor dispõe de diretrizes, não de um orçamento verificável. Para produtores e cooperativas, os dados que faltam são justamente os que determinam o custo do dinheiro, a duração das linhas e a capacidade de financiar uma safra inteira.

Em resumo

O que os candidatos propõem para o crédito rural?

Lula promete ampliar recursos e diversificar fontes, enquanto Flávio vincula o acesso ao crédito à regularização fundiária e à reorganização de dívidas.

Os programas informam o valor do próximo Plano Safra?

Não. Nenhum dos dois documentos fixa o volume total de recursos para o próximo Plano Safra.

Há taxas de juros definidas?

Não. Lula fala em juros compatíveis com a rentabilidade, mas não estabelece percentuais; Flávio também não apresenta taxas.

Qual é a proposta para a agricultura familiar?

O programa de Lula prevê ampliar o crédito específico e diferenciar condições; o de Flávio enfatiza titulação e segurança jurídica da propriedade.

Qual é a principal lacuna dos planos?

Faltam metas quantitativas, divisão dos recursos por finalidade e estimativa do custo fiscal das promessas.

Fontes