Economia · 2026-11-06 · Redação Notícia ES

Crise do Ueno freia procura de brasileiros por negócios no Paraguai, diz Câmara de Comércio

Busca por orientação para abrir empresas no país vizinho havia crescido após eleição de Lula

Crise do Ueno freia procura de brasileiros por negócios no Paraguai, diz Câmara de Comércio
Crise do Ueno freia procura de brasileiros por negócios no Paraguai, diz Câmara de Comércio

Curitiba e São Paulo A crise do Ueno Bank freou o interesse de empresários brasileiros em abrir negócios no Paraguai após um aumento na procura por esse tipo de investimento diante da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), em 25 de outubro, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Paraguai.

Dados e contexto do setor

A entidade registrou uma procura tão intensa por orientação jurídica e contábil na semana seguinte às eleições brasileiras que faltaram horários na agenda de seus consultores para atender interessados em abrir empresas no país vizinho.

Com a intervenção no banco paraguaio, porém, parte dos empresários decidiu esperar antes de avançar com os projetos.

"Foi uma semana bem intensa. E recebemos a notícia com balde de água fria nesta última semana, de que muitos empresários já estão meio receosos de ir para lá", afirma Jeancarlos Araldi, vice-presidente financeiro da Câmara.

Impactos e informações adicionais

O Banco Central do Paraguai submeteu o Ueno Bank a um procedimento de resolução na terça-feira (3), após a identificação de problemas em sua situação financeira e de fraude envolvendo o Grupo Vázquez —controlador do banco.

A medida suspendeu as operações da instituição e deu início ao processo de transferência e pagamento de depósitos a clientes.

A Câmara recebeu dúvidas de brasileiros que mantinham dinheiro no banco, mas Araldi afirma que, entre os associados atendidos pela entidade, a maior parte dos clientes afetados era de pessoas físicas, não de empresas.

Segundo ele, o Ueno era utilizado por brasileiros, especialmente em negócios nas regiões de fronteira, e por paraguaios que recebiam salários e movimentavam valores menores. "É muito difícil uma empresa ter uma conta nele, são mais pessoas físicas", diz.

A entidade montou uma equipe com economistas e advogados para atender associados e outros brasileiros com dúvidas sobre a movimentação dos recursos.

Segundo Araldi, algumas empresas já começaram a receber valores retidos em outras instituições financeiras paraguaias , mas a Câmara não tem um levantamento do total de clientes atendidos.

O movimento de procura por negócios no Paraguai também foi percebido por Luiz Fernando Nóbrega, presidente do Instituto Paulista de Contabilidade.

Ele levou contadores e empresários ao país na semana anterior à crise do Ueno, em uma visita para conhecer o ambiente de negócios e as oportunidades de investimento.

Nóbrega afirma que empresários que já consideravam abrir operações no país decidiram adiar os planos após o episódio. "Muitas pessoas que eu conheço que estariam já dispostas a começar a pensar com mais seriedade pisaram no freio, o que é natural", diz.

O contador avalia que o impacto sobre empresas brasileiras já instaladas no Paraguai tende a ser limitado, embora fornecedores locais possam enfrentar dificuldades se tiverem dinheiro retido no banco.

Uma empresa que exporta a maior parte da produção, por exemplo, pode sofrer efeitos indiretos caso um fornecedor paraguaio não consiga acessar os recursos necessários para entregar mercadorias. "Tem um impacto, mas ele não é tão relevante", afirma.

Nóbrega diz que as empresas visitadas pelo instituto na viagem não demonstraram arrependimento de ter levado parte da operação para o Paraguai. Ele atribui o interesse aos incentivos tributários , aos custos de produção e à proximidade com o Brasil.

"Logo o Paraguai vai voltar a ser uma opção bem forte para ser considerada", afirma.

Um dos atrativos é a Lei de Maquila , voltada a empresas que industrializam produtos no Paraguai para exportação. O país também oferece incentivos à importação de máquinas e equipamentos utilizados na produção.

A decisão de instalar uma operação, porém, exige avaliar custos logísticos e a distância dos clientes.

"Quando a empresa começa a entender a soma desses benefícios, ela tem uma possibilidade bem bacana de uma economia tributária", afirma.

Em resumo

O que aconteceu?

Curitiba e São Paulo A crise do Ueno Bank freou o interesse de empresários brasileiros em abrir negócios no Paraguai após um aumento na procura por esse tipo de investimento diante da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva ( PT ), em 25 de outubro, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Paraguai.

Qual é o ponto principal?

A entidade registrou uma procura tão intensa por orientação jurídica e contábil na semana seguinte às eleições brasileiras que faltaram horários na agenda de seus consultores para atender interessados em abrir empresas no país vizinho.

Quais são os dados mais importantes?

Com a intervenção no banco paraguaio, porém, parte dos empresários decidiu esperar antes de avançar com os projetos.

Qual é o contexto?

"Foi uma semana bem intensa. E recebemos a notícia com balde de água fria nesta última semana, de que muitos empresários já estão meio receosos de ir para lá", afirma Jeancarlos Araldi, vice-presidente financeiro da Câmara.

Quais são os próximos desdobramentos?

O Banco Central do Paraguai submeteu o Ueno Bank a um procedimento de resolução na terça-feira (3), após a identificação de problemas em sua situação financeira e de fraude envolvendo o Grupo Vázquez —controlador do banco. A medida suspendeu as operações da instituição e deu início ao processo de transferência e pagamento de depósitos a clientes.

Fontes