Cury viaja e adia posição no segundo turno
Terceiro colocado na eleição presidencial foi à Europa e ainda não informou se apoiará Lula ou Flávio Bolsonaro na etapa decisiva.

Augusto Cury viajou para a Europa na tarde de segunda-feira (5), um dia depois de terminar o primeiro turno da eleição presidencial em terceiro lugar. Interlocutores do candidato do Avante afirmam que uma definição sobre o segundo turno deve ser apresentada somente depois de seu retorno ao Brasil, previsto para a próxima semana.
O Metrópoles publicou o relato de pessoas próximas ao escritor e registrou que a viagem adiou um possível anúncio. A Agência Brasil confirmou a declaração pública feita por Cury após a votação: ele disse que permaneceria em silêncio, negou ter autorizado qualquer pessoa a falar em seu nome e não indicou apoio a Lula ou Flávio Bolsonaro.
Viagem adia definição pública
Cury recebeu 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos. O resultado o deixou atrás dos dois concorrentes classificados para a etapa decisiva e deu relevância política à posição de seu partido e de seus eleitores nas negociações abertas após o primeiro turno.
Segundo a apuração do Metrópoles, aliados do Avante defendem apoio a Flávio Bolsonaro. A mesma reportagem afirma que a decisão do ex-candidato também dependeria de sinais enviados pelas duas campanhas sobre a incorporação de propostas apresentadas por ele durante a disputa presidencial.
Esse relato de bastidor não equivale a um compromisso. Publicamente, Cury rejeitou a ideia de que terceiros estivessem autorizados a atribuir-lhe apoio e afirmou que pretendia se silenciar sobre a escolha. Até agora, não há declaração gravada ou nota oficial que confirme adesão a uma das candidaturas.
A viagem prolonga esse intervalo entre as articulações partidárias e a manifestação pessoal do candidato. O retorno previsto para a próxima semana ainda deixará alguns dias de campanha antes da votação do segundo turno, marcada para 25 de outubro.
Silêncio mantém votos em disputa
Ao comentar o resultado, Cury pediu que os finalistas considerassem propostas que apresentou na campanha. Entre os temas mencionados ao longo da candidatura estiveram saúde mental, educação e prevenção da violência, áreas que ele pretende manter no debate mesmo sem disputar a etapa final.
O escritor também declarou que pretende deixar a política partidária depois da eleição. Essa intenção reduz a probabilidade de uma negociação por cargo próprio, mas não impede que o Avante discuta alianças nem que apoiadores façam escolhas individuais entre os dois projetos nacionais.
Para Lula e Flávio Bolsonaro, a votação de Cury representa um contingente capaz de influenciar a disputa, embora os votos do primeiro turno não sejam transferidos automaticamente. Cada eleitor volta à urna e pode escolher um dos finalistas, votar em branco ou anular o voto.
A posição do terceiro colocado, quando houver, terá valor de orientação política e simbólica. Até uma manifestação formal, a informação comprovada é que Cury viajou, pretende preservar o silêncio por ora e condicionou qualquer aproximação ao tratamento de suas propostas, enquanto relatos de aliados apontam preferência que ele próprio ainda não confirmou.
Em resumo
Ele embarcou para a Europa na tarde de segunda-feira, 5 de outubro.
Não. Publicamente, ele disse que permaneceria em silêncio e não autorizou terceiros a falar em seu nome.
O candidato obteve 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos.
Interlocutores preveem o retorno para a semana seguinte à viagem.
A votação entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcada para 25 de outubro de 2026.