Política Nacional · 2026-10-16 · Redação Notícia ES

Dados oficiais apontam menor desmatamento na Amazônia desde 1988

Prodes registrou 3.335 km² desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026, queda de 42% e menor taxa da série histórica.

Dados oficiais apontam menor desmatamento na Amazônia desde 1988
Dados oficiais apontam menor desmatamento na Amazônia desde 1988

O desmatamento na Amazônia Legal caiu 42% entre agosto de 2025 e julho de 2026 e atingiu 3.335 quilômetros quadrados, o menor resultado desde o início da medição oficial, em 1988. Os dados do Prodes foram apresentados nesta sexta-feira (16) pelo governo federal e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

A divulgação foi noticiada pelo InfoMoney e confirmada em levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, que detalhou os números do sistema oficial de monitoramento por satélite. O Cerrado também registrou recuo: foram 5.516 quilômetros quadrados de vegetação nativa perdida, 24% menos que no ciclo anterior.

A ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou no Palácio do Planalto que o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva apresentou queda do desmatamento ao longo dos quatro anos. A declaração transformou o balanço ambiental em argumento político na reta final do segundo turno presidencial.

Amazônia atinge mínima histórica

O período anual adotado pelo Prodes vai de 1º de agosto a 31 de julho, acompanhando o ciclo de chuvas e seca na região. A taxa de 3.335 quilômetros quadrados ficou abaixo do antigo menor resultado, de 4.571 quilômetros quadrados em 2012, e corresponde a pouco mais do dobro da área territorial da cidade de São Paulo.

No Cerrado, a redução anual foi de 24% e marcou a terceira queda consecutiva. Embora a área perdida no bioma continue superior à observada na Amazônia, o resultado representa o nível mais baixo da série apresentada pelo governo. Amazônia e Cerrado concentram aproximadamente 85% do desmatamento registrado no país.

O balanço acumulado informado pelo governo aponta redução de 71,2% na Amazônia desde 2023 e de 48,4% no Cerrado ao longo do mesmo período. A Casa Civil estima que 3,25 milhões de hectares deixaram de ser derrubados nos dois biomas, evitando emissões de gases de efeito estufa.

Os números anuais não eliminam oscilações mensais nem outros riscos ambientais. Alertas recentes do sistema Deter apontaram aumento do desmatamento amazônico em determinados meses, enquanto incêndios, garimpo ilegal e ocupação de áreas públicas continuam pressionando a floresta.

Governo atribui queda à fiscalização

A gestão federal relaciona o resultado à retomada dos planos de prevenção e controle, ao reforço da fiscalização e a restrições econômicas aplicadas a áreas desmatadas ilegalmente. O Ibama informou ter realizado cerca de 76 mil ações de fiscalização e aplicado R$ 11,8 bilhões em multas durante o período considerado.

Também foram retomados instrumentos que limitam crédito para propriedades com desmatamento irregular e ampliados recursos de monitoramento. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social financiou projetos para aperfeiçoar a detecção por satélite e o uso de inteligência artificial.

O resultado foi apresentado pelo governo como prova de que a produção agropecuária pode crescer sem aumento proporcional da derrubada. A comparação, porém, exige acompanhamento permanente, porque o Prodes mede a remoção de vegetação e não resolve sozinho problemas como degradação florestal, queimadas ou ocupação ilegal.

Na campanha presidencial, Lula defende a continuidade das políticas ambientais e a meta de zerar o desmatamento líquido até 2030. A oposição questiona a gestão econômica e o alcance das restrições ambientais. O próximo governo terá de demonstrar se a queda anual pode ser mantida sem depender apenas de um ciclo favorável.

A consolidação dos dados do Prodes ainda servirá de referência para metas climáticas, fiscalização e compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. A série histórica permite verificar o resultado de longo prazo, enquanto os alertas de curto prazo orientam operações em áreas sob maior pressão.

Em resumo

Qual foi a taxa de desmatamento da Amazônia?

O Prodes registrou 3.335 quilômetros quadrados desmatados entre agosto de 2025 e julho de 2026.

Quanto o desmatamento caiu na Amazônia?

A redução foi de 42% em relação ao ciclo anual anterior, atingindo o menor resultado desde 1988.

Qual foi o resultado no Cerrado?

O Cerrado perdeu 5.516 quilômetros quadrados de vegetação nativa, queda anual de 24%.

Quem produz os dados oficiais?

Os números são calculados pelo Prodes, sistema de monitoramento por satélite operado pelo Inpe.

O que acontece após a divulgação?

Os dados serão usados em políticas de fiscalização, metas climáticas e acompanhamento das áreas com maior pressão ambiental.

Fontes