Damares defende obstrução no Senado até avanço de pedido contra Moraes
Senadora do Republicanos anunciou articulação para bloquear votações e pressionar pela renúncia ou pelo processamento de impeachment do ministro Alexandre de Moraes após divulgação de relatório da PF.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou nesta terça-feira, 1º de setembro, que pretende articular uma obstrução das votações no Senado como forma de pressionar pela renúncia do ministro Alexandre de Moraes ou pelo avanço de pedidos de impeachment contra ele. A iniciativa foi anunciada depois que novas informações de um relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master vieram a público.
Damares afirmou que pretende procurar gabinetes de outros senadores para ampliar a adesão à estratégia. A obstrução é um instrumento regimental usado por bancadas para dificultar ou impedir votações, por exemplo com retirada de quórum, requerimentos e outros procedimentos previstos nas regras da Casa. Sua eficácia depende do número de parlamentares dispostos a aderir.
Pressão recai sobre a Presidência do Senado
Pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal são apresentados ao Senado, mas a abertura do processo depende de decisão da Presidência da Casa. Por isso, a estratégia anunciada por Damares busca elevar o custo político de manter os requerimentos sem deliberação.
A senadora afirmou que quer o Senado sem votações até que haja uma resposta institucional. A proposta ainda precisa conquistar apoio de outras bancadas para produzir efeito prático. Governistas, por sua vez, criticam tentativas de usar a agenda legislativa para pressionar o Judiciário e defendem que qualquer suspeita seja examinada pelas vias formais.
Relatório da PF alimentou nova ofensiva
A reação política ocorreu após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de material da Polícia Federal que reúne mensagens relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O conteúdo divulgado inclui comunicações feitas às vésperas da prisão do empresário e referências ao ministro Moraes.
Também ganhou repercussão a informação de que metadados de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, indicariam edição em perfil identificado com o nome de Alexandre de Moraes. O escritório afirmou, segundo reportagens publicadas nesta terça, que o documento passou por avaliação de compliance e que não havia impedimento para a contratação.
Impeachment tem rito próprio
Mesmo que a oposição consiga ampliar o número de assinaturas ou de manifestações favoráveis, o impeachment de ministro do STF não ocorre automaticamente. A legislação prevê análise política e jurídica do pedido, além de etapas de admissibilidade e julgamento no Senado.
O simples anúncio de obstrução tampouco determina a paralisação total da Casa. A Presidência pode convocar sessões e tentar formar quórum com senadores que não participem do movimento. Na prática, o peso da estratégia dependerá de quantos parlamentares aderirem e da importância das matérias pautadas.
Crise institucional entra no calendário eleitoral
A movimentação ocorre em plena campanha eleitoral e tende a aumentar a tensão entre Congresso e Supremo. O Conselho Federal da OAB pediu nesta terça-feira uma apuração rigorosa e isenta dos fatos, destacando a necessidade de respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
Damares pretende transformar esse ambiente em pressão concreta dentro do Senado. A próxima etapa será medir se a proposta de obstrução consegue ultrapassar o núcleo mais fiel da oposição e alcançar senadores de centro. Sem essa ampliação, a iniciativa terá principalmente efeito político e eleitoral. Com adesão maior, poderá interferir diretamente na agenda legislativa dos próximos dias.