Política Nacional · 2026-09-01 · Redação Notícia ES

Damares defende obstrução no Senado até avanço de pedido contra Moraes

Senadora do Republicanos anunciou articulação para bloquear votações e pressionar pela renúncia ou pelo processamento de impeachment do ministro Alexandre de Moraes após divulgação de relatório da PF.

Damares defende obstrução no Senado até avanço de pedido contra Moraes
Damares defende obstrução no Senado até avanço de pedido contra Moraes

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) anunciou nesta terça-feira, 1º de setembro, que pretende articular uma obstrução das votações no Senado como forma de pressionar pela renúncia do ministro Alexandre de Moraes ou pelo avanço de pedidos de impeachment contra ele. A iniciativa foi anunciada depois que novas informações de um relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master vieram a público.

Damares afirmou que pretende procurar gabinetes de outros senadores para ampliar a adesão à estratégia. A obstrução é um instrumento regimental usado por bancadas para dificultar ou impedir votações, por exemplo com retirada de quórum, requerimentos e outros procedimentos previstos nas regras da Casa. Sua eficácia depende do número de parlamentares dispostos a aderir.

Pressão recai sobre a Presidência do Senado

Pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal são apresentados ao Senado, mas a abertura do processo depende de decisão da Presidência da Casa. Por isso, a estratégia anunciada por Damares busca elevar o custo político de manter os requerimentos sem deliberação.

A senadora afirmou que quer o Senado sem votações até que haja uma resposta institucional. A proposta ainda precisa conquistar apoio de outras bancadas para produzir efeito prático. Governistas, por sua vez, criticam tentativas de usar a agenda legislativa para pressionar o Judiciário e defendem que qualquer suspeita seja examinada pelas vias formais.

Relatório da PF alimentou nova ofensiva

A reação política ocorreu após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de material da Polícia Federal que reúne mensagens relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O conteúdo divulgado inclui comunicações feitas às vésperas da prisão do empresário e referências ao ministro Moraes.

Também ganhou repercussão a informação de que metadados de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, indicariam edição em perfil identificado com o nome de Alexandre de Moraes. O escritório afirmou, segundo reportagens publicadas nesta terça, que o documento passou por avaliação de compliance e que não havia impedimento para a contratação.

Impeachment tem rito próprio

Mesmo que a oposição consiga ampliar o número de assinaturas ou de manifestações favoráveis, o impeachment de ministro do STF não ocorre automaticamente. A legislação prevê análise política e jurídica do pedido, além de etapas de admissibilidade e julgamento no Senado.

O simples anúncio de obstrução tampouco determina a paralisação total da Casa. A Presidência pode convocar sessões e tentar formar quórum com senadores que não participem do movimento. Na prática, o peso da estratégia dependerá de quantos parlamentares aderirem e da importância das matérias pautadas.

Crise institucional entra no calendário eleitoral

A movimentação ocorre em plena campanha eleitoral e tende a aumentar a tensão entre Congresso e Supremo. O Conselho Federal da OAB pediu nesta terça-feira uma apuração rigorosa e isenta dos fatos, destacando a necessidade de respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.

Damares pretende transformar esse ambiente em pressão concreta dentro do Senado. A próxima etapa será medir se a proposta de obstrução consegue ultrapassar o núcleo mais fiel da oposição e alcançar senadores de centro. Sem essa ampliação, a iniciativa terá principalmente efeito político e eleitoral. Com adesão maior, poderá interferir diretamente na agenda legislativa dos próximos dias.

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