Cidades · 2026-11-08 · Redação Notícia ES

Das ruas às urnas: mobilização das bases foi protagonista da vitória democrata nas eleições nos EUA

Amparados na insatisfação nacional com Trump e mudanças de regras definidas na Justiça, ativistas impulsionaram comparecimento às urnas e deram recado ao meio político

Das ruas às urnas: mobilização das bases foi protagonista da vitória democrata nas eleições nos EUA
Das ruas às urnas: mobilização das bases foi protagonista da vitória democrata nas eleições nos EUA

“Eles querem uma América que é muito pequena para muitos de nós. Nós sabemos que a América é grande o bastante para todos nós”, bradou o senador eleito pelo Michigan, Abdul El-Sayed , minutos depois de ter a vitória confirmada nas eleições de terça-feira.

Dados e informações dos municípios

Muçulmano e filho de imigrantes egípcios, El-Sayed foi um dos nomes de uma campanha onde eleitores de segmentos minoritários e os ativistas foram protagonistas, superando mudanças de regras históricas, ameaças explícitas e bilhões de dólares do lado republicano .

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De acordo com uma análise realizada pelo New York Times, 70% dos eleitores com menos de 30 anos escolheram candidatos democratas nas corridas pela Câmara, um percentual que sobe para 91% entre os negros, patamar acima do registrado nas eleições de 2024 (80%).

Contexto e diferenças locais

Entre as mulheres, 61% escolheram democratas, patamar pouco abaixo do registrado entre os latinos (69%) e asiáticos (71%).

Um apoio que veio da base tradicional do partido e, especialmente, dos independentes, convencidos a apoiar a oposição mesmo sem morrer de amores pelo partido de Barack Obama : segundo números da agência Associated Press, 58% deles votaram nos democratas, no pior desempenho do Partido Republicano no recorte desde 1998.

— Os eleitores conferiram um mandato por mudanças, e é exatamente isso que eles terão. Governaremos com uma política pautada pela coragem, não pela conveniência — disse Gina Hinojosa, eleita a primeira governadora latina do Texas, na madrugada de quarta-feira.

Reproduzindo movimentações tectônicas recentes na política global, a “Onda Azul” não surgiu do topo, mas das bases.

O mainstream foi espectador de marchas de estudantes, campanhas porta a porta, mobilizações comunitárias e ações digitais para incentivar o comparecimento: segundo projeções, cerca de metade dos americanos aptos votaram.

“Com base nos resultados por seção eleitoral em 11 estados, estimamos que cerca de 75% do ganho dos democratas decorreram da diferença na taxa de comparecimento, e cerca de 20%, da mudança de voto”, afirmou o cientista de dados Lenny Bronner, em análise na rede social X.

“De cada 9 eleitores de Trump que não votaram no Partido Republicano, 8 simplesmente não compareceram às urnas.”

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Mas não foi uma campanha só de ideias. No ano passado, por ordem de Donald Trump , estados como Flórida e Texas anunciaram novos mapas eleitorais , redesenhados de forma a favorecer os republicanos em disputas legislativas.

Um processo que envolveu a divisão de distritos com grandes eleitorados negros, historicamente ligados aos democratas, e que serviria, ao menos nos planos trumpistas, para amenizar uma derrota que já se avizinhava.

— O “gerrymandering” (manipulação de distritos eleitorais) afeta de forma desproporcional comunidades não brancas, especialmente no Sul dos Estados Unidos .

Devido à segregação residencial, torna-se fácil agrupar ou fragmentar essas comunidades com o objetivo de obter um determinado efeito político — afirmou Michael Li, advogado sênior no Programa de Democracia do Brennan Center, em entrevista ao portal da instituição.

Em resumo

O que aconteceu?

“Eles querem uma América que é muito pequena para muitos de nós. Nós sabemos que a América é grande o bastante para todos nós”, bradou o senador eleito pelo Michigan, Abdul El-Sayed , minutos depois de ter a vitória confirmada nas eleições de terça-feira.

Qual é o ponto principal?

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Quais são os dados mais importantes?

De acordo com uma análise realizada pelo New York Times, 70% dos eleitores com menos de 30 anos escolheram candidatos democratas nas corridas pela Câmara, um percentual que sobe para 91% entre os negros, patamar acima do registrado nas eleições de 2024 (80%).

Qual é o contexto?

Um apoio que veio da base tradicional do partido e, especialmente, dos independentes, convencidos a apoiar a oposição mesmo sem morrer de amores pelo partido de Barack Obama : segundo números da agência Associated Press, 58% deles votaram nos democratas, no pior desempenho do Partido Republicano no recorte desde 1998.

Quais são os próximos desdobramentos?

— Os eleitores conferiram um mandato por mudanças, e é exatamente isso que eles terão. Governaremos com uma política pautada pela coragem, não pela conveniência — disse Gina Hinojosa, eleita a primeira governadora latina do Texas, na madrugada de quarta-feira.

Fontes