Das tumbas do Egito aos quintais brasileiros – A história da bolinha de gude
Arqueólogos revelam como objetos de pedras e nozes de civilizações antigas viraram tradição mundial e campeonato

Se você já jogou uma bolinha de gude no chão de terra, saiba que repetiu um gesto feito por crianças há milhares de anos.
Essa brincadeira popular no Brasil e no mundo inteiro
Essa brincadeira popular no Brasil e no mundo inteiro começou com esferas feitas de vidro, pedra ou metal.
Aliás, a palavra gude vem do nome dado originalmente às pedrinhas redondas e lisas tiradas diretamente dos leitos dos rios.
As evidências dessa diversão milenar aparecem em diversos achados arqueológicos . No Egito , pesquisadores encontraram bolinhas no túmulo de uma criança que viveu em 3000 a.C.
Em Mohenjo-Daro , na antiga civilização do Vale
Em Mohenjo-Daro , na antiga civilização do Vale do Indo, no Paquistão , os itens datam de 2500 a.C., enquanto na ilha de Creta as peças foram produzidas entre 2000 a.C. e 1700 a.C.
Na Grécia e em Roma , a criatividade não tinha limites. As crianças usavam opções de vidro, pedra, madeira e argila, além de sementes e frutos como pérolas, nozes, avelãs, castanhas e azeitonas. Em solo romano, a prática era inclusive batizada de jogo com nozes .
Geralmente praticado ao ar livre em terreno firme, o jogo tem regras tão variadas quanto as cores das peças. Os jogadores costumam fazer buracos do tamanho de um punho usando o salto do sapato ou desenhar linhas de arremesso para delimitar as jogadas.
Essa diversidade também se reflete no vocabulário popular. Pelo Brasil e pelo mundo, o brinquedo recebe uma lista enorme de nomes, como burca , burquinha , baleba , bila , biloca , bilosca , bolita , boleba , bugalho , bulica , burica , cabiçulinha , carambola , carolo , clica , fubeca , guelas , peca , pilica , pinica , quilica , tilica e ximbra .
A tradição é tão forte que cruzou os séculos e virou competição oficial. A história do torneio de Tinsley Green , na Inglaterra , aparentemente começou em 1588, quando dois homens interessados pela mesma ama de leite decidiram disputa-la em uma competição de bolinha de gude.
Disputado na sua forma atual no pub Greyhound desde 1932, o Campeonato Britânico e Mundial de Bolinha de Gude reúne duas equipes de seis jogadores.
O objetivo é usar uma bolinha maior, chamada tolley , para derrubar o máximo de bolinhas-alvo em uma plataforma cobertas de areia com 1,80 metro de diâmetro, vencendo quem resistir mais tempo na disputa.
Por lá, a temporada do campeonato abre na Quarta-Feira de Cinzas e segue disputada até o meio-dia da Sexta-Feira Santa .
Conheça as origens arqueológicas da bolinha de gude e as regras de uma das brincadeiras mais antigas da humanidade
• Jogo infantil feito com uma placa de argila em espiral e bolinhas de argila de 2500 a.C., encontrado em Mohenjo-Daro, Paquistão.
Em resumo
Se você já jogou uma bolinha de gude no chão de terra, saiba que repetiu um gesto feito por crianças há milhares de anos. Essa brincadeira popular no Brasil e no mundo inteiro começou com esferas feitas de vidro, pedra ou metal. Aliás, a palavra gude vem do nome dado originalmente às pedrinhas redondas e lisas tiradas diretamente dos leitos dos rios.
As evidências dessa diversão milenar aparecem em diversos achados arqueológicos . No Egito , pesquisadores encontraram bolinhas no túmulo de uma criança que viveu em 3000 a.C. Em Mohenjo-Daro , na antiga civilização do Vale do Indo, no Paquistão , os itens datam de 2500 a.C., enquanto na ilha de Creta as peças foram produzidas entre 2000 a.C. e 1700 a.C.
Na Grécia e em Roma , a criatividade não tinha limites. As crianças usavam opções de vidro, pedra, madeira e argila, além de sementes e frutos como pérolas, nozes, avelãs, castanhas e azeitonas. Em solo romano, a prática era inclusive batizada de jogo com nozes .
Geralmente praticado ao ar livre em terreno firme, o jogo tem regras tão variadas quanto as cores das peças. Os jogadores costumam fazer buracos do tamanho de um punho usando o salto do sapato ou desenhar linhas de arremesso para delimitar as jogadas.
Essa diversidade também se reflete no vocabulário popular. Pelo Brasil e pelo mundo, o brinquedo recebe uma lista enorme de nomes, como burca , burquinha , baleba , bila , biloca , bilosca , bolita , boleba , bugalho , bulica , burica , cabiçulinha , carambola , carolo , clica , fubeca , guelas , peca , pilica , pinica , quilica , tilica e ximbra .