Tecnologia · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Data centers de IA pressionam rede elétrica e exigem planejamento antecipado, diz EPE

Empresa de Pesquisa Energética avalia maturidade dos projetos, transmissão, baterias e flexibilidade para atender a expansão da inteligência artificial no Brasil.

Data centers de IA pressionam rede elétrica e exigem planejamento antecipado, diz EPE
Painel do TechGrid 2026 discutiu a infraestrutura física necessária para ampliar a inteligência artificial. Crédito: Axia Energia/Divulgação.

A expansão de sistemas de inteligência artificial no Brasil depende de uma infraestrutura física que vai além de chips e programas: data centers exigem grande volume de eletricidade, conexão confiável e refrigeração contínua. A Empresa de Pesquisa Energética afirmou, em balanço publicado na segunda-feira (21), que o avanço dessas cargas precisa ser antecipado no planejamento da transmissão.

O tema foi apresentado pelo presidente da EPE, Thiago Prado, no TechGrid 2026, realizado no Maravalley, no Rio de Janeiro. O encontro reuniu empresas de energia, tecnologia, telecomunicações e investimento. A empresa pública destacou que novas linhas e subestações demoram a ser implantadas e passam por avaliações técnicas, econômicas e socioambientais.

Modelos de linguagem, geração de imagens e vídeos, bots e agentes de software rodam em centros de processamento que concentram servidores especializados. Quanto maior o treinamento ou o volume de solicitações, maior tende a ser a demanda por computação. A refrigeração necessária para manter os equipamentos dentro da temperatura segura adiciona outra camada de consumo.

A EPE evita tratar todo pedido de conexão como projeto garantido. Segundo a empresa, solicitações podem se repetir ou representar iniciativas ainda sem terreno, financiamento e equipamentos definidos. Projetar a rede a partir de uma soma bruta criaria risco de construir infraestrutura para cargas que não se concretizem.

Maturidade do projeto virou dado essencial

O Portal de Coleta de Dados de Data Centers recebe informações dos empreendedores sob acordos de confidencialidade. A análise procura entender localização, potência, refrigeração, capacidade computacional e cronograma. Esses elementos permitem comparar o pedido com o ritmo real de implantação observado no país e no exterior.

A duplicidade de solicitações é uma preocupação adicional. Reportagem especializada registrou a avaliação da EPE de que diferenças nas exigências para conexão em distribuição e transmissão podem estimular múltiplos pedidos. Sem filtros, distribuidoras e planejadores trabalham com uma demanda aparente maior que a carga provável.

Para desenvolvedores de aplicações, a discussão parece distante, mas afeta preço, latência e disponibilidade dos serviços. Uma região sem capacidade elétrica pode atrasar a instalação de servidores ou obrigar o processamento a permanecer em outros locais. Decisões de infraestrutura influenciam onde empresas conseguem hospedar modelos e dados.

Baterias e flexibilidade podem reduzir pressão

A EPE citou geração no próprio local, armazenamento em baterias e resposta da demanda como opções de flexibilidade. Um data center pode ajustar parte do consumo em horários críticos ou usar energia armazenada, desde que requisitos de segurança e continuidade sejam atendidos. Não se trata de desligar serviços essenciais sem planejamento.

Essas soluções também têm custos e limitações. Baterias precisam de espaço, reposição e regras de operação; geração local depende da fonte e de licenciamento; reduzir carga pode não ser possível durante uma tarefa urgente. A combinação deve ser definida projeto a projeto, com medição que comprove o alívio oferecido ao sistema.

A origem da eletricidade é outro ponto. Contratar energia renovável em termos comerciais não elimina a necessidade de rede disponível no local e no horário do consumo. Para medir impacto ambiental, é preciso considerar construção, equipamentos, água, uso do solo e a energia efetivamente entregue.

Escala da IA será limitada também por obras físicas

O Plano Nacional de Energia 2055 fornece cenários de longo prazo, enquanto temporadas de acesso do Operador Nacional do Sistema ajudam a organizar a entrada de grandes cargas. O desafio é conciliar a velocidade do setor de tecnologia com prazos de transmissão, licenciamento e fabricação de equipamentos elétricos.

Investidores precisam demonstrar maturidade; o poder público precisa publicar critérios claros para conexão e divisão de custos. Se a rede for ampliada para um projeto que não acontece, consumidores podem assumir despesas desnecessárias. Se a expansão atrasar, o país perde investimentos e capacidade computacional.

A promessa de escalar IA no Brasil, portanto, não será decidida apenas por novos modelos. Linhas, subestações, baterias, refrigeração e dados confiáveis sobre projetos compõem a mesma cadeia. A próxima etapa é transformar os pedidos em um mapa de cargas prováveis e definir quais reforços devem começar antes que os gargalos apareçam.

Em resumo

Por que data centers de IA consomem tanta energia?

Eles reúnem grande capacidade computacional e sistemas de refrigeração que operam continuamente.

Qual é o alerta da EPE?

Projetos precisam ser avaliados por maturidade e localização para que pedidos duplicados não distorçam o planejamento da rede.

O que a expansão pode exigir?

Novas linhas, subestações, estudos ambientais e coordenação entre geração, transmissão e grandes consumidores.

Como baterias podem ajudar?

Armazenamento e geração no local podem dar flexibilidade ao consumo e reduzir pressão em determinados horários.

A EPE coleta dados dos projetos?

Sim. A empresa mantém portal de coleta com acordos de confidencialidade para receber informações técnicas.

O que ainda precisa ser definido?

Quais projetos sairão do papel, onde serão conectados e como custos e benefícios serão distribuídos no sistema elétrico.

Fontes