Desconfiança no STF chega a 48% e bate recorde na série do Datafolha
Pesquisa nacional mostra alta de cinco pontos desde março e coloca a desconfiança na Corte acima dos índices da Presidência, do Congresso e dos partidos.

BRASÍLIA. A parcela dos brasileiros que declara não confiar no Supremo Tribunal Federal chegou a 48%, o maior resultado da série histórica do Datafolha, iniciada em 2012. O levantamento, divulgado na noite de sexta-feira, 18 de setembro, mostra avanço de cinco pontos em relação a março, quando 43% manifestavam desconfiança na Corte.
A pesquisa ouviu 2.001 pessoas em 125 municípios entre 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026.
Além dos 48% que dizem não confiar no STF, 35% afirmaram confiar um pouco e 14% disseram confiar muito. Em março, a confiança elevada era declarada por 16%, enquanto 38% respondiam confiar um pouco. A mudança ocorreu durante um período de forte exposição pública da Corte e de embates entre ministros.
STF ultrapassa outras instituições
Pela primeira vez na série, a desconfiança no Supremo ficou numericamente acima da registrada para a Presidência da República, o Congresso Nacional e os partidos políticos. O índice foi de 42% para a Presidência e de 45% tanto para o Congresso quanto para os partidos. A comparação descreve os resultados da rodada atual e deve considerar a margem de erro de dois pontos.
O movimento do STF também destoou do observado em outras instituições avaliadas. Desde março, a desconfiança nos partidos caiu de 52% para 45%. Na imprensa, recuou de 36% para 33%; nas grandes empresas brasileiras, de 26% para 23%; e nas Forças Armadas, de 27% para 25%. Para a Presidência, passou de 43% para 42%, oscilação dentro da margem.
O Poder Judiciário considerado de forma ampla teve resultado diferente daquele atribuído especificamente ao Supremo. A desconfiança no Judiciário passou de 36% para 38%, enquanto 43% disseram confiar um pouco e 17%, confiar muito. A distinção indica que a avaliação da Corte não pode ser automaticamente estendida a todo o sistema de Justiça.
Diferenças por renda, sexo e voto
A desconfiança no STF foi maior entre homens, grupo em que alcançou 54%, ante 43% entre mulheres. Também superou a média entre entrevistados com renda familiar acima de cinco salários mínimos, chegando a 60%, e entre os que classificam o governo Lula como ruim ou péssimo, com 75%.
O recorte por intenção de voto mostrou diferença expressiva. Entre os eleitores que declararam voto em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, 69% disseram não confiar no Supremo. Entre os que afirmaram votar em Lula, o percentual foi de 22%. Esses números revelam associação entre preferência eleitoral e avaliação institucional, mas não permitem concluir, isoladamente, qual fator causa o outro.
Resultados de subgrupos devem ser lidos com cautela porque cada segmento reúne menos entrevistas do que a amostra nacional completa. O Datafolha divulgou a margem de dois pontos para o total da pesquisa; recortes por renda, sexo, avaliação do governo ou intenção de voto podem ter variação estatística maior.
Crise na Corte antecedeu o levantamento
As entrevistas foram feitas na mesma semana em que o plenário do STF discutiu informações apresentadas pelo ministro André Mendonça sobre conversas atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão de 15 de setembro expôs divergências entre integrantes da Corte e teve ampla repercussão política e jornalística.
A coincidência temporal ajuda a contextualizar o resultado, mas a pesquisa não prova que um único episódio tenha provocado a alta. O questionário mede percepções declaradas pelos entrevistados. Para estabelecer causalidade, seriam necessários outros desenhos de pesquisa e acompanhamento de diferentes rodadas ao longo do tempo.
Em outra pergunta do mesmo levantamento, 47% disseram que a crise envolvendo o STF e o Banco Master terá alguma influência na escolha para presidente: 36% apontaram influência grande e 11%, pequena. Outros 49% afirmaram que o caso não terá influência, e 4% não souberam responder.
Impacto político e próximos dados
O desgaste da Corte entrou no discurso eleitoral. Flávio Bolsonaro tem defendido o impeachment de ministros e associado o governo Lula a integrantes do Supremo. Já o levantamento também mostrou que 38% veem Lula como prejudicado pela crise, enquanto 31% apontam Flávio. Esses percentuais medem a percepção do eleitorado, não uma projeção direta de transferência de votos.
O Datafolha informou que a série sobre confiança institucional acompanha o STF desde 2012. Novas rodadas poderão mostrar se o recorde de 48% representa uma mudança duradoura ou uma reação concentrada ao noticiário de setembro. Até lá, a comparação mais segura é com março: aumento de cinco pontos na desconfiança, queda de dois pontos em “confia muito” e recuo de três pontos em “confia um pouco”.
Em resumo
A pesquisa divulgada em 18 de setembro de 2026 mostra que 48% dos entrevistados dizem não confiar no Supremo Tribunal Federal.
Sim. É o maior percentual de desconfiança no STF desde o início da série histórica do Datafolha, em 2012.
Subiu de 43% em março para 48% em setembro de 2026, uma diferença de cinco pontos percentuais.
O Datafolha entrevistou 2.001 pessoas em 125 municípios entre 15 e 17 de setembro de 2026.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança, e o registro no TSE é BR-04029/2026.
Não. O levantamento mede percepções no período e permite comparação com março, mas não estabelece sozinho uma relação causal com um episódio específico.