Datafolha mostra eleitor dividido sobre impacto de Lula ou Flávio
Levantamento mostra expectativas distintas sobre a vida dos brasileiros em caso de vitória de Lula ou Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 9 de outubro, mostra que o eleitorado brasileiro associa expectativas bem diferentes às possíveis vitórias de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O levantamento ouviu 2.520 pessoas e mediu como cada grupo imagina a própria vida depois do segundo turno presidencial.
Os dados foram publicados pelo g1 e confirmados em reportagem da Folha de S.Paulo, que encomendou a pesquisa ao lado da TV Globo. As entrevistas ocorreram em 6 e 7 de outubro, em 153 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Se Lula vencer, 43% dos entrevistados acreditam que a vida ficará igual. Outros 25% esperam melhora, enquanto 30% projetam piora. As respostas indicam que, para a maior parcela do eleitorado, a continuidade do atual governo não produziria uma mudança imediata na rotina pessoal.
No cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, as opiniões ficam mais espalhadas. A expectativa de melhora alcança 36%, a de piora soma 35% e 22% dizem que a vida permaneceria igual. A distância de apenas um ponto entre otimismo e pessimismo está dentro da margem de erro da pesquisa.
Percepções refletem a polarização
As diferenças ficam mais nítidas quando as respostas são separadas pelo voto declarado. Entre os eleitores de Flávio, 72% esperam melhora caso o senador assuma a Presidência. Entre os que apoiam Lula, 50% preveem melhora com a reeleição do petista e 48% acreditam que a situação ficará como está.
O resultado sugere que parte importante dos apoiadores de Lula enxerga a escolha como preservação de políticas atuais, e não necessariamente como promessa de transformação rápida. Já a base de Flávio demonstra expectativa mais intensa de mudança, em sintonia com o discurso adotado pelo candidato na retomada da propaganda eleitoral.
Entre os eleitores de candidatos eliminados no primeiro turno, predomina a avaliação de continuidade. Nesse grupo, 68% dizem que a vida ficaria igual com uma vitória de Lula e 49% dão a mesma resposta diante de uma possível eleição de Flávio. Esse segmento passou a ser disputado pelas duas campanhas desde o início da nova etapa.
Segundo turno entra na reta decisiva
A pesquisa também precisa ser lida ao lado do cenário de intenção de voto. No mesmo levantamento, Flávio aparece com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos, o quadro mantém a disputa apertada a pouco mais de duas semanas da votação marcada para 25 de outubro.
Os percentuais sobre qualidade de vida não funcionam como previsão econômica. Eles registram a percepção dos entrevistados no momento da coleta e ajudam a revelar quais sentimentos cada candidatura mobiliza: continuidade, esperança de melhora ou receio de piora.
Na reta final, a campanha de Flávio tenta transformar o desejo de mudança em voto consolidado, enquanto Lula procura convencer o eleitor de que a manutenção de programas e políticas públicas oferece mais segurança. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-02949/2026.
Em resumo
O Datafolha perguntou como os brasileiros imaginam a própria vida em caso de vitória de Lula ou de Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial.
Quarenta e três por cento acreditam que a vida ficará igual se Lula vencer; 25% esperam melhora e 30% projetam piora.
Nesse cenário, 36% esperam melhora, 35% preveem piora e 22% acreditam que a vida permanecerá igual.
Foram ouvidos 2.520 eleitores em 153 municípios nos dias 6 e 7 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A votação entre Lula e Flávio Bolsonaro está marcada para 25 de outubro de 2026.