Datafolha mostra Lula com 49% de desaprovação pessoal
Levantamento divulgado na reta final do primeiro turno registra 48% de aprovação pessoal ao presidente e avaliação negativa do governo em 41%.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta final do primeiro turno com 49% de desaprovação pessoal e 48% de aprovação, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta semana. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O dado foi apresentado pelo g1 em reportagem publicada neste sábado (3) e confirmado pela Folha de S.Paulo e pelo próprio Datafolha. O levantamento ouviu presencialmente 2.506 eleitores entre 29 de setembro e 1º de outubro, em 152 municípios, e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-08039/2026.
A pesquisa separa duas medidas que costumam aparecer juntas no debate público. Uma pergunta trata da aprovação do trabalho pessoal do presidente; outra pede ao entrevistado que classifique o governo. Nessa segunda avaliação, 41% consideram a gestão ruim ou péssima, 35% a veem como ótima ou boa e 23% respondem regular.
Na rodada anterior, realizada uma semana antes, a avaliação negativa do governo estava em 40%, enquanto a positiva marcava 34%. Como as oscilações foram de um ponto percentual, o instituto descreve um quadro de estabilidade, sem mudança fora da margem de erro.
Avaliação pesa na reta eleitoral
Os números ganham relevância porque Lula disputa a reeleição e a percepção sobre o governo pode influenciar eleitores que ainda não consolidaram o voto. Aprovação administrativa, aprovação pessoal e intenção de voto, porém, não são indicadores equivalentes. Um entrevistado pode criticar a gestão e ainda escolher o presidente diante das alternativas da eleição.
O levantamento também ocorre em um ambiente de disputa apertada. Pesquisa presidencial da mesma rodada mostra Lula e Flávio Bolsonaro como os dois nomes mais competitivos, enquanto a rejeição aos principais campos políticos limita a capacidade de cada campanha de converter avaliação negativa do adversário em apoio automático.
A reportagem do g1 compara o desempenho do terceiro governo Lula com o de outros presidentes que buscaram novo mandato desde a redemocratização. A comparação histórica ajuda a medir o grau de dificuldade enfrentado pelo candidato, mas deve considerar diferenças de método, conjuntura econômica e momento de cada levantamento.
Índices medem perguntas distintas
Na leitura dos resultados, a avaliação de governo reúne as respostas ótimo, bom, regular, ruim e péssimo. Já a aprovação pessoal pergunta diretamente se o eleitor aprova ou desaprova o trabalho do presidente. Por isso, os percentuais de 41% de avaliação negativa e 49% de desaprovação pessoal não podem ser somados nem tratados como a mesma medida.
A amostra foi encomendada pela Folha e pela TV Globo. Com margem de erro de dois pontos, o resultado de 49% a 48% na aprovação pessoal configura empate técnico. A pesquisa indica divisão do eleitorado, não uma vantagem estatisticamente segura de um grupo sobre o outro.
Para as campanhas, a consequência prática é a disputa pelos eleitores que classificam o governo como regular ou que distinguem a gestão da escolha eleitoral. Esse segmento pode decidir o voto por comparação entre candidatos, por identificação partidária ou por temas específicos que ganharam espaço nos últimos dias.
O primeiro turno está marcado para domingo (4). Até a votação, os índices funcionam como retrato do período em que as entrevistas foram feitas. O resultado das urnas será a medida efetiva da capacidade de Lula de transformar aprovação, preferência partidária e avaliação comparativa em votos.
Em resumo
O Datafolha registrou 49% de desaprovação e 48% de aprovação pessoal.
A gestão teve 41% de avaliação negativa, 35% de positiva e 23% de regular.
As entrevistas ocorreram de 29 de setembro a 1º de outubro de 2026.
O levantamento entrevistou presencialmente 2.506 eleitores em 152 municípios.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.