De freezers a hospitais: ataques hackers na Europa expõem riscos no Brasil
Ações acendem alerta sobre vulnerabilidades em equipamentos conectados; especialistas apontam riscos para supermercados, hospitais e indústrias brasileiras

Um segundo ataque hacker atingiu freezers em vários países da Europa no início desta semana. Em alguns casos, as temperaturas foram elevadas até 50ºC, causando perdas de alimentos em supermercados e lojas.
Dados e contexto do setor
O caso também chegou ao setor de saúde. Na França, o Serviço Francês de Sangue (EFS) confirmou que a invasão afetou equipamentos de refrigeração de bolsas de sangue, que atendem mais de 1 mil hospitais no país. O incidente foi identificado no início e não resultou em perdas.
O ataque desta semana segue outro caso registrado na França no mês passado. A polícia afirmou que hackers assumiram o controle de unidades de refrigeração em centenas de supermercados , causando incêndios e perdas de alimentos.
Apesar de afetarem indústrias distintas — varejo, setor alimentício e saúde —, os equipamentos têm algo em comum: todos estão conectados à internet e, consequentemente, sujeitos a ataques cibernéticos.
Impactos e informações adicionais
Os episódios acenderam um alerta sobre os riscos associados à digitalização de equipamentos físicos e à integração de sistemas operacionais críticos à internet.
No Brasil, especialistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que controladores de refrigeração, câmeras de segurança, aparelhos hospitalares, sensores industriais e até guindastes automatizados podem representar portas de entrada para criminosos.
"Qualquer dispositivo conectado à Internet que não tenha proteções suficientes estão mais ameaçados do que nunca", afirma Marcos Simplicio, coordenador do Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores da Escola Politécnica da USP, e ex-coordenador da Comissão Especial de Ciberseguranca da Sociedade Brasileira de Computação (SBC).
Segundo ele, a ameaça ganhou uma nova dimensão com o uso de inteligência artificial para identificar vulnerabilidades e desenvolver mecanismos de exploração.
"Na prática não mudou muito o cenário de vulnerabilidade (as brechas que atacantes podem explorar), mas sim a ameaça (ou seja, a quantidade de esforço colocado em identificar e explorar vulnerabilidades existentes, usando IA)", explica.
Os ataques registrados na Europa mostram como uma invasão digital pode provocar danos físicos e financeiros sem que os criminosos precisem necessariamente acessar informações confidenciais.
Ao assumir o controle de sistemas de refrigeração, os invasores conseguiram alterar os parâmetros de funcionamento dos equipamentos.
Na visão dos especialistas, o mesmo princípio pode ser aplicado a diferentes setores da economia brasileira:
Roberto Toscani, CISO da empresa de cibersegurança Tripla, explica que os equipamentos de refrigeração são particularmente atraentes porque podem ser acessados remotamente por fabricantes, prestadores de serviço e empresas terceirizadas responsáveis pela manutenção.
Outro problema é que esses dispositivos nem sempre recebem atualizações de segurança. Segundo Toscani, é comum encontrar máquinas com softwares desatualizados, autenticação fraca e ausência de ferramentas de monitoramento específicas para identificar comportamentos suspeitos.
"São dispositivos atrativos para criminosos por uma série de motivos: em primeiro lugar, por ficarem acessíveis remotamente para designers, prestadores de serviço e terceirizados darem manutenção e telemetria, muitas vezes diretamente na internet", diz.
O risco também alcança hospitais, onde equipamentos conectados desempenham funções essenciais para o atendimento de pacientes. Refrigeradores de vacinas, medicamentos e bolsas de sangue são exemplos de dispositivos expostos a invasões.
Em resumo
Um segundo ataque hacker atingiu freezers em vários países da Europa no início desta semana. Em alguns casos, as temperaturas foram elevadas até 50ºC, causando perdas de alimentos em supermercados e lojas.
O caso também chegou ao setor de saúde. Na França, o Serviço Francês de Sangue (EFS) confirmou que a invasão afetou equipamentos de refrigeração de bolsas de sangue, que atendem mais de 1 mil hospitais no país. O incidente foi identificado no início e não resultou em perdas.
O ataque desta semana segue outro caso registrado na França no mês passado. A polícia afirmou que hackers assumiram o controle de unidades de refrigeração em centenas de supermercados , causando incêndios e perdas de alimentos.
Apesar de afetarem indústrias distintas — varejo, setor alimentício e saúde —, os equipamentos têm algo em comum: todos estão conectados à internet e, consequentemente, sujeitos a ataques cibernéticos.
Os episódios acenderam um alerta sobre os riscos associados à digitalização de equipamentos físicos e à integração de sistemas operacionais críticos à internet.