Política Nacional · 2026-09-22 · Redação Notícia ES

Debate ao Senado em SP expõe disputa na direita e embate sobre o STF

Salles e André do Prado trocaram acusações, enquanto Derrite, Tebet e Marina discutiram segurança, violência contra mulheres e caso Master.

Debate ao Senado em SP expõe disputa na direita e embate sobre o STF
Cinco candidatos ao Senado por São Paulo participaram do debate promovido por Folha e UOL. Crédito: Reprodução/Folha-UOL.

Cinco candidatos concentraram confronto sobre alianças

O debate de Folha e UOL com candidatos ao Senado por São Paulo, realizado na segunda-feira, 21 de setembro, expôs uma competição direta pelo eleitorado de direita e confrontos entre governo e oposição. Participaram Marina Silva, da Rede; Simone Tebet, do PSB; André do Prado, do PL; Guilherme Derrite, do PP; e Ricardo Salles, do Novo. Os cinco foram convidados por aparecerem entre os mais bem colocados nas pesquisas.

Salles e Prado trocaram acusações desde a abertura. Prado questionou a postura do adversário diante do ministro Alexandre de Moraes e relacionou o tema a processo em que Salles é réu no Supremo. Salles respondeu atacando alianças do PL no Congresso e disse que o caso sobre exploração ilegal de madeira é uma “farsa”. A condição processual e os pedidos das partes não substituem a decisão do tribunal.

Prado também foi questionado sobre relações com Milton Leite, ex-presidente da Câmara paulistana preso em investigação que apura suspeita de participação do PCC no transporte. O candidato afirmou que o contato sempre foi institucional e negou relação pessoal. A investigação está em curso, e menções ou vínculos políticos não significam participação em crime.

Segurança e violência contra mulheres dominaram blocos

Tebet e Derrite protagonizaram o confronto mais duro sobre segurança pública. Ela criticou a gestão do ex-secretário paulista, mencionou estrutura da Polícia Civil e questionou o projeto sobre facções relatado por ele. Derrite rebateu associando Tebet ao governo Lula e defendeu sua atuação. Afirmações sobre histórico funcional, contratos e resultados precisam ser confrontadas com documentos e dados oficiais.

Marina e Tebet acusaram adversários de machismo depois de perguntas e comentários sobre violência contra mulheres e origem estadual das candidatas. Prado tentou se retratar e disse não querer responsabilizá-las pelos índices. Salles classificou a reação como vitimização. O episódio deslocou o debate da comparação de políticas públicas para a forma como mulheres são tratadas na disputa eleitoral.

O Senado terá duas vagas em disputa por estado em 2026. Isso estimula alianças informais e pedidos de “segundo voto”, mas cada candidatura é independente. Derrite e Salles se aproximaram em críticas a Marina; Marina e Tebet fizeram intervenções convergentes em defesa de maior participação feminina e de mudanças no Judiciário. Prado e Salles, embora no campo oposicionista, disputaram quem representa a direita.

A atuação do STF apareceu em diferentes momentos. Marina disse admitir responsabilização de ministros quando houver culpa comprovada e devido processo; candidatos de direita cobraram posições mais duras. Senadores podem processar e julgar ministros do Supremo em crimes de responsabilidade, mas a abertura de procedimento depende da Presidência do Senado e das regras constitucionais.

Caso Master e ambiente também entraram na disputa

O caso Banco Master foi usado para ataques cruzados. Tebet citou relações políticas de dirigentes partidários e contratos de crédito; Derrite respondeu que terceiros devem prestar esclarecimentos e negou responsabilidade pessoal. Sem documentos analisados em contexto, associação partidária não comprova participação em irregularidade. Investigações e processos têm de individualizar condutas.

No tema ambiental, Salles e Derrite questionaram Marina sobre incêndios e desmatamento. Ela atribuiu parte dos incêndios de 2024 a condições climáticas excepcionais e acusou os adversários de negar a mudança do clima. Dados do Deter, do Inpe, indicaram queda recente nos alertas de desmatamento amazônico, mas séries distintas não devem ser confundidas com focos de incêndio.

As candidaturas ainda precisam transformar ataques em propostas verificáveis. Segurança, relação entre Poderes, integridade pública e meio ambiente são competências que chegam ao Senado por leis, orçamento, sabatinas e fiscalização. O eleitor deve comparar planos, patrimônio, receitas, despesas e situação dos registros no DivulgaCandContas, além de checar o contexto das acusações.

A próxima etapa será acompanhar novos debates, pesquisas registradas e eventuais direitos de resposta. Como São Paulo elegerá dois senadores, o resultado pode combinar candidatos de campos diferentes. A temperatura do encontro mostrou que a competição dentro da direita será tão relevante quanto a polarização com candidatas governistas nas semanas finais da campanha.

Em resumo

Quem participou do debate?

Marina Silva, Simone Tebet, André do Prado, Guilherme Derrite e Ricardo Salles.

Quais temas dominaram?

STF, segurança pública, violência contra mulheres, caso Master e meio ambiente.

Quantos senadores São Paulo elegerá?

Dois, porque em 2026 ocorre a renovação de dois terços do Senado.

Houve acusações de machismo?

Sim. Marina e Tebet criticaram a forma de perguntas e ataques feitos por adversários.

O STF pode ser fiscalizado pelo Senado?

Sim. A Casa sabatina autoridades e julga ministros do STF em crimes de responsabilidade, conforme a Constituição.

Onde consultar dados dos candidatos?

No sistema DivulgaCandContas do TSE.

Fontes