Debate ao Senado em SP concentra embates na direita e leva STF ao centro da disputa
Salles e André do Prado trocaram acusações sobre STF e alianças; Marina, Tebet e Derrite também protagonizaram confrontos.

O debate promovido por Folha de S.Paulo e UOL com candidatos ao Senado por São Paulo começou nesta segunda-feira, 21 de setembro, com um confronto prolongado entre Ricardo Salles e André do Prado sobre Supremo Tribunal Federal, alianças partidárias e a representação do eleitorado de direita. Marina Silva, Simone Tebet e Guilherme Derrite também participaram do encontro, marcado por cobranças sobre segurança pública, feminicídio e relações políticas.
Salles questionou Prado sobre a disposição de enfrentar o ministro Alexandre de Moraes e criticou vínculos do candidato com dirigentes do Congresso. Prado respondeu atacando a passagem de Salles pelo governo federal e a consistência de suas posições. A troca ocupou parcela expressiva do início do programa e transformou a competição dentro do campo conservador no principal eixo da abertura.
Segundo os relatos de Folha e UOL, os dois candidatos elevaram o tom e usaram expressões pessoais para contestar a autenticidade um do outro. A divergência não produziu uma proposta legislativa detalhada, mas expôs a disputa por uma das duas vagas paulistas ao Senado. Em 2026, cada estado elege dois senadores, o que permite ao eleitor escolher nomes diferentes e aumenta a competição entre candidaturas de campos próximos.
STF e impeachment entram no centro
A atuação do Supremo apareceu como tema central. Salles e Prado foram cobrados sobre o papel do Senado diante da Corte, enquanto Marina Silva também respondeu sobre a possibilidade de impeachment de ministro. A posição comum registrada em parte das respostas foi a necessidade de crime de responsabilidade e respeito ao devido processo, embora os candidatos tenham divergido no tom e na avaliação política.
A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo em crimes de responsabilidade. Isso não significa que um senador possa afastar um ministro por decisão individual. A abertura e a tramitação de um processo dependem dos requisitos legais, da condução institucional e de deliberações da Casa. Promessas de campanha precisam ser avaliadas à luz desses limites.
O debate também teve embates entre Simone Tebet e Guilherme Derrite sobre segurança pública e o caso envolvendo o Banco Master. Derrite negou ter mantido conversa com Daniel Vorcaro, citado nas reportagens sobre o banco. Acusações feitas em debate eleitoral devem ser tratadas como alegações das candidaturas, não como fatos comprovados, salvo quando sustentadas por documentos ou decisões oficiais.
Feminicídio e segurança ampliam confronto
Em outro momento, Marina defendeu Tebet durante discussão sobre feminicídio, enquanto Salles criticou o que chamou de vitimização. O tema levou o encontro além da agenda institucional e abriu espaço para avaliar políticas concretas de prevenção, investigação e proteção de mulheres. A retórica, porém, voltou a dominar parte da cobertura, com os veículos destacando frases de efeito e confrontos pessoais.
Esse enquadramento merece atenção. Folha e UOL escolheram como manchete inicial o choque entre Salles e Prado, ambos disputando espaço à direita. A opção é justificável pela intensidade e duração do confronto, mas também reduz a visibilidade de respostas programáticas dadas pelos demais participantes. Para o eleitor, o melhor critério é comparar não apenas quem venceu uma troca verbal, mas quais medidas cada candidatura propõe e se elas cabem nas atribuições do Senado.
Pesquisa Datafolha citada pela Folha indicava Marina Silva e Simone Tebet com 13% cada, André do Prado com 11%, Guilherme Derrite com 10% e Ricardo Salles com 5%, considerando a rodada divulgada antes do debate. A margem informada era de dois pontos percentuais. Como há duas vagas e a campanha está em andamento, o levantamento representa um retrato do período, não uma previsão de resultado.
O que o eleitor deve observar
Os próximos debates deverão pressionar os candidatos a sair das acusações genéricas. No tema do Supremo, é necessário esclarecer quais critérios jurídicos usariam para admitir pedidos de impeachment e como preservariam a independência entre os Poderes. Em segurança, devem detalhar projetos federais, financiamento e cooperação com estados. No combate ao feminicídio, importa indicar metas, orçamento e mecanismos de execução.
A disputa paulista tem impacto nacional porque o Senado vota indicações para tribunais e agências, aprova leis, fiscaliza o Executivo e decide matérias constitucionais. O encontro de Folha e UOL mostrou que a eleição será atravessada pela polarização e por conflitos internos nas próprias coalizões. O próximo passo é verificar se os candidatos transformarão essas diferenças em propostas mensuráveis ou permanecerão concentrados na disputa por identidade e lealdade política.
Em resumo
Ricardo Salles, André do Prado, Marina Silva, Simone Tebet e Guilherme Derrite participaram do encontro de Folha e UOL.
A abertura foi dominada pela troca entre Salles e Prado sobre STF, alianças e representação da direita.
Sim, nos casos de crime de responsabilidade e conforme o procedimento previsto na Constituição e na lei.
Sim. Houve cobranças sobre políticas de segurança, feminicídio e alegações relacionadas ao Banco Master.
Marina Silva e Simone Tebet apareciam com 13% cada no levantamento mencionado pela Folha.
São Paulo elege dois senadores em 2026.