Economia · 2026-11-04 · Redação Notícia ES

Decisão do Copom vem da incerteza das contas públicas, diz Rafaela Vitória

Ao CNN Prime Time, a economista-chefe do Inter avalia que falta de sinalização fiscal influenciou decisão do Copom de manter a Selic estável

Decisão do Copom vem da incerteza das contas públicas, diz Rafaela Vitória
Decisão do Copom vem da incerteza das contas públicas, diz Rafaela Vitória

A ausência de diretrizes claras sobre o equilíbrio fiscal para o próximo mandato foi o principal fator por trás da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa básica de juros estável em 13,75% .

Dados e contexto do setor

A avaliação é de Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, que analisou o cenário econômico após o anúncio da manutenção da Selic ao CNN Prime Time .

Segundo Rafaela Vitória, a incerteza decorre do desconhecimento sobre como estarão as contas públicas no próximo ano.

"O principal fator para a decisão hoje do Copom foi, de fato, essa incerteza maior", afirmou. "E essa incerteza vem desse desconhecimento que a gente tem hoje de como vão estar as contas públicas no próximo ano", avaliou a economista-chefe do Inter.

Impactos e informações adicionais

A economista destacou que a campanha eleitoral foi marcada por promessas de aumento de gastos e que o crescimento das despesas públicas deve fechar o ano acima de 6%, superando a inflação.

"A média desse período de quatro anos foi próximo a esse montante, 6% de crescimento real dos gastos ao ano", disse.

Esse patamar elevado, segundo ela, vem pressionando a inflação e deteriorando as expectativas, especialmente nas últimas duas semanas.

Rafaela Vitória alertou que, caso o ritmo de crescimento dos gastos se mantenha, a inflação poderá acelerar de forma significativa, dificultando a atuação do Banco Central.

Diante da incerteza, o Banco Central optou por pausar o ciclo e aguardar as diretrizes da política fiscal para 2027.

"Na dúvida, o Banco Central pausou e vai aguardar as diretrizes da política fiscal para 2027", explicou.

A economista apontou que há uma série de choques inflacionários previstos para o início do ano, como o aumento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) com alíquota acima do esperado, o impacto da escala 6x1 nos preços de serviços, uma eventual retirada de subsídios da gasolina e efeitos remanescentes do El Niño.

Em um ambiente de mais gastos, esses choques poderiam resultar em uma inflação mais alta e prolongada ao longo de 2027.

Sobre um eventual cenário de estagflação — combinação de PIB (Produto Interno Bruto) fraco com inflação elevada —, Rafaela Vitória foi cautelosa.

"Ainda não. O que a gente tem hoje é um cenário de atividade que perde força", disse.

Ela ressaltou que esse risco mais grave se materializaria caso o governo optasse por ampliar ainda mais os gastos, pressionando o câmbio acima de R$ 6 e gerando um processo inflacionário mais recorrente.

Por ora, o cenário base é de desaceleração da atividade econômica, com crédito mais caro e escasso limitando o consumo das famílias.

Questionada sobre se o anúncio do nome do novo ministro da Fazenda ajudaria o mercado, Rafaela Vitória foi direta: mais do que o nome em si, o que importa é a mensagem transmitida.

"Não só a decisão de um novo nome com credibilidade, mas também de uma direção do que esperar para o fiscal para o próximo ano", afirmou.

Em resumo

O que aconteceu?

A ausência de diretrizes claras sobre o equilíbrio fiscal para o próximo mandato foi o principal fator por trás da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa básica de juros estável em 13,75% .

Qual é o ponto principal?

Segundo Rafaela Vitória, a incerteza decorre do desconhecimento sobre como estarão as contas públicas no próximo ano.

Quais são os dados mais importantes?

"O principal fator para a decisão hoje do Copom foi, de fato, essa incerteza maior", afirmou. "E essa incerteza vem desse desconhecimento que a gente tem hoje de como vão estar as contas públicas no próximo ano", avaliou a economista-chefe do Inter.

Qual é o contexto?

A economista destacou que a campanha eleitoral foi marcada por promessas de aumento de gastos e que o crescimento das despesas públicas deve fechar o ano acima de 6%, superando a inflação.

Quais são os próximos desdobramentos?

"A média desse período de quatro anos foi próximo a esse montante, 6% de crescimento real dos gastos ao ano", disse.

Fontes