Defesa contesta versão da PF sobre sala-cofre
Willer Tomaz afirma que estrutura em hangar atende operações legais de transporte de valores; investigação ainda busca esclarecer o uso do espaço.

O advogado Willer Tomaz afirmou nesta quinta-feira (22) que a estrutura encontrada pela Polícia Federal em um hangar no Aeroporto de Brasília é uma sala-cofre de uso comercial. Segundo ele, o espaço atende uma empresa de táxi aéreo que presta serviços a transportadoras de valores.
O Poder360 publicou o vídeo em que Tomaz rebateu a descrição de “sala secreta” e negou qualquer ligação do ambiente com Flávio Bolsonaro. Em confirmação adicional, o Jornal Nacional mostrou que a PF localizou a sala atrás de um painel de madeira, e a Folha de S.Paulo registrou tanto os elementos do relatório policial quanto a versão apresentada pela defesa.
A diligência ocorreu em um hangar utilizado por empresas de aviação ligadas ao advogado. Conforme a apuração divulgada pelos dois veículos, os agentes encontraram uma porta metálica, uma máquina de contar cédulas, malas vazias e prateleiras, mas não localizaram dinheiro em espécie no local.
Versões divergem sobre finalidade
A Polícia Federal tratou a configuração do espaço como elemento que precisa ser investigado. O relatório citado pela imprensa também pediu perícia para identificar vestígios e usuários, diante da hipótese de que valores pudessem ter sido retirados antes do retorno dos agentes ao hangar.
Tomaz sustenta que os equipamentos são compatíveis com operações regulares de custódia e transporte de numerário. Ele afirmou que o ambiente segue protocolos de segurança e que máquinas contadoras, malotes e salas protegidas não constituem, por si sós, prova de irregularidade.
O advogado também apresentou, no vídeo, trechos de contratos que atribui a empresas de transporte de valores. As partes sensíveis dos documentos apareceram ocultadas, e a autenticidade, o alcance e a relação desses contratos com o espaço ainda dependem de verificação pelas autoridades responsáveis.
Investigação segue sem conclusão
A descoberta ocorreu no âmbito de diligências relacionadas à Operação Sem Desconto. A PF analisa materiais recolhidos, registros de passageiros e diários de bordo das aeronaves, segundo reportagens publicadas após a ação.
Tomaz é citado em apurações que também alcançam relações empresariais atribuídas a Flávio Bolsonaro, mas ele nega que a sala-cofre tenha vínculo com o senador. A existência de investigação não equivale a condenação, e as versões apresentadas ainda serão confrontadas com perícias e documentos.
Até esta quinta-feira, o dado objetivo é que a sala e os equipamentos foram encontrados sem dinheiro no interior, enquanto defesa e investigadores divergem sobre sua finalidade. A conclusão dependerá do exame técnico do local e do material apreendido, além de eventuais decisões judiciais sobre os próximos atos do caso.
Em resumo
Que o espaço é uma sala-cofre comercial usada por empresa de táxi aéreo em serviços para transportadoras de valores.
Uma sala atrás de um painel, máquina de contar cédulas, malas vazias e prateleiras, sem dinheiro em espécie.
A PF quer esclarecer a finalidade, identificar usuários e confrontar a estrutura com outros elementos recolhidos.
Tomaz negou esse vínculo; a relação não foi estabelecida de forma conclusiva nas informações divulgadas.
Não. A investigação e as perícias prosseguem, sem condenação decorrente desse achado.