Justiça · 2026-10-17 · Redação Notícia ES

Delator diz que destino de remessas foi omitido

Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou à PF que não sabia da ligação dos recursos com o filme Dark Horse; investigadores apontaram divergências documentais.

Delator diz que destino de remessas foi omitido
Delator diz que destino de remessas foi omitido

Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em delação premiada à Polícia Federal que não foi informado sobre a destinação de remessas aos Estados Unidos para o filme Dark Horse. O depoimento foi prestado em 1º de outubro e teve novos trechos divulgados nesta sexta-feira (16).

A versão foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Jornal de Brasília, que reproduziu dados do material da investigação. As duas fontes registram também que a PF encontrou divergências entre o relato do empresário e documentos reunidos no inquérito.

Segundo o depoimento, a operação teria sido apresentada como investimento em um fundo ligado a empreendimentos imobiliários no Texas e na Flórida. Freixo disse que a ordem para transferir US$ 12,3 milhões partiu de Fabiano Zettel e foi confirmada por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

PF aponta divergências documentais

O empresário afirmou que soube pela imprensa da relação entre os recursos e a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Disse ainda que tentou solicitar o resgate integral das quantias e um balancete do fundo, mas não obteve resposta dos gestores.

A investigação, contudo, identificou uma carta-acordo dirigida à Entre Investimentos, empresa usada nas remessas. Conforme a PF, o documento estabelecia compromisso de aporte de US$ 24 milhões e mencionava a produção de um filme, ponto que precisa ser confrontado com a declaração do delator.

Os investigadores também analisam a origem do dinheiro. Freixo declarou que os aportes vieram de saques em conta garantida do Banco Master, venda de ativos e caixa próprio. A polícia apontou que a conta da Entre recebeu R$ 12 milhões da Super Empreendimentos na véspera da primeira remessa.

Há ainda lacunas nos comprovantes apresentados. De acordo com a apuração, parte das operações não possui documentação bancária completa, e os papéis da produtora Go UP não permitem identificar todas as contas de origem dos recursos enviados ao exterior.

Inquérito ainda reúne provas

A previsão investigada era destinar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação citada, ao projeto cinematográfico. Do total, US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 62 milhões, teriam sido transferidos por meio da Entre Investimentos ao fundo Havengate.

A delação de Freixo foi homologada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em setembro. A homologação reconhece a regularidade formal do acordo, mas não confirma automaticamente a veracidade de cada afirmação, que precisa ser confrontada com documentos e outras provas.

A PF pediu mais 90 dias para concluir diligências, perícias e análises das remessas internacionais. A solicitação mantém o caso em fase investigativa, sem conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal dos envolvidos ou sobre a origem de todos os valores.

A campanha de Flávio Bolsonaro, a defesa de Vorcaro e Paulo Calixto, administrador do fundo citado, não haviam apresentado manifestação às reportagens até a publicação das apurações. As versões poderão ser incorporadas ao processo durante o prosseguimento do inquérito.

Em resumo

O que disse o delator?

Freixo afirmou que não sabia que as remessas aos Estados Unidos seriam relacionadas ao filme Dark Horse.

Quanto foi transferido?

O depoimento menciona US$ 12,3 milhões remetidos ao exterior, aproximadamente R$ 62 milhões na cotação citada.

Qual divergência a PF encontrou?

Uma carta-acordo mencionava compromisso de US$ 24 milhões e a produção de um filme, embora o delator tenha negado conhecer esse destino.

A delação já prova as acusações?

Não. As afirmações precisam ser confirmadas por documentos, perícias e outras provas reunidas no inquérito.

Qual é a situação da investigação?

A PF pediu mais 90 dias para concluir diligências e analisar as remessas internacionais.

Fontes