Economia · 2026-10-21 · Redação Notícia ES

Dependência de fertilizantes expõe o agronegócio

Importações atendem cerca de 85% do consumo nacional e deixam custos agrícolas sensíveis a câmbio, conflitos e logística internacional.

Dependência de fertilizantes expõe o agronegócio
Dependência de fertilizantes expõe o agronegócio

O Brasil importa aproximadamente 85% dos fertilizantes usados nas lavouras, uma dependência que mantém o agronegócio exposto ao câmbio, a conflitos internacionais e a interrupções logísticas. O dado voltou ao debate nesta quarta-feira, 21 de outubro, às vésperas do planejamento das próximas safras.

A Revista Oeste destacou a vulnerabilidade com base em análise apresentada no programa A Força do Agro. Estudos oficiais do Plano Nacional de Fertilizantes e da Empresa de Pesquisa Energética confirmam dependência externa próxima de 85%, com índices ainda maiores em nutrientes nitrogenados e potássicos.

Fertilizantes fornecem nitrogênio, fósforo e potássio necessários à produtividade em solos tropicais. Como a produção interna não acompanha o consumo, o país compra grande parte desses insumos no exterior. Rússia, Canadá, China e países produtores de matérias-primas minerais ocupam posições importantes nessa cadeia.

Dependência pressiona custos agrícolas

A exposição aparece primeiro nos preços. Alta do dólar, fretes marítimos mais caros, restrições comerciais e encarecimento do gás natural chegam ao produtor por meio do custo do adubo. Segundo projeções recentes do Ministério da Agricultura, fertilizantes podem representar mais de 40% do custo de produção de culturas relevantes.

O risco não se limita à margem das fazendas. Quando o insumo encarece ou atrasa, produtores podem reduzir a aplicação, rever área plantada ou adiar compras. Esses movimentos afetam produtividade, oferta de alimentos e inflação. A dependência externa, portanto, conecta uma crise distante ao preço pago por famílias e empresas no Brasil.

A vulnerabilidade varia conforme o nutriente. Documentos da EPE apontam importação superior a 95% para parte dos nitrogenados e potássicos, enquanto a dependência de fosfatados é menor, embora ainda elevada. A produção de nitrogenados depende fortemente de gás natural competitivo e de plantas industriais de grande escala.

O Brasil também enfrenta um paradoxo: está entre os maiores produtores e exportadores de alimentos, mas precisa importar a maior parte dos minerais que sustentam essa produção. O volume consumido cresceu nas últimas décadas, enquanto a oferta nacional não avançou no mesmo ritmo.

Plano busca ampliar produção nacional

O Plano Nacional de Fertilizantes 2050 foi criado para reduzir a vulnerabilidade sem prometer autossuficiência imediata. A estratégia prevê expansão da mineração, retomada e modernização de fábricas, pesquisa em novos produtos, aproveitamento de resíduos e desenvolvimento de bioinsumos. A meta é elevar a participação nacional para perto de metade da demanda até 2050.

O prazo longo mostra a complexidade do desafio. Projetos minerais e químicos exigem licenciamento, infraestrutura, energia, financiamento e contratos capazes de justificar investimentos. Ao mesmo tempo, diversificar fornecedores e ampliar estoques pode reduzir riscos antes que novas unidades entrem em operação.

A dependência de 85% não significa falta imediata de fertilizantes, mas indica fragilidade estrutural. A resposta passa por produção doméstica economicamente viável, logística eficiente e mais opções de origem. Sem essas frentes, o agronegócio continuará sujeito a choques internacionais justamente em um insumo decisivo para a produtividade.

Em resumo

Quanto o Brasil importa de fertilizantes?

A dependência externa está próxima de 85% do volume consumido, segundo estudos oficiais e setoriais.

Por que essa dependência é um risco?

Ela expõe os custos agrícolas ao câmbio, aos fretes, a conflitos e a restrições de oferta em outros países.

Quais nutrientes são mais dependentes de importação?

A dependência é especialmente alta em fertilizantes nitrogenados e potássicos, superando 95% em alguns recortes.

Existe um plano para reduzir as importações?

Sim. O Plano Nacional de Fertilizantes 2050 busca ampliar a produção doméstica para atender perto de metade da demanda.

A dependência provoca falta imediata?

Não necessariamente, mas aumenta a vulnerabilidade a choques externos e pode elevar custos e preços dos alimentos.

Fontes