Política Nacional · 2026-11-02 · Redação Notícia ES

Derrota no Congresso pode travar ainda mais agenda econômica de Trump

Falta de poder parlamentar pode travar reformas e ampliar turbulências políticas, apesar do histórico de alta da bolsa após as Midterms

Derrota no Congresso pode travar ainda mais agenda econômica de Trump
Derrota no Congresso pode travar ainda mais agenda econômica de Trump

As Eleições de Meio de Mandato nos Estados Unidos devem trazer mudanças no controle do Congresso americano e limitar o poder de Donald Trump nos dois últimos anos do seu mandato, com impactos sobre a economia.

O contexto do cenário político

Apesar de historicamente a bolsa americana subir após as Midterms por causa da redução das incertezas, especialistas consultados pela CNN Brasil acreditam que menos poder no Capitólio pode trazer volatilidade e dificultar a aprovação de reformas voltadas a solucionar os problemas fiscais enfrentados pelo país hoje.

O partido que está na presidência costuma perder assentos na Câmara dos Representantes nas Midterms. Desde a Segunda Guerra Mundial essa tendência não se confirmou apenas em duas eleições: em 1998, com o democrata Bill Clinton, e em 2002, com o republicano George W. Bush.

Com a aprovação de Trump em 32%, o menor patamar de seus dois mandatos, segundo pesquisa da CNN , a perda de assentos republicanos neste ano pode ser ainda maior.

Como interpretar os resultados

Segundo Clifford Young, diretor de pesquisas da Ipsos, os democratas têm uma probabilidade de 85% de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e de 60% no caso do Senado.

Nos Estados Unidos, projetos de leis tributárias e orçamentárias dependem da aprovação das duas casas legislativas e da sanção presidencial. Uma mudança no comando do Congresso, portanto, pode dificultar a aprovação de novas leis.

Com um Congresso rachado, Trump teria dificuldade para aprovar novos cortes de impostos para empresas, por exemplo. E os democratas não conseguiriam aprovar um projeto de taxação de bilionários, porque o presidente certamente usaria seu poder de veto.

Para Wall Street, menos mudanças na legislação podem significar mais previsibilidade no curto prazo, segundo um relatório da corretora Charles Schwab.

Os economistas preveem uma situação de paradoxo na economia: sem grandes reformas, Wall Street pode sentir alívio com a redução da incerteza e o cenário mais previsível, mas o eleitor deve seguir insatisfeito com a crise do custo de vida.

A previsibilidade também não é garantia de mais estabilidade fiscal, segundo Thiago de Aragão, CEO da consultoria Arko Internacional.

"Pode ficar mais difícil aprovar novos cortes de impostos ou aumentos de gastos, mas o déficit continua lá, assim como as brigas pelo orçamento", avalia Aragão.

"O mercado pode gostar de ter menos mudanças pela frente, mas daí a isso trazer tranquilidade para os juros tem uma boa distância", conclui.

O déficit fiscal americano - saldo negativo entre as receitas e as despesas - ficou em US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, que terminou em setembro. É o terceiro maior déficit anual da história dos EUA , atrás apenas dos anos de pandemia, em 2020 e 2021.

A dívida federal em poder do público do país (que exclui os valores que o governo deve a seus próprios órgãos) chegou a US$ 32,5 trilhões e ultrapassou o tamanho da economia dos EUA pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Sem a perspectiva de reformas estruturais, por causa da falta de consenso, não há expectativas de grandes mudanças na trajetória de gastos e da dívida.

E a política tarifária de Donald Trump também não foi capaz de reduzir o déficit dos Estados Unidos, como esperava o presidente.

O desequilíbrio das contas públicas leva investidores a exigirem mais retornos para aplicar no país, até mesmo na maior economia do mundo.

Se os democratas de fato tiverem mais poder no Congresso, as disputas pelo orçamento podem se ampliar e provocar novos " shutdowns ", as paralisações da máquina pública que interrompem serviços do governo. A instabilidade poderia elevar ainda mais a percepção de risco.

Em resumo

O que aconteceu?

As Eleições de Meio de Mandato nos Estados Unidos devem trazer mudanças no controle do Congresso americano e limitar o poder de Donald Trump nos dois últimos anos do seu mandato, com impactos sobre a economia.

Qual é o ponto principal?

Apesar de historicamente a bolsa americana subir após as Midterms por causa da redução das incertezas, especialistas consultados pela CNN Brasil acreditam que menos poder no Capitólio pode trazer volatilidade e dificultar a aprovação de reformas voltadas a solucionar os problemas fiscais enfrentados pelo país hoje.

Quais são os dados mais importantes?

O partido que está na presidência costuma perder assentos na Câmara dos Representantes nas Midterms. Desde a Segunda Guerra Mundial essa tendência não se confirmou apenas em duas eleições: em 1998, com o democrata Bill Clinton, e em 2002, com o republicano George W. Bush.

Qual é o contexto?

Com a aprovação de Trump em 32%, o menor patamar de seus dois mandatos, segundo pesquisa da CNN , a perda de assentos republicanos neste ano pode ser ainda maior.

Quais são os próximos desdobramentos?

Segundo Clifford Young, diretor de pesquisas da Ipsos, os democratas têm uma probabilidade de 85% de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e de 60% no caso do Senado.

Fontes