'Desafio de Flávio é ser presidente de direita normal', avalia economista Samuel Pessôa - BBC News Brasil
Para economista da FGV e do BTG Pactual, caso seja eleito, Flávio deverá ter 'lua de mel' longa com o mercado financeiro, enquanto Lula será fortemente pressionado a ajustar as contas públicas.

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Dos economistas mais respeitados do Brasil, Samuel Pessôa, doutor
Um dos economistas mais respeitados do Brasil, Samuel Pessôa, doutor pela USP e pesquisador associado do FGV Ibre e do BTG Pactual, diz que a dúvida sobre um eventual governo de Flávio Bolsonaro é se ele será "um governo de direita normal".
Pessôa define o modelo como a gestão do presidencialismo de coalizão "segundo o livro-texto da Ciência Política", isto é, seguindo os conceitos, teorias e sistemas fundamentais da disciplina com um programa comum e poder repartido entre os partidos aliados.
Flávio, segundo ele, teria "condições privilegiadas" para isso, por pertencer ao mesmo campo político da média do Congresso Nacional .
Incógnitas, afirma, são duas: se ele fará essa
As incógnitas, afirma, são duas: se ele fará essa gestão e quanto do capital político da lua de mel gastará na agenda de libertar o pai.
A entrevista foi feita em duas etapas, na quinta-feira (1º/10), três dias antes do primeiro turno, e nesta terça-feira (6/10), depois de Flávio terminar a votação na frente.
Antes mesmo do primeiro turno, Pessôa já via um "leve favoritismo" de Flávio em um eventual segundo turno, por causa da abstenção, que, segundo ele, "machuca mais" Lula do que o adversário.
Disse também que, se Lula ganhar, "as coisas pioram no mercado", e que a reação levaria o presidente, "um homem pragmático", a desenhar um programa de ajuste fiscal, ainda que moderado.
O economista afirma que o mercado vê "com bons olhos" uma vitória de Flávio, porque avalia que o governo dele tem condições e vontade de promover um ajuste mais rápido nas contas públicas, o que está por trás dos juros "extremamente elevados".
Sobre se essa vitória é praticamente irreversível, preferiu não opinar: "Não sou cientista político."
Pessôa também avaliou que "a dinâmica da dívida pública piorou muito" e estimou em R$ 420 bilhões, numa conta feita com um colega, o gasto adicional no quadriênio com a volta da valorização do salário mínimo e a reindexação dos pisos.
Defendeu ainda mudanças na escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que os juros mais altos no mundo são uma questão "estrutural".
BBC News Brasil — Por que o mercado reagiu tão bem ao resultado do primeiro turno?
Samuel Pessôa — É óbvio que o mercado vê com bons olhos uma vitória de Flávio sobre Lula.
O que está em jogo é que o mercado avalia que um governo Flávio tem condições, tem desejo, tem vontade de promover um ajuste mais rápido nas contas públicas, que é o que está por trás dos juros extremamente elevados com que convivemos todos esses anos.
BBC News Brasil — Se Flávio for eleito, ele tem capacidade de entregar as reformas?
Pessôa — O desafio do Flávio é ser um presidente de direita normal. O que é um presidente de direita normal?
É um presidente que fará a gestão do presidencialismo de coalizão brasileiro segundo o livro-texto da Ciência Política.
E o Flávio tem condições privilegiadas em relação ao Lula nesse aspecto, porque é do mesmo lado político, da mesma orientação política da média do Congresso Nacional.
Com a eleição dele, teríamos na Presidência da República uma liderança do mesmo campo político do Congresso, e portanto não há dissintonia ideológica entre o Palácio do Planalto e as casas legislativas.
Sem essa dissintonia, há mais espaço para cooperação e para negociação de um programa de governo comum entre o Executivo e os partidos.
O Flávio tem 20% da Câmara, o PL foi muito bem votado. Ele teria que chamar o PP, o Republicanos, o União Brasil e juntar MDB e PSD.
Com esses partidos, certamente tem dois terços, mais do que o suficiente para aprovar emendas constitucionais, que precisam de três quintos nas duas Casas.
PSD e MDB são um pouco mais distantes, de centro-direita; União Brasil, PP e Republicanos estão mais à direita, mais próximos do PL.
Ele deveria construir essa base parlamentar em cima de um programa comum de governo e depois compartilhar poder com os partidos da coalizão, mantendo certa proporcionalidade em função do tamanho de cada um no Congresso.
É o que o PT sempre teve muita dificuldade de fazer, e se entende essa dificuldade, porque o PT é de centro-esquerda e a mediana do Congresso é de direita ou centro-direita.
Em resumo
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Um dos economistas mais respeitados do Brasil, Samuel Pessôa, doutor pela USP e pesquisador associado do FGV Ibre e do BTG Pactual, diz que a dúvida sobre um eventual governo de Flávio Bolsonaro é se ele será "um governo de direita normal".
Pessôa define o modelo como a gestão do presidencialismo de coalizão "segundo o livro-texto da Ciência Política", isto é, seguindo os conceitos, teorias e sistemas fundamentais da disciplina com um programa comum e poder repartido entre os partidos aliados.
Flávio, segundo ele, teria "condições privilegiadas" para isso, por pertencer ao mesmo campo político da média do Congresso Nacional . As incógnitas, afirma, são duas: se ele fará essa gestão e quanto do capital político da lua de mel gastará na agenda de libertar o pai.
A entrevista foi feita em duas etapas, na quinta-feira (1º/10), três dias antes do primeiro turno, e nesta terça-feira (6/10), depois de Flávio terminar a votação na frente.