Desenho de criança ajuda a revelar abusos contra quatro vítimas no ES
A investigação da Polícia Civil identificou relatos de violência sexual envolvendo pais e padrastos na Grande Vitória; seis pessoas foram presas na segunda fase da Operação Infância Protegida

Pais e padrastos estão entre os presos por crimes como estupro de vulnerável, ameaça e maus-tratos contra crianças e adolescentes na Grande Vitória.
Prisões ocorreram na última semana, durante a 2ª fase
As prisões ocorreram na última semana, durante a 2ª fase da Operação 'Infância Protegida', da Polícia Civil, e foram divulgadas nesta segunda-feira (26).
Entre os presos pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) estão cinco homens, com idades entre 40 e 80 anos, e uma mulher, de 26 anos. Outros dois investigados continuam foragidos.
Nomes não foram divulgados para preservar a identidade das vítimas.
Das prisões ocorreu na Serra, onde desenhos feitos
Uma das prisões ocorreu na Serra, onde desenhos feitos por uma criança ajudaram a revelar abusos contra quatro meninas, segundo a delegada adjunta da DPCA, Thais Cruz.
A mãe de uma das vítimas procurou a polícia depois de ser acionada pelo Conselho Tutelar do município e tomar conhecimento dos crimes.
“Uma das vítimas, de apenas 7 anos, começou a desenhar órgãos genitais masculinos, e isso chamou a atenção de um estagiário da escola, que procurou uma psicóloga da Ação Psicossocial e Orientação Interativa Escolar (Apoie), programa da Secretaria de Estado da Educação .
Essa psicóloga enviou um relatório detalhado à DPCA, informando que, na escuta realizada por ela, a criança revelou que sofria abusos do genitor.”
Uma das irmãs da criança, de 15 anos, estudava na mesma escola. Durante uma conversa com a equipe, ela também relatou ser vítima do padrasto.
Ainda na escola, uma amiga da adolescente contou que também havia sido abusada pelo padrasto da colega quando visitava a casa dela.
Segundo a investigação da Polícia Civil, o homem se aproveitava da vulnerabilidade financeira da família da adolescente e oferecia dinheiro, objetos e até um celular para cometer os crimes.
A delegada contou que a mãe também procurou a filha mais velha, hoje maior de 18 anos, para conversar sobre o caso.
Na ocasião, a jovem revelou que havia sido vítima do padrasto dos 12 aos 14 anos, mas não o denunciou por preocupação com a situação financeira da família, já que ele era o único que trabalhava.
O homem negou ter cometido crimes sexuais contra as vítimas, segundo a delegada.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, alertou familiares e pessoas que convivem com crianças e adolescentes para que fiquem atentos a mudanças repentinas de comportamento, que podem indicar que algo não vai bem.
“Percebemos que a maioria desses crimes ocorre em ambiente residencial, familiar, onde o agressor se utiliza da condição de confiança que tem. Às vezes é o próprio pai, o padrasto, um tio, um amigo da família.
E, se valendo dessa confiança e dessa proximidade, o abusador começa a assediar as crianças e podem chegar a extremos, como o estupro.
Temos que ter muito cuidado porque esse tipo de conduta perversa, além de tudo, gera traumas significativos que as vítimas carregam por toda vida”.
Outro caso, ocorrido em Vitória, chegou ao conhecimento da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) depois que uma adolescente de 13 anos contou a uma professora de confiança sobre os abusos que sofria do pai em casa, quando a mãe saía para trabalhar.
Assim como no caso da Serra, foi a mãe da vítima quem procurou a polícia, em março deste ano.
O homem foi localizado e preso preventivamente em Cariacica na semana passada. Ao ser interrogado na DPCA, negou os atos, mas alegou ter esquizofrenia e afirmou que, quando entrava em surto, “as vozes” mandavam que cometesse os crimes.
Outro caso foi registrado em Cariacica, em junho, quando uma mulher soube pela filha, de 15 anos, que ela era vítima de violência sexual por parte do padrasto desde os 7 anos.
Segundo o delegado adjunto da DPCA, Júlio Cesar Cortina, os abusos teriam começado com outros atos de natureza sexual e evoluído para relações sexuais após a menina completar 12 anos.
“A partir do momento que foi feito o registro desse boletim, encaminhamos a vítima ao setor psicossocial e ela confirmou todos os abusos, relatando que aconteciam dentro da residência que habitavam na época, principalmente quando a genitora estava ausente para trabalhar ou fazer alguma outra coisa na rua”, relatou o delegado.
Ainda conforme Cortina, a adolescente contou que os abusos também aconteciam no quarto dela, na presença da irmã mais nova, que geralmente dormia nesses momentos e, por isso, não teria percebido o que ocorria.
A adolescente disse que não havia contado sobre os abusos antes por causa da pressão e da violência psicológica que sofria do suspeito.
Ele era o único da casa com trabalho formal e dizia que, se ela revelasse os crimes, ela, a mãe e a irmã ficariam sem ter o que comer, pois dependiam financeiramente dele.
Em resumo
Pais e padrastos estão entre os presos por crimes como estupro de vulnerável, ameaça e maus-tratos contra crianças e adolescentes na Grande Vitória. As prisões ocorreram na última semana, durante a 2ª fase da Operação 'Infância Protegida', da Polícia Civil, e foram divulgadas nesta segunda-feira (26).
Entre os presos pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) estão cinco homens, com idades entre 40 e 80 anos, e uma mulher, de 26 anos. Outros dois investigados continuam foragidos. Nomes não foram divulgados para preservar a identidade das vítimas.
Uma das prisões ocorreu na Serra, onde desenhos feitos por uma criança ajudaram a revelar abusos contra quatro meninas, segundo a delegada adjunta da DPCA, Thais Cruz. A mãe de uma das vítimas procurou a polícia depois de ser acionada pelo Conselho Tutelar do município e tomar conhecimento dos crimes.
“Uma das vítimas, de apenas 7 anos, começou a desenhar órgãos genitais masculinos, e isso chamou a atenção de um estagiário da escola, que procurou uma psicóloga da Ação Psicossocial e Orientação Interativa Escolar (Apoie), programa da Secretaria de Estado da Educação . Essa psicóloga enviou um relatório detalhado à DPCA, informando que, na escuta realizada
Uma das irmãs da criança, de 15 anos, estudava na mesma escola. Durante uma conversa com a equipe, ela também relatou ser vítima do padrasto.