Economia · 2026-10-22 · Redação Notícia ES

Desenrola 3.0 convoca credores para mapear dívidas

Bancos e detentores de carteiras têm até 30 de outubro para informar créditos que poderão disputar futuro leilão da União.

Desenrola 3.0 convoca credores para mapear dívidas
Desenrola 3.0 convoca credores para mapear dívidas

O Ministério da Fazenda abriu nesta quinta-feira (22) uma chamada para bancos, financeiras, securitizadoras e fundos informarem carteiras de dívidas elegíveis ao Desenrola 3.0. Os credores têm até as 23h59 de 30 de outubro para enviar os dados exigidos no edital.

A CNN Brasil publicou os critérios da portaria e do chamamento divulgados em edição extra do Diário Oficial da União. O UOL e o Poder360 confirmaram que a entrega das informações é obrigatória para disputar o futuro leilão, mas não assegura a compra dos créditos pelo governo.

A etapa servirá para dimensionar o volume de contratos que poderá ser oferecido à União. O levantamento deverá separar quantidade de devedores, número de operações, valor em aberto, modalidade de crédito, faixa de renda e tempo de inadimplência. Essas informações terão caráter consultivo e não vinculante para a Fazenda.

Chamada ainda não renegocia contratos

O prazo atual é dirigido aos credores, não aos consumidores. A publicação do edital não abre um canal de adesão para pessoas endividadas, não cancela débitos automaticamente e tampouco garante que todas as carteiras apresentadas serão adquiridas.

Poderão entrar no mapeamento dívidas originalmente limitadas a R$ 10 mil, contraídas por pessoas físicas e microempreendedores individuais. O recorte inclui atrasos superiores a 720 dias e inferiores a 1.645 dias, considerados a partir da data de referência de 25 de setembro de 2026.

Entre as modalidades previstas estão cartão de crédito rotativo ou parcelado, crédito pessoal sem consignação, cheque especial e determinadas operações de MEIs sem garantia real. Os créditos devem ter origem em instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central ou em carteiras posteriormente transferidas a detentores habilitados.

Leilão exigirá desconto elevado

A aquisição pela União exigirá deságio mínimo de 90% sobre o valor atualizado da dívida, incluindo juros, multas e encargos. Isso significa que o governo poderá pagar no máximo 10% dessa referência, sem impedir que o processo competitivo obtenha preço ainda menor.

A Fazenda trabalha com a possibilidade de receber até R$ 90 bilhões em carteiras nesta consulta. Esse número não equivale a gasto confirmado: se todo o volume fosse comprado exatamente com o desconto mínimo, o desembolso hipotético seria de até R$ 9 bilhões.

O leilão deve ser organizado depois da análise das informações e foi projetado para novembro ou dezembro. Só então serão definidas as carteiras efetivamente adquiridas e as condições da etapa voltada aos devedores. Até lá, consumidores devem evitar anúncios que prometam adesão imediata em nome do programa.

Em resumo

Quem deve responder ao edital?

Bancos, financeiras, securitizadoras, fundos e outros detentores de carteiras elegíveis.

Qual é o prazo para os credores?

Até as 23h59 de 30 de outubro de 2026.

O consumidor já pode aderir?

Não. Esta etapa apenas mapeia carteiras e não abriu renegociação para devedores.

Quais dívidas entram no levantamento?

Créditos de até R$ 10 mil, com atraso entre 721 e 1.644 dias, nas modalidades previstas pela portaria.

Qual desconto será exigido?

O futuro leilão exigirá deságio mínimo de 90% sobre o valor atualizado dos créditos.

Fontes