Desinteligência abissal (por André Gustavo Stumpf)
Flávio Bolsonaro é uma espécie de Jânio Quadros redivivo, com a diferença que o ex-presidente era um homem culto

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As informações principais do assunto
Tarcísio Gomes de Freitas é um homem de sorte. Aos 51 anos, depois de passar pela Academia Militar das Agulhas Negras, pelo Instituto Militar de Engenharia, pela Consultora Legislativa da Câmara dos Deputados e pelo Ministério da Infraestrutura, ele, apesar de carioca, foi eleito governador de São Paulo.
Sorte é outro nome de competência. O político, que iniciou sua vida pública como burocrata bem preparado, preferiu não ficar sob o controle de Jair Bolsonaro e se desviou do possível confronto de eleitoral com o presidente Lula.
Foi reconduzido ao Palácio Bandeirantes com folga, eleito no primeiro turno. Além disso, de repente, as portas da política brasileira se abriram à sua frente.
Contexto e informações complementares
A incrível falta de visão, e de percepção política, de Flávio Bolsonaro jogou no colo do carioca/paulista a responsabilidade de conduzir os 60 milhões de brasileiros que votaram no filho do Jair.
Flávio, conduzido por desinteligência abissal, não entendeu que ele, depois de perder a eleição, havia se transformado no principal líder da oposição no Brasil.
Seu partido elegeu 29 senadores, 121 deputados federais e seis governadores estaduais, além de contar com o apoio de milhões de eleitores que ficaram órfãos na política brasileira.
Ele seria o principal nome da política brasileira com chances de rivalizar com o Presidente da República. Poderia exercer a função de líder de uma oposição numerosa e eficaz. Jogou tudo fora.
Preferiu ir para Disneylândia e se alinhar sob o guarda-chuva de Donald Trump.
Suas cartas, desesperadas, publicadas a partir de Miami, demonstram o personagem a procura de um enredo. Ele tenta vender a imagem de exilado político, perseguido pela suposta ditadura existente no Brasil.
É uma história que dificilmente irá convencer alguém. Ele concorreu numa eleição livre, falou o que quis, defendeu seus pontos de vista, apareceu na televisão para milhões de brasileiros quando argumentou em favor de seus pontos de vista.
E não há ordem de prisão contra ele no Brasil. Flávio não é fugitivo. Além disto, na mesma eleição um irmão foi eleito Senador, outro Deputado. E a madrasta foi eleita senadora em Brasília. Todos de oposição.
E o presidente do seu partido, Valdemar Costa Neto, reconheceu a derrota de acordo com o figurino eleitoral. Nenhuma surpresa.
A reação esquizofrênica de Flávio Bolsonaro vai entrar para a história política brasileira como acidente de percurso da fantástica política do continente.
Uma espécie de Jânio Quadros redivivo, com a diferença que o ex-presidente era um homem culto. Jânio renunciou à Presidência da República após oito de meses de governo na expectativa de que o povo o chamasse de volta.
O povo não apareceu e ele foi obrigado a embarcar para o exílio no navio cargueiro que o levou para a Inglaterra. Flávio viajou em um jato privado exclusivo, cujo custo alcança milhares de dólares por hora.
A política brasileira tem seus mistérios. Há fios desencapados neste momento que pedem solução. A crise do Supremo Tribunal Federal é séria e profunda. Governo ou oposição terão que tratar do assunto.
Flávio Bolsonaro, que mantém o cargo de Senador até o final de janeiro de 2027, poderia iniciar as tratativas. Legou aos senadores Rogério Marinho e Teresa Cristina a responsabilidade de conduzir este enfrentamento.
Eles vão comandar a oposição no Congresso. A decisão do Ministro Alexandre de Moraes de retirar o passaporte de Flávio Bolsonaro colocou a crise política brasileira na ordem do dia.
Aconteceu antes da posse dos novos parlamentares. Tudo foi antecipado.
O presidente Lula, reeleito aos 81 anos, vai governar com outro time. Ele terá que montar um governo mais ao centro, com objetivos definidos, realizações nítidas e obras importantes.
É difícil insistir na política de aumentar impostos para compensar gastos extraordinários. O bolsonarismo vai enfrentar o declínio. O PDT, de Brizola, não ultrapassou a cláusula de barreira.
O petismo vai sofrer modificações. Os partidos que vivem ao redor de um líder tendem a se extinguir quando ele sai de cena. Outro cenário vai surgir. E, finalmente, o Brasil desfrutará da chance de entrar no século 21.
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Em resumo
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Tarcísio Gomes de Freitas é um homem de sorte. Aos 51 anos, depois de passar pela Academia Militar das Agulhas Negras, pelo Instituto Militar de Engenharia, pela Consultora Legislativa da Câmara dos Deputados e pelo Ministério da Infraestrutura, ele, apesar de carioca, foi eleito governador de São Paulo. Sorte é outro nome de competência.
A incrível falta de visão, e de percepção política, de Flávio Bolsonaro jogou no colo do carioca/paulista a responsabilidade de conduzir os 60 milhões de brasileiros que votaram no filho do Jair. Flávio, conduzido por desinteligência abissal, não entendeu que ele, depois de perder a eleição, havia se transformado no principal líder da oposição no Brasil.
Suas cartas, desesperadas, publicadas a partir de Miami, demonstram o personagem a procura de um enredo. Ele tenta vender a imagem de exilado político, perseguido pela suposta ditadura existente no Brasil. É uma história que dificilmente irá convencer alguém.
A reação esquizofrênica de Flávio Bolsonaro vai entrar para a história política brasileira como acidente de percurso da fantástica política do continente. Uma espécie de Jânio Quadros redivivo, com a diferença que o ex-presidente era um homem culto.
Fontes
- Metrópoles - Feed
- Igreja Cristã Maranata
- Convenção Batista do ES