Didi completaria 98 anos com legado do ‘folha seca’
Bicampeão mundial nasceu em 8 de outubro de 1928 e marcou o futebol brasileiro pela liderança, pelos passes e pela cobrança que ganhou seu nome

Didi, um dos comandantes técnicos da Seleção Brasileira nos títulos mundiais de 1958 e 1962, completaria 98 anos nesta quinta-feira (8). Nascido em 8 de outubro de 1928, o meia deixou como marcas a leitura de jogo, os passes precisos e a cobrança conhecida como ‘folha seca’.
A lembrança da data foi publicada pela Jovem Pan, que recuperou um episódio da Copa de 1962 envolvendo Didi e Alfredo Di Stéfano. Uma reportagem do Terceiro Tempo também confirmou o aniversário, a trajetória por Fluminense e Botafogo e os dois títulos mundiais conquistados pelo jogador.
Rivalidade ficou fora do campo
Na primeira fase do Mundial do Chile, Brasil e Espanha chegaram ao confronto decisivo com a classificação em disputa. Didi carregava uma relação difícil com Di Stéfano desde a passagem pelo Real Madrid e, segundo o relato histórico recuperado nesta quinta-feira, cogitava transformar a partida em resposta esportiva ao antigo companheiro.
O encontro direto, porém, não aconteceu. Di Stéfano estava lesionado e não entrou em campo pela seleção espanhola. A ausência evitou que a tensão pessoal ganhasse espaço no jogo, mas não diminuiu o peso do confronto para a campanha brasileira.
A Espanha abriu o placar, e o Brasil precisou reagir sem Pelé, que havia se machucado na partida anterior. Amarildo marcou duas vezes na virada por 2 a 1, resultado que levou a equipe adiante e manteve viva a defesa do título conquistado quatro anos antes.
Didi teve influência também na escolha do substituto de Pelé. De acordo com o relato publicado pela Jovem Pan, ele apoiou a entrada de Amarildo ao lado de lideranças como Zagallo e Nilton Santos. A decisão mostrou o peso do meia não apenas com a bola, mas na organização do grupo.
O Brasil seguiu até a final e derrotou a Tchecoslováquia por 3 a 1. Didi tornou-se bicampeão mundial depois de já ter sido uma das figuras centrais da conquista de 1958, quando a Seleção levantou sua primeira Copa na Suécia.
Folha seca virou assinatura
Waldir Pereira nasceu em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Começou profissionalmente no Americano e consolidou a carreira em clubes como Fluminense e Botafogo, além de ter defendido o Real Madrid e encerrado a trajetória como jogador no São Paulo.
O apelido ligado à ‘folha seca’ veio da forma como cobrava faltas: a bola subia e caía de maneira repentina perto do gol. O movimento ganhou reconhecimento internacional e passou a identificar o jogador mesmo décadas depois de sua aposentadoria.
Embora a cobrança seja a imagem mais lembrada, a carreira de Didi foi construída principalmente pela condução do meio-campo. Ele tinha capacidade de controlar o ritmo, encontrar companheiros à distância e tomar decisões em jogos de pressão, características decisivas nas duas campanhas mundiais.
Depois de parar de jogar, tornou-se treinador e trabalhou no Brasil e no exterior. Entre os trabalhos mais conhecidos está o comando da seleção do Peru na Copa de 1970, quando a equipe chegou às quartas de final e foi eliminada pelo Brasil.
Didi morreu em 12 de maio de 2001, aos 72 anos. A passagem de seus 98 anos de nascimento recoloca em destaque um atleta que ajudou a definir o estilo da Seleção bicampeã e transformou uma técnica de bola parada em patrimônio da memória do futebol.
Em resumo
Didi nasceu em 8 de outubro de 1928, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.
Ele foi campeão com a Seleção Brasileira em 1958, na Suécia, e em 1962, no Chile.
Era uma cobrança de falta em que a bola ganhava altura e caía repentinamente perto do gol.
Não. Di Stéfano estava lesionado e não atuou pela Espanha na partida contra o Brasil.
Amarildo ocupou a vaga e marcou os dois gols da vitória brasileira por 2 a 1.