Justiça · 2026-10-27 · Redação Notícia ES

Dino manda PF investigar suspeita de financiamento estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro

Apuração vai se concentrar no aporte de recursos dos EUA por meio da Rockbridge Network e nas suspeitas de tratamento desigual pela Meta

Dino manda PF investigar suspeita de financiamento estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro
Dino manda PF investigar suspeita de financiamento estrangeiro à campanha de Flávio Bolsonaro

O ministro Flávio Dino , do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a PF (Polícia Federal) abra um inquérito para apurar suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha eleitoral do senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ), que perdeu para Lula (PT) as eleições presidenciais de domingo (25).

Investigação vai se concentrar nas suspeitas de tratamento desigual

A investigação vai se concentrar nas suspeitas de tratamento desigual pela Meta e no suposto aporte de recursos dos Estados Unidos por meio da Rockbridge Network , grupo conservador que reúne nomes de peso da tecnologia , dos investimentos e da política americana.

Ao ordenar a instauração da apuração, Dino disse haver elementos que "apontam para a intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral" e destacou que "não se admite a interferência, direta ou indireta, de Estado estrangeiro sobre assuntos submetidos à soberania" brasileira.

Dino decidiu em uma ação ajuizada pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) sobre a interferência da Justiça britânica em casos sobre o desastre de Mariana. O processo virou um precedente para outras decisões sobre a soberania nacional.

Em agosto do ano passado, por exemplo, Dino usou

Em agosto do ano passado, por exemplo, Dino usou essa mesma ação para restringir os efeitos da Lei Magnitsky a autoridades brasileiras, e agora também cita possíveis riscos à soberania com a suspeita de atuação estrangeira no processo eleitoral.

Os pedidos de investigação foram feitos pelas campanhas de Lula e do candidato Renan Santos (Missão), que disputou o primeiro turno, mas ficou de fora do segudo.

Eles afirmam que a Rockbridge participou de tratativas voltadas à obtenção de apoio financeiro para a campanha presidencial de Flávio.

A intermediação teria ocorrido por meio dos empresários Tallis Gomes e Pedro Sang, que viriam a ser parte de um "conselho de tecnologia" da Rockbridge no Brasil caso a instalação da organização no país tivesse prosperado, conforme documentos revelados pela Folha em setembro.

Dino afirmou que, além desse quadro, há indícios de "veiculação remunerada, por perfis sediados no exterior, de conteúdos alusivos à eleição presidencial brasileira", com mensagens favoráveis à candidatura de Flávio, "sem identificação do pagador, nem dos valores pagos".

O ministro também cita "possível criação de assimetrias nas condições de disputa eleitoral no Brasil" em decorrência da Meta. A empresa, dona do WhatsApp, do Instagram e do Facebook, é suspeita de dar tratamento desigual às campanhas de Lula e Flávio, favorecendo esse último.

De acodo com Dino, peritos da ONU (Organização das Nações Unidas) também alertaram para anomalias como "interrupções temporárias de contas de campanha" e "disparidades no engajamento do público e no alcance das publicações, com possível favorecimento de uma das candidaturas".

A decisão do magistrado também cita reportagem da Folha que revelou mensagens internas de funcionários da Meta admitindo que as contas de Lula foram prejudicadas por restrições, e engenheiros atribuindo o problema a uma falha técnica.

A investigação da PF deverá esclarecer, segundo Dino, as "assimetrias dolosas e manipulações algorítmicas, por parte de empresas de internet, visando favorecer ou prejudicar candidaturas no processo eleitoral do Brasil".

Dino afirma que a proibição de ingerência estrangeira é uma "consequência direta da soberania nacional" e que, por isso, "é intolerável, sob qualquer pretexto, que um Estado soberano seja constrangido, ameaçado ou submetido a mecanismos externos de coerção", o que também vale para o processo eleitoral.

A Constituição Federal veda aos partidos políticos o "recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes". Procurada pela Folha , a campanha de Flávio disse que não vai comentar a decisão de Dino.

Segundo o ministro, "a interferência estrangeira nas eleições tem, entre os seus objetivos, minar as preferências dos eleitores por um candidato ou partido, afetar a participação eleitoral ou manipular o processo de votação".

"Reconheço a existência de um dever constitucional de proteção da democracia, da soberania popular e da liberdade do processo eleitoral, que impõe ao Estado brasileiro a adoção de medidas para prevenir e repelir ingerências estrangeiras incompatíveis com a livre formação da vontade do eleitorado brasileiro."

Em resumo

O que aconteceu?

O ministro Flávio Dino , do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a PF (Polícia Federal) abra um inquérito para apurar suspeitas de financiamento estrangeiro à campanha eleitoral do senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ), que perdeu para Lula (PT) as eleições presidenciais de domingo (25).

Qual é o ponto principal?

A investigação vai se concentrar nas suspeitas de tratamento desigual pela Meta e no suposto aporte de recursos dos Estados Unidos por meio da Rockbridge Network , grupo conservador que reúne nomes de peso da tecnologia , dos investimentos e da política americana.

Quais são os dados mais importantes?

Ao ordenar a instauração da apuração, Dino disse haver elementos que "apontam para a intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral" e destacou que "não se admite a interferência, direta ou indireta, de Estado estrangeiro sobre assuntos submetidos à soberania" brasileira.

Qual é o contexto?

Dino decidiu em uma ação ajuizada pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) sobre a interferência da Justiça britânica em casos sobre o desastre de Mariana. O processo virou um precedente para outras decisões sobre a soberania nacional.

Quais são os próximos desdobramentos?

Em agosto do ano passado, por exemplo, Dino usou essa mesma ação para restringir os efeitos da Lei Magnitsky a autoridades brasileiras, e agora também cita possíveis riscos à soberania com a suspeita de atuação estrangeira no processo eleitoral.

Fontes