Política Nacional · 2026-09-29 · Redação Notícia ES

Disputa pelo Senado em SP segue aberta após saída de Salles

Real Time Big Data aponta empate técnico entre Derrite, André do Prado e Simone Tebet, mas coleta ainda incluiu Ricardo Salles, que desistiu no último dia.

Disputa pelo Senado em SP segue aberta após saída de Salles
Disputa pelo Senado em SP segue aberta após saída de Salles

A corrida pelas duas vagas de São Paulo no Senado permanece aberta na reta final da eleição. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (29) coloca Guilherme Derrite com 22%, André do Prado com 20% e Simone Tebet com 18%, todos tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A Veja apresentou o levantamento como a primeira pesquisa após a desistência de Ricardo Salles. A apuração publicada pelo UOL confirma os percentuais, a amostra de 2 mil eleitores e o período de coleta, de 24 a 28 de setembro. Há, porém, uma ressalva decisiva: Salles abandonou a disputa apenas no último dia do trabalho de campo e ainda aparece com 6%.

Marina Silva registra 15% e também se encontra em empate técnico com Simone Tebet e André do Prado. Os candidatos menores reunidos na categoria “outros” somam 1%. Como cada eleitor paulista poderá escolher dois nomes para o Senado, os percentuais divulgados representam uma média das respostas para o primeiro e o segundo voto.

O instituto realizou entrevistas por telefone e internet. O nível de confiança informado é de 95%, e o levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SP-06293/2026. Esses dados permitem comparar a posição dos candidatos, mas não transformam diferença numérica em liderança consolidada quando os intervalos se sobrepõem.

Levantamento ainda inclui Salles

A data da coleta limita qualquer conclusão sobre a migração dos votos de Salles. Parte ou a totalidade das entrevistas ocorreu antes do anúncio em que ele passou a apoiar Derrite e André do Prado. Por isso, os 6% atribuídos ao ex-candidato não podem ser distribuídos automaticamente entre os dois aliados.

A formulação usada pela Veja chama o levantamento de pesquisa “após desistência”, embora a própria reportagem registre que a retirada ocorreu no encerramento da coleta. O título sugere um retrato inteiramente posterior ao fato; o método mostra, na realidade, uma fotografia de transição. Essa distinção é necessária para que o eleitor não leia como transferência já medida aquilo que ainda é hipótese política.

Salles anunciou a decisão ao lado do governador Tarcísio de Freitas e declarou apoio aos dois nomes ligados à direita. Segundo o UOL, a justificativa foi evitar a divisão desse campo. Como as urnas já estavam preparadas, nome e foto continuam no equipamento, e votos destinados a ele serão tratados conforme as regras eleitorais aplicáveis à renúncia.

Uma pesquisa Datafolha concluída em 24 de setembro havia mostrado quadro diferente na ordem numérica: Marina tinha 15%, Tebet 14%, Derrite e André do Prado 12% cada, enquanto Salles aparecia com 4%. Os levantamentos possuem metodologias próprias e não devem ser combinados como se fossem uma única série, mas ambos apontam disputa apertada entre quatro candidaturas.

Duas vagas mantêm quadro aberto

A existência de duas escolhas por eleitor torna a leitura mais complexa do que numa eleição para um único cargo. Um mesmo entrevistado pode indicar candidatos de campos distintos, e o apoio presidencial ou estadual não garante que as duas preferências sigam a mesma composição partidária.

O avanço numérico de Derrite e André do Prado no Real Time Big Data interessa à estratégia de união da direita, mas o empate técnico impede afirmar que a manobra decidiu a eleição. Tebet e Marina continuam competitivas, e uma parte dos eleitores de Salles ainda pode anular, votar em apenas um nome ou escolher outra candidatura.

Também é cedo para transformar a desistência em prova de vitória ou derrota de qualquer grupo. O dado confiável desta rodada é a proximidade entre os primeiros colocados. O efeito específico da retirada de Salles só poderá ser estimado com uma coleta iniciada depois do anúncio e com pergunta capaz de captar as duas escolhas para o Senado.

Na reta final, pesquisas devem ser lidas com a mesma régua para todos os candidatos: percentuais, margem, datas e desenho da pergunta importam mais do que a conveniência de uma manchete. O levantamento indica vantagem numérica da dupla apoiada por Salles, mas ainda não autoriza declarar para onde foram os votos dele.

Em resumo

Quem lidera numericamente a pesquisa para o Senado em São Paulo?

Guilherme Derrite aparece com 22%, seguido por André do Prado com 20% e Simone Tebet com 18%, todos tecnicamente empatados.

A pesquisa já mede completamente o efeito da desistência de Salles?

Não. A coleta ocorreu de 24 a 28 de setembro, e Salles desistiu apenas no último dia do trabalho de campo.

Quantos eleitores foram entrevistados?

O Real Time Big Data entrevistou 2 mil eleitores por telefone e internet.

Qual é a margem de erro do levantamento?

A margem é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Quantas vagas ao Senado estão em disputa em São Paulo?

Duas vagas; por isso, cada eleitor poderá indicar dois candidatos na votação.

Fontes