Economia · 2026-10-27 · Redação Notícia ES

Dívidas sem perspectiva de pagamento atingem maior nível desde 2012

Relatório do Banco Central mostra aumento dos débitos problemáticos; comprometimento da renda dos consumidores também atingiu o pico em 21 anos

Dívidas sem perspectiva de pagamento atingem maior nível desde 2012
Dívidas sem perspectiva de pagamento atingem maior nível desde 2012

As dívidas das famílias brasileiras com sinais de não pagamento integral atingiram o maior nível desde 2012, conforme o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, divulgado nesta terça-feira, 27.

Comprometimento da renda com dívidas alcançou o patamar mais

O comprometimento da renda com dívidas alcançou o patamar mais elevado em 21 anos, com 9,2% da carteira de crédito das pessoas físicas em atraso superior a 90 dias.

O relatório destaca 20,3 milhões de pessoas endividadas de risco, representando 17% dos devedores.

O risco de as famílias brasileiras não conseguirem quitar as dívidas atingiu o maior nível desde 2012. Além disso, a parcela da renda destinada ao pagamento dessas obrigações chegou ao maior patamar em 21 anos.

Dados constam no Relatório de Estabilidade Financeira, do Banco

Os dados constam no Relatório de Estabilidade Financeira, do Banco Central (BC), divulgado nesta terça-feira, 27.

Para avaliar esse risco, o Banco Central utiliza o indicador de ativos problemáticos (AP), que considera tanto as dívidas com atraso superior a 90 dias quanto aquelas que apresentam sinais de que não serão pagas integralmente.

Em junho de 2026, essas operações representavam 9,2% do total de crédito concedido a pessoas físicas, depois de o índice ter alcançado 9,3% no período anterior.

O aumento dos atrasos no pagamento das dívidas foi o principal responsável pela piora do indicador. Segundo o Banco Central, a situação é ainda mais preocupante entre as famílias de menor renda, que enfrentam mais dificuldades para manter os pagamentos em dia.

O avanço dos APs atingiu diferentes modalidades de empréstimo no primeiro semestre. O cartão de crédito encerrou junho com 12,7% da carteira nessa condição, depois de alcançar 13,2%.

No crédito consignado, o indicador chegou a 5%, enquanto o financiamento de veículos registrou 8,5%.

No crédito pessoal sem desconto em folha e sem garantias, a proporção chegou a quase 15%. Embora essa modalidade apresente a maior taxa entre as linhas mencionadas, o índice permaneceu abaixo do pico de 16,5% registrado em 2016.

O BC também identificou 20,3 milhões de pessoas classificadas como endividadas de risco em junho. O número representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional e supera em 75% o registrado no mesmo mês de 2021.

A classificação considera diferentes sinais de vulnerabilidade financeira, como o comprometimento elevado da renda com dívidas, a inadimplência e a contratação de empréstimos em várias modalidades.

O BC também avaliou o efeito das regras contábeis que entraram em vigor em janeiro de 2025.

A regulamentação alterou os critérios usados pelas instituições financeiras para reconhecer perdas com operações de crédito, o que pode manter empréstimos problemáticos nos balanços por mais tempo.

Segundo estimativa da autoridade monetária, a taxa de inadimplência do sistema financeiro seria 0,78 ponto porcentual menor em junho se os critérios anteriores continuassem em vigor.

A diferença corresponde a cerca de 45% da elevação de 1,76 ponto porcentual observada desde dezembro de 2024.

O documento prevê que a pressão sobre a capacidade de pagamento deve continuar na maioria das modalidades de crédito durante o segundo semestre de 2026.

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Em resumo

O que aconteceu?

As dívidas das famílias brasileiras com sinais de não pagamento integral atingiram o maior nível desde 2012, conforme o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, divulgado nesta terça-feira, 27. O comprometimento da renda com dívidas alcançou o patamar mais elevado em 21 anos, com 9,2% da carteira de crédito das pessoas físicas em atraso superio

Qual é o ponto principal?

O risco de as famílias brasileiras não conseguirem quitar as dívidas atingiu o maior nível desde 2012. Além disso, a parcela da renda destinada ao pagamento dessas obrigações chegou ao maior patamar em 21 anos. Os dados constam no Relatório de Estabilidade Financeira, do Banco Central (BC), divulgado nesta terça-feira, 27.

Quais são os dados mais importantes?

Para avaliar esse risco, o Banco Central utiliza o indicador de ativos problemáticos (AP), que considera tanto as dívidas com atraso superior a 90 dias quanto aquelas que apresentam sinais de que não serão pagas integralmente. Em junho de 2026, essas operações representavam 9,2% do total de crédito concedido a pessoas físicas, depois de o índice ter alcançad

Qual é o contexto?

O aumento dos atrasos no pagamento das dívidas foi o principal responsável pela piora do indicador. Segundo o Banco Central, a situação é ainda mais preocupante entre as famílias de menor renda, que enfrentam mais dificuldades para manter os pagamentos em dia.

Quais são os próximos desdobramentos?

O avanço dos APs atingiu diferentes modalidades de empréstimo no primeiro semestre. O cartão de crédito encerrou junho com 12,7% da carteira nessa condição, depois de alcançar 13,2%. No crédito consignado, o indicador chegou a 5%, enquanto o financiamento de veículos registrou 8,5%.

Fontes