Doações de pessoas físicas concentram recursos em Flávio
Dados declarados ao TSE até 20 de outubro mostram R$ 36,9 milhões recebidos de pessoas físicas pela campanha de Flávio Bolsonaro, com forte peso de grandes contribuições.

As doações diretas de pessoas físicas à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro somavam R$ 36,9 milhões até 20 de outubro, enquanto a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva registrava R$ 1,88 milhão na mesma modalidade. Os dados parciais, declarados ao Tribunal Superior Eleitoral, revelam perfis diferentes de financiamento na reta final do segundo turno.
O levantamento foi publicado pelo g1 nesta sexta-feira (23) com base nas prestações de contas do TSE e sem incluir recursos arrecadados por plataformas de financiamento coletivo. Uma apuração do Poder360, feita com recorte temporal e metodologia distintos, também identificou uma diferença ampla no valor médio das contribuições aos dois candidatos, reforçando o padrão de concentração sem permitir a soma direta dos totais.
Valores altos dominam arrecadação
Na campanha de Flávio, 727 pessoas fizeram 822 doações diretas. Entre esses apoiadores, 93 contribuíram com pelo menos R$ 100 mil. Embora correspondessem a 13% dos doadores, eles respondiam por 84,3% do dinheiro recebido de pessoas físicas até a data de corte.
A concentração aumenta quando entram na conta os repasses entre R$ 10 mil e R$ 99.999. Nesse recorte ampliado, 270 doadores eram responsáveis por 98,1% dos recursos. Na outra ponta, 119 pessoas transferiram menos de R$ 100 cada uma, totalizando R$ 1,5 mil.
A maior contribuição individual registrada no período foi um PIX de R$ 1,8 milhão, feito pelo produtor rural Wilson Francisco Rotta em 20 de outubro. O dado ajuda a explicar por que um grupo numericamente restrito teve peso decisivo no caixa da candidatura do PL.
O fluxo também se intensificou depois do primeiro turno. Entre 5 e 20 de outubro, a campanha de Flávio recebeu R$ 30,1 milhões em 654 operações, equivalentes a 81% de toda a arrecadação direta de pessoas físicas apurada até então.
Metodologias exigem comparação cuidadosa
No caso de Lula, 571 doadores haviam repassado R$ 1,88 milhão diretamente. Apenas uma pessoa aparecia na faixa de R$ 100 mil ou mais, responsável por 27% do total. A média por doação caiu de R$ 21,1 mil em 2022 para cerca de R$ 3 mil em 2026, enquanto a quantidade de doadores aumentou.
O perfil temporal também foi diferente: 94% dos recursos diretos da campanha petista entraram até 4 de outubro, data do primeiro turno. A comparação com 2022, porém, deve considerar que os números daquele ano abrangem toda a campanha, ao passo que a fotografia de 2026 termina em 20 de outubro.
Os totais publicados por veículos diferentes não são intercambiáveis. O g1 separou as doações diretas e excluiu as vaquinhas virtuais; o Poder360 trabalhou com datas de atualização próprias e incluiu financiamento coletivo em parte de sua análise. A conclusão segura é sobre a distribuição: até os recortes consultados, Flávio reunia mais dinheiro em contribuições elevadas, e Lula apresentava tíquete médio menor e base mais pulverizada.
As prestações de contas continuam sujeitas a novas declarações e atualizações até o encerramento do calendário eleitoral. Por isso, os valores mostram a situação registrada pelo TSE no momento do levantamento e não constituem o balanço final das campanhas.
Em resumo
A campanha declarou R$ 36,9 milhões em doações diretas de 727 pessoas até 20 de outubro.
A campanha declarou R$ 1,88 milhão em doações diretas de 571 pessoas até a mesma data de corte.
Na campanha de Flávio, 93 doadores com repasses de ao menos R$ 100 mil responderam por 84,3% do total direto.
Não no levantamento principal do g1, que excluiu as contribuições feitas por financiamento coletivo.
Não. As declarações ainda podem ser atualizadas até o fechamento das prestações de contas eleitorais.